Coletivo As Minas – Parte 2

Dando sequência na nossa dobradinha Arte + Mulheres, com o coletivo As Minas (que vamos combinar que é só amor!), vamos conhecer um pouco mais as vivências das atrizes em uma entrevista super empoderadora, para que os caminhos tortos que uniram esse grupo tão inspirador fiquem claros e (é claro) sigam inspirando a mais gente.

Nós já contamos um pouco para vocês  sobre o surgimento dessa proposta e como vem sendo desenvolvido o trabalho teatral dessas moças. Agora  vamos conhecer um pouco mais as atrizes que dão vida a toda proposta? Vamos sim! Juntes!

Rayza Noiá – Foto: Gabriela Isaías

A atriz e produtora Capixaba Rayza Noiá veio para o Rio de Janeiro aos 17 anos, quando ingressou na Universidade Federal Fluminense para cursar Cinema. No Rio, iniciou os estudos de teatro na CAL, onde teve a certeza da profissão que desejaria seguir. Então se sentiu motivada a unir mulheres com causas e processos semelhantes em um grupo para transformar tudo isso em arte.

Lorena Freitas – O que desenvolver e compor esse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Rayza Noiá – Eu tinha muitas travas, neuras e autosabotadores que perderam todo o  sentido depois desse projeto. Saí de um lugar de passividade. Tomei as rédeas dos meus sonhos, de quem eu sou e como me coloco no mundo. Eu me sentia também um pouco inerte em relação a profissão, como se eu estivesse constantemente esperando e não trabalhando, não sendo vista como eu queria, resolvi colocar a peça dos meus sonhos de pé. E, o mais importante, ter essas mulheres, essas minas do meu lado, fez com que eu me sentisse a pessoa mais grata do universo. Elas me apoiaram desde o princípio e abraçaram de corpo e alma uma ideia tão embrionária. Além disso tudo, mergulhar sobre a temática do feminismo me deixa muito mais atenta aos males do patriarcado. A minha militância hoje em dia quer alcançar o mundo! Quero gritar para toda e qualquer mulher “Moça você é incrível! Pode ser quem quiser, fazer o que bem entender e a única pessoa que define isso é você!”

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

RN- Fazer com que o público entenda de uma vez o que é o feminismo. Ou que, pelo menos, saia do espetáculo refletindo minimamente sobre suas ações. A A nossa luta é diária e faz toda a diferença. O que mais me assusta na cultura machista é que ela é naturalizada, como se de fato existissem “coisas naturais de homem e coisas naturais de mulher” Quando entenderem que esse tipo de pensamento não faz sentido nenhum e é extremamente nocivo aí sim nós teremos um ponto de partida para uma sociedade mais equilibrada e igualitária.

Jéssica Obaia – Foto: Gabriela Isaías

Jessica Obaia é uma carioca que ingressou no coletivo a convite de Rayza, e hoje percebe o quão grande foi a mudança em sua mentalidade:

LF- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Jessica Obaia- Hoje em dia consigo não julgo mais as mulheres. Por exemplo: ela fica com vários, ela é muito gorda, o corpo dela é estranho. Eram mínimos comentários infelizes que só hoje eu enxergo que são machistas e preconceituosos. Rebato na hora quando alguém faz algum comentário desse tipo, não consigo ficar mais calada.De alguma forma eu era mais retraída quando ouvia algumas coisas. Apesar de pensar de maneira contrária da pessoa, não falava, não me colocava, me retraía completamente. Agora eu falo mesmo independente da situação. Quando necessário debato e tento mostrar à pessoa o quanto ela está sendo machista.

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

JO- Mostrar para sociedade o quanto ainda somos machistas em diversos níveis. Estes pensamentos acontecem entre homens e mulheres. As pessoa ainda tem uma visão distoricida do feminismo. Muita gente não sabe ao certo o que é e confunde os conceitos. Muitas pessoa difundem o machismo e não enxergam isso. Mostrar que a luta não prioriza a superioridade da mulher sobre o homem, e sim, a equidade de direitos. Ensinar que a sororidade é o melhor caminho para nos fazermos entendidas.

Lucélia Pontes

Lucélia Pontes é atriz e diretora de produção e veio de Maceió para a Cidade Maravilhosa em busca de oportunidades. Estudante de teatro junto com a Rayza Noiá,  foi convidada para o projeto, no qual se jogou completamente.

LF- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Lucélia Pontes- Fazer parte desse projeto me faz enxergar paredes que nós, mulheres empurramos todos os dias para ao menos tentarmos conseguir um espaço igualitário de fala, escuta e trabalho. Minha vida pessoal e profissional anda muito mais militante, mais cuidadosa e atenta às outras, conhecidas ou não. Eu me sinto mais forte, porque eu sei que não estou sozinha. Com as meninas do coletivo, eu me descubro cada vez mais feminista e acho isso muito lindo, apesar da luta diária e cansativa. Mas ao mesmo tempo, vejo que tem frutos. Minha mãe sempre disse para eu não levantar nenhuma bandeira de nada, por exemplo. Ela mora em Maceió e hoje está começando a fundar um espaço de atendimento à mulher lá, numa cidade do nordeste que já obteve o segundo índice mais alto do país de violência contra a mulher.

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

LP- No meu ponto de vista, o Coletivo As Minas tenta trazer a reflexão sobre a desigualdade de direitos entre os gêneros, buscando mudar onde a gente vive. Afinal, rua, bairro, cidade, estado, país, mundo para quem? A gente fala principalmente sobre o feminino que todo mundo tem e que é tão renegado. Porque a partir desta negação sobra apenas a força que reprime, diminui e pára mulheres, crianças e pessoas com essa característica mais latente. Mulher deve estar onde e como ela quiser. Unida a gente se fortalece e se protege. Nenhuma fica para trás. Acho que é isso que o coletivo propõe.

Isadora Cecatto – Foto: Gabriela Isaías

A dramaturgo e Atriz Isadora Cecatto veio para o Rio aos 18 anos com um sonho e uma mala. Do interior do Rio Grande do Sul (Palmeira das Missões), teve seu primeiro contato com o palco em Florianópolis, onde viveu durante a adolescência. Também a convite da Idealizadora do projeto  (com quem dividiu os espaços da CAL) passou a integrar o coletivo.

Lorena Freitas – Antes de fazer parte do coletivo, o que fazias?

Isadora Cecatto- Me formei atriz pela CAL em 2014. Desde lá, complementei minha formação em um treinamento contínuo de interpretação para vídeo com a preparadora de elenco Paloma Riani. Também embarquei em diversos projetos – o último deles foi a série “3×4 – Se eu não fosse eu”, na qual eu assino roteiro e idealização ao lado de outra atriz, a Natasha Sierra, além de fazer parte do elenco. A direção é do Emilio de Mello e ela será gravada ainda esse ano. Também gravei, já ao longo dos ensaios do Coletivo, minha primeira participação no cinema, no filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos.

LF-  O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

IC- A gente é rodeada de imposições e pressões, todos os dias, de um jeito tão naturalizado que fica até difícil enxergar os efeitos que isso causa e o quanto é nocivo. Estar ao lado dessas mulheres me fez entender que eu não preciso ser outra pessoa, que não há nada de errado comigo nem com mulher alguma nesse mundo, o que deveria ser óbvio mas, tão triste, não é. Elas me lembram todo dia que enquanto amar a mim mesma for um esforço e uma ousadia, existe uma luta e ela é urgente. Acho que o Coletivo trouxe pra mim a possibilidade real de fazer parte dessa luta, de transformar através da arte, que é o sonho de todo artista, né? Tocar as pessoas, contribuir com as mudanças que acredita serem necessárias pro mundo ser melhor. Nunca fiz parte de um projeto tão pessoal e necessário antes. A gratidão e a empolgação são imensas!

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

IC- Empoderamento e sororidade são duas palavras recentes no nosso vocabulário, ao menos aqui no Brasil. Qualquer grupo que se movimente no sentido de mostrar às pessoas o poder desses conceitos tem uma importância enorme. Tem mulheres morrendo por serem mulheres, tem mulheres passando suas vidas inteiras subjugadas e oprimidas em diversos graus, mas o mais grave disso tudo é que boa parte dessas mulheres sequer tem consciência disso. Se perceber vítima de uma cultura opressora é o primeiro passo, porque a dominação masculina é tão, mas tão naturalizada e antiga que a gente não enxerga a nossa própria dor. Somos induzidas a não pensar sobre, a conviver com ela e aceitar que ela faz parte da condição de ser mulher. A gente nem chama mais de dor, porque “faz parte”, porque “o mundo é assim”.O feminismo tá aí pra tirar essa venda dos nossos olhos, pra mostrar que nosso potencial é infinito e que não precisamos desempenhar pra sempre um papel social que lá dentro, na nossa essência, nunca fez sentido e nos limita. Mostrar que a própria existência desses papéis, na verdade, é uma distorção, um desperdício das coisas lindas que a gente poderia ser se a gente fosse livre. Queremos que as mulheres olhem umas pras outras, parem de competir entre si e encontrem força no poder do coletivo, como a gente encontrou. Pra gente, esse é o caminho da tão necessária equidade entre os gêneros.

Maria Carolina Rocha – Foto: Gabriela Isaías

Maria Carolina Rocha é carioca da Vila, que estudou teatro com Rayza, que a convidou para participar do projeto.

Lorena Freitas- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Maria Carolina- Mudou muito a minha forma de olhar o mundo e também de me perceber no mundo. Acredito muitas vezes que esse projeto me salvou de certa forma porque já não aguentava mais me esconder e negligenciar a busca do meu lugar como mulher no mundo. Cada vez mais eu sinto que minha confiança em mim mesma aumenta e também a certeza de que está tudo bem ser do jeito que eu sou.

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

MC- O papel desse coletivo na sociedade é justamente convidar o público para uma uma reflexão acerca da desigualdade política e social entre os gêneros. Nosso objetivo é tocar nem que seja uma partezinha bem pequena de cada pessoa e que ela de fato comece a refletir as suas próprias ações para com o todo. Eu acredito que esse é o segredo pra mudar aquilo que a gente acredita.

Elisa Caldeira – Foto: Danillo Sabino

A atriz e Designer Visual Elisa Caldeira,  é uma multi artista (que atua nas áreas de teatro, dança e circo) de Nikity City que também ingressou no coletivo a convite da idealizadora.

Lorena Freitas- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Elisa Caldeira- Estou me vendo obrigada a estudar e viver mais assuntos ligados ao feminismo e isso afeta meu dia a dia na prática! Além do meu autoconhecimento como atriz e cantora independente.

LF- Na sua visão,  qual o papel social do coletivo?

EC- Falar sobre este assunto já é muito importante e faz toda a diferença! Somos uma equipe só de mulheres colocando foco no tema de maneira muito poética. Queremos fazer as pessoas refletirem sobre suas ações e acolherem o feminino em si e no outro.

Ayene Vieira – Foto: Gabriela Isaías

A atriz de Duque de Caxias Ayene Vieira atua desde menina. Iniciou o trabalho de forma mais profissional ao terminar a escola e ir estudar teatro na CAL, onde conheceu Rayza e passou a integrar o projeto.

Lorena Freitas- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Ayene Vieira- Mudou completamente o meu posicionamento diante das situações veladas pelo “machismo nosso de cada dia”. Acredito que sempre fui feminista, mesmo antes de conhecer a palavra, mas tinha medo de me impor em situações de machismo que ocorriam comigo e a minha volta. Junto com esse coletivo, aprendi a usar mais a minha voz no dia a dia, e também a enxergar o que eu posso fazer a respeito com a minha arte. Cada um dá o que tem, e o que eu tenho pra dar é a minha arte.

LF –  Na sua visão,  qual o papel social do coletivo?

AV- Na minha visão o papel é desafogar essa sociedade patriarcal inundada pelo machismo e a ignorância. E quando falo da ignorância, me refiro a ignorância ao termo “Feminismo”. Queremos desmistificar a palavra. Ainda hoje muitas pessoas se dizem contra o movimento feminista, mas se você conversar e ouvir o que essas pessoas querem da sociedade e no que acreditam, você vai ver que não é diferente do conceito do movimento. É uma questão de conhecer a luta e de estar disposto a entende-la. Por isso eu acho que a maior missão do nosso coletivo é essa, ajudar a mostrar que o movimento é pra todos.

Naara Barros – Foto: Gabriela Isaías

Naara Barros é uma Pernambucana que trabalha como assistente de produção na CAL, e é Dramaturga e atriz.

Lorena Freitas – Como conheceu o coletivo?

Naara Barros- Através da Rayza, ela me convidou. Nunca tínhamos trocado duas palavras antes, foi uma levantada de auto-estima o convite, por ela confiar em mim e no meu trabalho; fiquei super empolgada sobre a temática e sobre o projeto de um coletivo, e convite veio na hora certa, pois é necessário transformar em arte, no papel e em cena a luta que nós mulheres vivenciamos todos os dias.

LF- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

NB- Passei a enxergar mais o outro, enxergar de verdade. Pois o feminismo é’uma luta política e social, o feminismo é essencial porque traz mudanças efetivas na sociedade.  Vivemos em um mundo que tem problemas diversos,com muitas diferenças sociais, onde o poder está nas mãos de homens cis brancos, o machismo não afeta somente nós mulheres, ele acaba desencadeando fortemente outros problemas como o racismo, a homofobia, lesbofobia…  O coletivo me fez enxergar de verdade esses problemas e buscar em mim, no meio em que vivo, caminhos e formas para achar soluções.

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

NB- Primeiro, é importante desmitificar a palavra feminismo, pois muitos têm medo dessa palavra por não conhecer de verdade a luta. Segundo, é um alerta, um pedido de socorro, de mudanças. Eu acredito, de verdade, que o nosso espetáculo irá trazer uma reflexão da sociedade sobre as suas atuais atitudes, pois é necessário enxergar o feminino, voltar a enxergar o humano, pois somente assim podemos ter uma sociedade igualitária.

Maíra Garrido – Foto: Gabriela Isaías

Maíra Garrido é uma carioquíssima diretora musical, compositora, dona de uma voz divina e Atriz  (estão lembrados dela? Se não,  clique aqui e se apaixone!). Uma das melhores amigas de Rayza, participou de todo o processo de idealização do coletivo, desde as primeiras discussões.

Lorena Freitas- Antes de fazer parte do coletivo, o que fazias?

Maíra Garrido- Sou Bacharel em Canto pela Unirio e atriz formada pela CAL. Tenho uma carreira que, embora mais voltada para a música, sempre flerta vez ou outra com o teatro musicado. Eu também sou professora de canto (da maioria das meninas do coletivo, inclusive), preparadora vocal e cantora do grupo reflexos. Logo antes de entrar para o coletivo eu estava ensaiando um musical como atriz com direção do João Fonseca, fazendo a assistência de direção musical do projeto de teatro musicado da Unirio, dando aulas de canto e ensaiando pra estrear o show do Reflexos.

LF- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

MG- É muito importante levantar bandeiras. Vou começar por aí porque eu sempre me entendi feminista, sempre soube que eu podia tudo o que quisesse e que os homens podem se posicionar de forma muito equivocada diante de uma mulher. E que as vezes eu teria que ser mais forte que eles pra conseguir quebrar muralhas. Essa força sempre esteve aqui dentro, consciente. Entrar pro coletivo é assumir, é colocar pra fora, é compartilhar. É levantar bem alto essa bandeira e falar que juntas somos mais fortes. É convocar outras mulheres à luta. Enfim, é um transbordamento coletivo. E pra mim que sempre fui toda fortona e “eu faço tudo sozinha não preciso de macho pra nada” é muito importante esse exercício de caminhar junto. Junto delas, junto do mundo. Não adianta nada eu sair em disparada e chegar sozinha a outro lugar. Há uns anos atras eu me desafiei a exercitar diariamente a empatia, hoje o exercício é o de sororidade. Êta palavrinha braba. Profissionalmente falando, aparentemente agora sou compositora. Eu que nunca tias para umnha dado nenhum crédito às minhas composições juvenis me propus a escrever melodi coletivo feminista. Tem sido libertador. Pode ser que esteja ruim. Veremos.(risos)

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

MG- Vamos falar aqui sobre o papel social do artista. A arte acompanha todas as quebras estruturais da história desde sempre para sempre. Nós atravessamos um período de marasmo cultural no Brasil nesse aspecto nos ultimos, sei lá, 20 anos? Há tempos não vejo arte sendo feita em forma de luta, resistência. Aí aos pouquinhos, diante do caldeirão em ebulição que é o nosso cenário político-social nos últimos anos foram surgindo aqui e ali uns núcleos de ofensa de tudo isso que estava estagnado. E esse é o berço desse coletivo. Agora, em 2017, já estamos fazendo arte de guerrilha de novo. Temos mulheres do fim do mundo, linikers, Mazzers, e muitos outros como inspiração. E estamos prontas pra nossa luta. E vamos lutar.

Natasha Pasquini – Foto: Gabriela Isaías

A atriz Natasha Pasquini de Lira é, talvez, aquela que sentiu de forma mais perceptível o abraço do coletivo. Formada em estética e teoria do teatro na UNIRIO, recebeu o convite para participar do projeto após sair de um relacionamento abusivo no qual foi fisicamente agredida. Acolhida pelo coletivo, diz que foram essas meninas então estranhas que a retiraram do fundo do poço simplesmente por empatia e sororidade.

Lorena Freitas- O que fazer parte desse projeto tão empoderador mudou em sua vida pessoal e profissional?

Natasha Lira- A primeira coisa que me vem à cabeça é: mulheres juntas, trabalhando ou fazendo qualquer outra coisa, dá muito certo! Temos que parar de reproduzir esse discurso machista de que mulheres são rivais, porque isso enfraquece qualquer possibilidade de união entre nós! E nós, do coletivo, somos a prova viva que juntas tudo é possível; e não estou romantizando nada: a gente briga, a gente se desentende, a gente chora, a gente ri, se abraça, compartilha dores e amores dentro e fora dos espaços de ensaio… Mas não somos rivais! Andamos juntas com todas as nossas diferenças e é isso que nos torna um grupo de verdade, que respira junto em prol de um (ou vários) propósitos em comum. Profissionalmente falando esse projeto me ensina a todo momento como trabalhar com o corpo, como trazer pro corpo questões tão pessoais; me ensina que a atriz Natasha pode falar sobre questões profundas e até pessoais, sem me machucar. Esse projeto está dando ao meu corpo novas formas de viver e estar em cena.

LF- Na sua visão, qual o papel social do coletivo?

NPL- Dar voz pras questões do feminino e do feminismo que são sempre silenciadas, mostrando que não estamos falando de verticalizar as relações, colocando a mulher acima do homem, mas que estamos falando de igualdade de direitos. Queremos também mostrar pras pessoas, através da arte, que é possível desconstruir as estruturas dessa sociedade machista e patriarcal, que é possível sim colocar em prática novas maneiras de ser e estar no mundo. Se nenhuma fica pra trás, todos saem ganhando.


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