11 de dezembro de 2019

Somos a todo tempo bombardeados com produções norte-americanas: filmes, desenhos e músicas vem inclusive modificando nossa própria cultura. O que temos como percepção de mundo e valores são alterados observando um estilo de vida que, ainda hoje, está bem distante do nosso. Esse processo, possibilitado pela globalização, tem um lado negativo extremamente problemático (que não vem ao caso mencionar no momento) e um lado positivo que envolve a possibilidade de expansão de horizontes e aproximação de fronteiras. Por que ficar satisfeito com uma indústria de cinema extremamente comercial, quando existe a possibilidade de dar um pulo no outro lado do mundo com alguns cliques e curtir o que existe de mais sublime em matéria de animação?

Antes de apresentar algumas das melhores produções nipônicas  que separamos, é preciso dizer que além de clássicos elas podem ser consideradas obras de arte que não apenas entretém, mas fascinam. Sendo assim, comecemos com:


A Garota que Conquistou o Tempo (2006)

(The Girl Who Leapt Through Time / Toki wo Kakeru Shoujo)

A Garota que Conquistou o Tempo é uma comédia/drama adaptada do romance de mesmo nome publicado em 1967. A animação conta a história de Makoto: uma adolescente extrovertida e desastrada que descobre como viajar no tempo e que passa a usar seus poderes de forma imprudente para ganho próprio e acaba percebendo que isso pode causar enormes confusões. A trama segue toda uma problemática de viagem temporal já bem explorada, mas de forma original no melhor estilo Efeito Borboleta.


Cowboy Bebop: O Filme (2003)

(Cowboy Bebop: The Movie / Gekijōban Kaubōi Bibappu: Tengoku no Tobira)

Baseado no anime aclamado pela crítica Cowboy Bebop, a animação conta a história de um grupo de caçadores de recompensa que viaja a bordo da nave espacial Bebop que estão interessados na lucrativa missão de capturar e transportar um terrível criminoso. Cowboy Bebop segue o ritmo do anime não deixando faltar ação, tragédia e jazz


Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1992)

(Porco Rosso / Kurenai no Buta)

A animação aborda o período conturbado entre as duas grandes guerras, na Itália, com um fundo de recessão econômica e de ascensão do fascismo. Nesse contexto, um ex-piloto da Força Aérea Italiana, se vê transformado em um porco e converte-se em caçador de recompensas.

Mesmo aparentando leveza, Porco Rosso expõe os absurdos da guerra se utilizando do mito do herói que busca redenção.


 

Ghost in the Shell (1995)

(Kōkaku Kidōtai Gōsuto In Za Sheru)

Ghost in the Shell é uma animação de ficção científica  inspirada no mangá de mesmo nome. A trama se passa em 2029 em um mundo cyber-punk marcado pelo surgimento de uma nova tecnologia que permite a fusão do cérebro à rede mundial. É nesse contexto que Motoko Kusanagi à serviço da Agência de Segurança Pública segue os rastros de um hacker misterioso e acaba se envolvendo em uma sequência de intrigas políticas enquanto tenta descobrir a verdadeira identidade e objetivos do hacker. A animação aborda temas filosóficos como a identidade em meio aos avanços tecnológicos e inspirou a trilogia Matrix.

Este ano, na Comic Con foi anunciada uma versão live action do filme estrelando Scarlett Johanson chamada Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell que tem previsão para lançamento 30 de março de 2017.


 

Nausicaä do Vale do Vento (1984)

(Nausicaä of the Valley of the Wind / Kaze no tani no Naushika)

A animação se passa centenas de anos no futuro e acompanha a história da princesa Nausicaä que governa o Vale do Vento: um lugar verde e próspero em um planeta moribundo devastado pela guerra onde ela acaba se envolvendo em uma disputa entre duas nações feudais que podem causar ainda mais destruição no mundo.

Misturando o primitivos ao futurístico, Nausicaä do Vale do Vento possui elementos adultos e conteúdo violento que ajudam a construir uma história tensa de reconexão do ser humano à natureza.


 

Perfect Blue (1997)

(Pāfekuto Burū)

Perfect Blue é uma animação de drama psicológico que conta a história de Mima Kirigoe, membro de uma banda pop japonesa, que decide deixá-la para se dedicar à carreira de atriz, mas começa a conviver com alucinações cada vez mais fortes e vai, aos poucos, confundindo o que é real com as criações de sua mente. Mima enfrenta um duelo psicológico com ela mesma causado pela preocupação com o fracasso profissional e o medo de não conseguir vencer na vida.


 

A Viagem de Chihiro (2001)

(Spirited Away / Sen to Chihiro no Kamikakushi)

Provavelmente a animação japonesa mais conhecida atualmente, A Viagem de Chihiro ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2002 além do Oscar de melhor animação em 2003.

Chihiro e seus pais estão viajando de carro em processo de mudança, mas no meio do caminho se perdem ao pegar um atalho e encontram uma cidade misteriosa. Os pais de Chihiro acabam sendo amaldiçoados e ela passa por diversas aventuras ao lado de novos amigos buscando uma forma de salvar sua família.


 

Paprika (2006)

(Papurika)

Num futuro próximo, um novo tratamento chamado “sonho revolucionário” foi inventado. Um dispositivo que permite ao usuário visualizar os sonhos das pessoas. O chefe da equipe de trabalho sobre este tratamento começa a usar a máquina ilegalmente para ajudar os pacientes psiquiátricos fora do centro de pesquisa, usando seu alter-ego “Paprika”. Não está certo se o filme de 2010 Inception de Cristopher Nolan se baseou em Paprika, no entanto os dois possuem muita coisa em comum.


 

Akira (1998)

Akira é uma animação de ficção científica que se passa num mundo cyber-punk. Foi a primeira animação japonesa a ser exibida em cinemas brasileiros e hoje é vista como um grande clássico

No filme, Kaneda lidera uma gangue de motoqueiros, no ano de 2019, em Tóquio, chamada de Neo-Tokyo que foi construída depois da original ter sido destruída na terceira guerra mundial. Ao se defrontar com outra gangue que invadiu o seu território, um dos membros da gangue, Tetsuo, desgarra-se e é sequestrado pelas forças do governo. Tetsuo passa por experiências que objetivam a desenvolver poderes paranormais nele.


 

Princesa Mononoke (1997)

(Princess Mononoke / Mononoke-hime)

Princesa Mononoke é uma animação de drama/fantasia que traz o conflito entre a cobiça do homem e a preservação da natureza, em uma história repleta de ensinamentos e ação. Com visual e temática feudal, o filme é um dos mais obscuros e intensos já feitos pelo estúdio  Studio Ghibli.


Meu Amigo Totoro (1995)

(My Neighbor Totoro / Tonari no Totoro)

Meu amigo Totoro é uma animação de fantasia que conta a história de Mei, uma jovem que encontra uma pequena passagem em seu quintal, que a leva à um lendário espírito da floresta, conhecido como Totoro. Sua mãe está no hospital, e seu pai, divide o tempo entre dar aulas na faculdade e cuidar de sua mulher doente. Quando Mei tenta visitar a mãe por conta própria, se perde na floresta e só o grande e fofo Totoro, pode ajudar a menina a achar o caminho de volta para casa.

Conhecido por ser a marca registrada do Studio Ghibli, Meu Vizinho Totoro é uma linda história que mostra a relação de uma família não só entre si, mas também com a natureza que as cerca. Um filme delicado que fica marcado na memória.


Cemitério dos Vagalumes (1998)

(Grave of the Fireflies – Hotaru no Haka)

O filme é um drama que relata a história de dois irmãos, Seita e Setsuko, no período da Segunda Guerra Mundial no Japão. O pai deles é convocado a defender o país na guerra e a mãe falece em um bombardeio de aviões norte-americanos.

A partir daí, o filme mostra a luta pela sobrevivência das duas crianças, em meio à pobreza e miséria que assola o país. Fome, doenças e a falta de generosidade e de sensibilidade dos adultos faz deste percurso um dos filmes mais bonitos e comoventes sobre o trágico quadro gerado pela guerra.


Cinco Centímetros por Segundo (2007)

(5 Centimeters per Second/ Byōsoku Go Senchimētoru)

O projeto mostra, em três partes (“Cherry Blossom”, “Cosmonauta” e “Cinco Centímetros por Segundo”) a história dos amigos Akari e Takaki, que sempre foram inseparáveis, até Akari ter que se mudar a uma nova cidade, para acompanhar os pais. Os dois convivem com a saudade, até Akari fazer uma última visita. Com suas críticas ao mundo da tecnologia, a animação possui uma arte belíssima e se você quiser assistir, é melhor preparar a caixa de lenços.


O cinema japonês possui muitas outras animações consideradas obras primas e espero que as listadas aqui consigam transmitir a mesma magia que encantou milhares de pessoas para você que pretende assistir.

Por Raoni Vidal

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2 thoughts on “Clássicos da animação japonesa que você precisa assistir

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