Elizabeth Báthory é considerada uma das maiores serial killers da história, mas há controvérsias
Se você assistiu a série da Netflix “Monstro: A História de Lizzie Borden”, com certeza ficou intrigado com a história de Elizabeth Báthory, também conhecida como a Condessa de Sangue. A musa de Lizzie e Maggie na ficção foi uma personagem real, que entrou para a história como uma das supostas assassinas em série mais cruéis de todos os tempos, acusada de torturar e tirar a vida de centenas de jovens. No entanto, sua trajetória é marcada por controvérsias impulsionadas por disputas de poder, preconceitos e conspirações políticas do século XVII.
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As Origens Aristocráticas e a Juventude da Condessa
Elizabeth Báthory nasceu em 7 de agosto de 1560 em Nyírbátor, no Reino da Hungria, pertencendo a uma das famílias aristocráticas mais ricas e influentes da Europa Oriental. Desde a infância, viveu em um ambiente marcado por conflitos violentos, como guerras e disputas religiosas. Aos 15 anos, Elizabeth casou-se com o conde Ferenc Nádasdy em uma cerimônia grandiosa. Por pertencer a uma linhagem nobre mais elevada que a do noivo, foi Ferenc quem adotou o sobrenome Báthory.

Enquanto o marido comandava tropas húngaras na guerra contra os otomanos, Elizabeth ficava encarregada de administrar os vastos castelos e propriedades da família, como o famoso Castelo de Čachtice (localizado na atual Eslováquia). Altamente educada para o seu tempo, a condessa falava húngaro, latim e grego. Porém, no cotidiano do castelo, começaram a surgir os primeiros relatos de sua severidade e punições cruéis a servos e empregados.
As Acusações de Sadismo e os Crimes no Castelo
Com a morte de seu marido em 1604, o comportamento de Elizabeth teria se intensificado. Sem o controle do conde, a condessa teria passado de punições severas a sessões elaboradas de tortura contra jovens servas camponesas e, mais tarde, contra garotas da baixa nobreza enviadas ao castelo para supostamente receber educação refinada.
Entre os métodos de tortura relatados por testemunhas, constavam o uso de alfinetes espetados sob as unhas e mamilos, espancamentos com chicotes farpados e a prática de arrastar garotas nuas pela neve, despejando água gelada até que congelassem. Para cometer esses atos, a condessa tinha cúmplices fiéis, e figuras associadas ao ocultismo, como Anna Darvulia e Erzsi Majorova.

Em 1610, após fortes pressões da nobreza devido ao desaparecimento de muitas jovens, o rei Matias II da Hungria autorizou uma investigação oficial. A condessa foi presa no Castelo de Čachtice, e seus cúmplices foram levados a julgamento, confessando sob tortura antes de serem executados ou mutilados. Durante as investigações, um suposto diário foi citado, contendo os nomes de até 650 vítimas escritas do próprio punho de Báthory. Para evitar um escândalo que manchasse o nome da poderosa família, a condessa não foi executada, mas condenada ao confinamento solitário em seu próprio castelo, até sua morte em 1614.
Banho de Sangue ou Conspiração Política?
Entre os vários atos associados a Elizabeth Báthory, o mais emblemático é o hábito de se banhar no sangue de jovens virgens para se manter jovem por mais tempo. Um skincare macabro, trazendo para os dias de hoje. Segundo a lenda, após agredir uma serva e notar que o sangue espirrado em sua mão melhorou o aspecto da pele, ela teria passado a usar gaiolas com lâminas para coletar o sangue de suas vítimas.

Entretanto, historiadores modernos destacam que essa história do banho de sangue não consta em nenhum depoimento ou documento do julgamento original. O mito só surgiu mais de um século após a morte de Elizabeth, quando o padre jesuíta László Turóczi publicou um livro em 1720 sobre a história da Hungria, um período onde o vampirismo estava em alta na Europa Oriental.
Muitos pesquisadores atuais defendem a hipótese de que Báthory foi, na verdade, vítima de uma grande conspiração política. Elizabeth era a mulher mais rica da Hungria, dona de terras estratégicas e viúva de um grande herói de guerra. O próprio rei Matias II tinha uma dívida astronômica com a família Báthory, e a condessa era uma nobre protestante influente em meio a um reino católico controlado pela família Habsburgo. Ao prendê-la, os nobres e a coroa evitaram o pagamento das dívidas, dividiram suas terras e neutralizaram uma mulher poderosa e independente que se recusava a casar novamente.
Elizabeth Báthory na Cultura Pop

Independentemente da proporção real de seus atos, a imagem da Condessa de Sangue tornou-se uma das maiores fontes de inspiração para a literatura, audiovisual e música:
- Literatura Gótica e Vampirismo: Báthory inspirou diretamente o clássico “Carmilla” (1872), de Sheridan Le Fanu, considerado um dos primeiros romances de vampiras. Romances modernos como “Anno Dracula“, de Kim Newman, e “The Blood Countess“, de Andrei Codrescu. No Brasil, é destaque “Nobreza de Sangue: Vlad e Báthory” de Mário Coutinho.
- Séries de TV e Cinema: Na televisão, Báthory foi homenageada na quinta temporada de “American Horror Story: Hotel“, servindo como inspiração para a personagem interpretada por Lady Gaga, além de inspirar uma cena de banho de sangue na temporada “Freak Show“. No cinema, o filme “A Condessa” de 2009, protagonizado por Julie Delpy, prioriza a história real por trás do mito. Na TV brasileira, a vilã Marta Morta, na novela “O Beijo do Vampiro“, é uma reencarnação da condessa.
- Monster: The Lizzie Borden Story: como dissemos no início deste texto, a série da Netflix resgatou a figura de Báthory ao mostrar a empregada Bridget/Maggie (Vicky Krieps) apresentando o livro sobre a condessa a Lizzie Borden (Ella Beatty). A lenda vira um fio condutor para a trajetória de violência e a busca por emancipação através dela.
- Na música: Elizabeth Báthory é tema de várias músicas de bandas de metal como Tormentor, Dissection, Venom e Ghost. Além disso, ela dá nome à banda de black metal sueca Báthory.
Elizabeth Báthory permanece como uma das figuras mais intrigantes da história ocidental. Seja vista como uma sádica cruel ou como uma mulher aristocrática destruída pela ganância de rivais políticos, sua lenda atravessa os séculos e continua inspirando a cultura pop.
Imagem Destacada: Reprodução/Gerada por IA


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