Quando o vilão tem um pé na bunda e decide que o problema vai ser de todos; conheça “As Bruxas de Outrora”
“As Bruxas de Outrora” é um livro de fantasia escrito por Tati Vieira, autora independente brasileira e moradora de Niterói. Seu livro é amplamente inspirado no estado do Rio de Janeiro, tanto que o nome de seu reino se chama Guanabarae. O livro foca a história em Sedna Maréalta e Kai Marrevolto, bruxos de um dos Covens de água. Mas a história do livro começa muito antes disso, na verdade bem antes disso. Ela começa com o melhor amigo de Kai, o humano sem magia que era apaixonado pela bruxa Vandora.
Ragnar é introduzido logo no segundo capítulo como amigo de infância de Kai, noivo de Sedna, mas o que eu vou abordar aqui é a perspectiva do vilão que acompanha os quatro últimos capítulos do livro, mostrando a motivação do vilão pela perspectiva do próprio. É justificável o que ele fez? Não. Ele é um vilão que a gente torce? Não, porém em determinado momento do livro ele até que faz alguma coisa certa, mas até lá um relógio parado tem que acertar algum momento do dia, não é mesmo?
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Ragnar inicia o seu capítulo com uma história de amor perfeita. Ele é só um rapaz, filho de um ferreiro, apaixonado por uma bruxa de olhos azuis, cabelos negros e um sorriso capaz de enfeitiçar o coração de qualquer um, incluindo de seu pai sisudo. O amor deles é de certa forma bonito, e cheio de expectativas, de paixões, e desejos. Só que as expectativas que ele quer e os planos que ele faz, não são os mesmos que a Vandora imagina para si.
Para Ragnar, Vandora deveria se casar com ele, ter filhos com ele, construir uma vida junto a si na cidade humana. El deveria aprender as receitas da mãe dele, ele compraria uma casa, iria assumir o trabalho do pai e passaria isso para os filhos, ou seja, ele não a pergunta o que ela deseja em nenhum momento. Como que alguém quer microplanejar o passo de cada pessoa, incluindo os filhos que nem sequer nasceram, e não perguntar isso para a pessoa que ele ama?
As coisas dão errado e a expectativa de Ragnar se quebra quando ele finalmente toca no assunto, meio atrasado, para pedi-la em casamento, mas quer que ela abandone os seus ritos de bruxa, a sua deusa e a sua comunidade, e Vandora, paciente como só, até tenta dar um meio termo. Ela aceitaria viver com ele, na cidade dele, desde que pudesse voltar ao Coven para atender seus deveres como bruxa, mas ele ironiza, ridiculariza e expõem o que realmente sente.
“Quase me perdi em seus cabelos negros, olhos azuis, curvas divinas e voz suave, mas finalmente enxergo os perigos que bruxas como ela apresentam para nós, homens de bem. A maldita conseguiu corromper o que eu tinha de melhor, mas sou mais forte do que isso.”
Uma coisa que não posso negar é que esse homem cumpre com a palavra dele, então se você está procurando alguém fiel a sua palavra, esse vilão é a escolha perfeita. Ele prometeu que ela ia se arrepender por ter rejeitado ele e ele cumpriu exatamente com isso, erradicando o Coven dela primeiro antes de qualquer outro, assim que conseguiu a amizade com o príncipe através de alguns acontecimentos que ocorrem na vida dele. Chegou a conseguir que o príncipe permitisse que ele criasse caçadores de bruxas e os liderasse.
Essa visão do vilão é muito boa para dar profundidade para um personagem que a gente mal vê na obra e consegue entender o que o motivou aquilo, mesmo que a motivação dele seja egoísta, afinal o desquerido conseguiu transformar um pé na bunda num problema generalizado.
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“Acario os cabelos escuros ensopados do líquido viscoso que antes escorria profusamente. Enfulo em seco quando a realidade me espanca. (…) O amor de minha infância, fantasia de minha adolescência e decepção da vida adulta, se foi. (…) – Por que me obrigou a isso, Vanora?”
Só posso dizer que foi muito bom conhecer esse vilão mais do que foi permitido nos capítulos anteriores do livro, e é muito bom torcer para a queda do vilão. Mas isso só vai dar para descobrir depois, pois, infelizmente, o livro se encerra com o desespero, loucura e a visão distorcida de um pobre homem de bem que foi enfeitiçado por uma bruxa ardilosa traiçoeira e perversa, que cometeu o erro de dizer NÃO.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial



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