Show de MGK no Rock in Rio 2026 teve cara de programa de auditório dos anos 1990
O Rock in Rio 2026 escalou o rapper, cantor de pop punk, bailarino e sei lá mais o quê MGK no “dia do metal”, entre Sepultura e uma das atrações mais aguardadas da noite, Bring Me The Horizon. Esse é o primeiro ponto negativo desse show, principalmente quando olhamos para a própria história do evento. Mas a estreia do artista no festival ainda teve outro problema para lidar: ele mesmo.
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O peixe fora d’água do Rock in Rio 2026
Em algumas edições do Rock in Rio anteriores tivemos artistas muito hostilizados pelo público, seja pela postura arrogante de ambas as partes ou simplesmente por estar se apresentando na hora e no dia errado. Se você ainda não estava vivo, provavelmente nem saiba que o show do Lobão na edição de 1991 durou apenas alguns segundos, antes que começassem os insultos. Dez anos depois, foi a vez de Carlinhos Brown receber uma chuva de copos de plástico ao se apresentar em um dia dominado por artistas de rock. A bola da vez em 2026 é MGK e sua mistura de gêneros musicais que pouca gente entende.

Nascido Colson Baker, Machine Gun Kelly, que agora adota a sigla MGK, iniciou a carreira no rap, mas com o passar do tempo sua música virou uma grande colcha de retalhos, passando pelo emo, pop punk e pop, com direito a coreografia e tudo. Desde o início, construiu um personagem badboy dentro e fora dos palcos, e acumula uma longa lista de tretas que inclui Eminem, Corey Taylor (Slipknot) e a ex-namorada Megan Fox.
MGK e a indecisão de ser astro pop ou roqueiro oldschool
Todas essas coisas estiveram lá no curto show que ele planejou para o Rock in Rio 2026. Uma coisa não podemos negar: ele tem carisma. Por outro lado, esse carisma se perde na indecisão entre ser um roqueiro badboy dos anos 1970 ou um astro pop de uma boyband rodeado de dançarinas que parecem ter saído de um programa de auditório. E não demorou muito para os primeiros insultos começarem, o que exigiu muita resiliência do artista que fez um desabafo para o público ainda no começo do show: “mesmo que não me amem, eu amo vocês”.

As únicas que realmente conseguiram engajar o público mais jovem, foram “Maybe” e “Bloody Valentine”, ambas mais para o lado do pop punk. Ele teve bons momentos também com “Concert for Aliens”, sua parceria com Travis Barker, baterista do Blink 182. A despedida melancólica foi com “My ex’s Best Friend”, que não conseguiu acabar com a apatia de quem estava só esperando por Bring Me The Horizon.
Do ponto de vista técnico, ele cumpriu bem seu papel com bons vocais e uma execução excelente das músicas pela banda. Em tempos de bases gravadas, isso precisa ser valorizado. Por fim, o show de MGK mostrou que ele é um artista que tem potencial, mas esbarra no estereótipo ultrapassado com roupagem moderna que não consegue se consolidar.
Setlist
- Fix Ur Face
- WWIII
- Till I Die
- I Think I’m OKAY
- Don’t Wait Run Fast
- Maybe
- Bloody valentine
- Forget Me Too
- Lonely
- Born With Horns
- Concert for Aliens
- Title Track
- Nothing Inside
- Papercuts
- Vampire Diaries
- My ex’s Best Friend
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@MariFemiani)


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