Conheça a trajetória de mulheres brasileiras perseguidas e consideradas bruxas
A história das bruxas brasileiras não é algo que vem logo na cabeça. Isso porque, quando pensamos em bruxas, imediatamente visualizamos a imagem de mulheres da Europa ou dos Estados Unidos vivendo na floresta, mexendo caldeirões e sendo perseguidas por ousarem questionar as regras sociais. No entanto, do Brasil Colonial ao século XXI, acusações de feitiçaria, histeria coletiva e a perseguição religiosa do Tribunal do Santo Ofício alimentaram uma verdadeira caça às bruxas e tragédias reais. Às vésperas do Halloween, reunimos as trajetórias de 7 lendárias “bruxas” brasileiras:
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1. Bárbara dos Prazeres – A Vampira do Arco do Teles

A história de Bárbara mescla fatos históricos com uma das lendas urbanas mais sombrias do Rio de Janeiro. Segundo a narrativa popular, a jovem portuguesa desembarcou no Brasil no final do século XVIII, e precisou recorrer à prostituição no Arco do Teles, após supostamente assassinar o marido e algum tempo depois, o amante. Ao envelhecer e adoecer, com medo de perder a beleza, teria recorrido a ritos de feitiçaria que incluíam beber e se banhar com o sangue de crianças desacompanhadas e deixadas para adoção na chamada Roda dos Expostos em um convento. O pavor gerado pelos sumiços de crianças na época deu origem à famosa expressão “a bruxa tá solta”.
2. Mima Renard
Segundo a lenda, Mima Renard foi uma imigrante francesa que se mudou para a Vila de São Paulo no final do século XVII acompanhada do marido, René. Após o assassinato de René por um homem atraído por sua beleza, Mima passou a se prostituir para sobreviver, como muitas mulheres que ficavam sozinhas naquela época. As mulheres da região demonstraram inveja e ciúmes, o que fez surgirem boatos e acusações de que ela usava feitiçaria para atrair seus maridos. No entanto, há controvérsias sobre toda a vida Mima e não há muitas fontes para confirmar os fatos. Mas vale o registro por habitar o imaginário popular dos brasileiros.
3. Ursulina de Jesus

Em 1754, em São Paulo, Ursulina enfrentou o tribunal eclesiástico após ser acusada pelo próprio marido, Sebastiano de Jesus, de usar feitiçaria e magia para deixá-lo estéril. Para selar o destino da acusada, a influência de Sebastiano na sociedade local aliada ao depoimento de sua amante, Cesária, contra Ursulina foram decisivos. Julgada sem chances reais de defesa contra as alegações, ela foi condenada por heresia e bruxaria, sendo morta na fogueira.
4. Maria da Conceição – A Curandeira do Convento de São Bento
Muito antes da medicina moderna, eram as mulheres que viviam com liberdade e à margem da sociedade, que detinham a sabedoria da cura pelas plantas. Em 1798, a paulista Maria da Conceição usava seus conhecimentos em ervas medicinais e chás para tratar doentes da região, algo que nunca agradou à Igreja Católica. Tanto que sua prática popular irritou o pároco local, o Padre Luís, que era abertamente contra o trabalho da curandeira. Acusada de feitiçaria e heresia, Maria foi queimada viva em uma fogueira pública perto do Largo de São Bento, em São Paulo.
5. Isabel Pedrosa de Alvarenga
Condenada pelo Santo Ofício em 1750, Isabel Pedrosa de Alvarenga era uma mulher miserável que vivia nas ruas de São Paulo pedindo esmolas. Ela foi denunciada por um agente da Inquisição sob a acusação de carregar uma bolsa com artigos macabros para rituais mágicos: umbigos de crianças, panos sujos de sangue, bicos de aves e tufos de cabelo humano. O último registro oficial que se tem de Isabel é de que ela foi levada para Portugal, sem informar sua sentença final.
6. Thereza Leyte e Escholástica Pinta da Silva – As Bruxas de Jundiaí
Mãe e filha foram rés em um célebre processo-crime instaurado pela Justiça Eclesiástica na cidade de Jundiaí (SP), em 1754. Ambas foram levadas ao tribunal inquisitório sob a grave acusação de terem feito um pacto com o demônio e usado feitiçarias para matar o primeiro marido de Escholástica, Manoel Garcia. Ambas foram inocentadas por falta de provas. De acordo com a pesquisadora Narayan Porto, as acusações vieram de parte da família de Manoel e foram motivadas pela disputa da herança do falecido.
7. Fabiana Maria de Jesus
Mostrando que o estigma da “caça às bruxas” ainda produz tragédias no presente, o trágico caso de Fabiana ocorreu em 2014, no Guarujá (SP). Uma fake news veiculada no Facebook a acusava de sequestrar crianças para supostamente usá-las em rituais ocultistas. A publicação, que incluía um falso retrato falado da dona de casa, gerou uma histeria coletiva que culminou no linchamento público de Fabiana por cerca de 100 pessoas, que a levou à morte. Ao todo, 5 pessoas foram condenadas pelo crime.
E então, já conhecia alguma dessas bruxas brasileiras? Deixe um comentário.
Imagem Destacada: Reprodução/Gerada por IA


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