Filme baseado no livro de Anna Jane aborda bullying, conflitos familiares e constrói uma relação convincente entre seus protagonistas
O novo filme “Coração Partido“, baseado no livro de Anna Jane, estreia no dia 20 de agosto de 2026 e apresenta uma sinopse relativamente simples. Uma nova aluna do ensino médio, recém-mudada para a cidade, chega à escola e começa a sofrer bullying de outras estudantes. No meio de toda essa situação, um garoto conhecido como o valentão da escola faz um acordo com ela para protegê-la.
Certo, será que isso sustenta um filme de 2 horas e 14 minutos?
A produção é bem direta ao ponto. Estamos falando de um romance adolescente que também utiliza a história para abordar bullying, problemas familiares e a dificuldade que muitos jovens enfrentam para conseguir apoio quando alguma coisa começa a dar errado na escola ou dentro de casa.
E nesse ponto o filme consegue acertar.
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O bullying é tratado de forma direta
A direção de Michael Vaynberg consegue trabalhar muito bem a questão do bullying dentro do ambiente escolar. O longa mostra como algumas pessoas passam por esse tipo de situação durante muito tempo sem encontrar apoio nos pais, nos professores ou até mesmo na própria direção da escola.
Existe aquela velha ideia de que é apenas uma brincadeira, que os jovens vão resolver entre eles ou que aquilo nem está realmente acontecendo. Só que quem está passando pela situação sente completamente diferente.
“Coração Partido” trabalha isso desde o início e vai aumentando o peso dessa abordagem conforme a história avança.
Algumas cenas são bastante diretas e não tentam amenizar tanto aquilo que está acontecendo. Por isso, fica também o aviso para pessoas mais sensíveis a esse tipo de tema. O filme aborda algumas dessas situações de maneira muito real e leva determinados conflitos para um nível que pode causar desconforto em quem já passou por experiências parecidas.
E isso acaba funcionando dentro da proposta.
O filme quer que o público entenda a situação de Polina e perceba o motivo pelo qual ela começa a se sentir cada vez mais isolada.

Veronika Zhuravleva consegue convencer como Polina
Veronika Zhuravleva interpreta Polina, a adolescente que sofre bullying e também enfrenta diversos problemas familiares.
A atuação dela é bastante convincente para representar uma personagem jovem que está tentando lidar com várias coisas ao mesmo tempo. Não existe apenas o problema dentro da escola. Quando ela volta para casa, também não encontra necessariamente um ambiente onde tudo está bem.
Isso ajuda muito na construção da personagem.
Veronika consegue realmente convencer nas situações de fragilidade e faz com que o público tenha pena do que está acontecendo com Polina, ao mesmo tempo em que cria uma raiva natural daqueles que estão fazendo tudo aquilo contra ela.
A atriz consegue dar uma boa presença para a personagem e sustenta muito bem a parte emocional da produção.
É importante porque grande parte do filme depende justamente do público se importar com o que acontece com Polina. Se essa conexão não funcionasse, provavelmente toda a história perderia muita força.
E nesse ponto, funciona.
Bars também carrega seus próprios problemas
Saindo um pouco da situação de bullying, temos Daniel Vegas interpretando Bars, o garoto problemático que também é piloto de moto, participa de rachas e é conhecido por ser muito bom nas corridas.
Além disso, ele possui aquela fama clássica do valentão da escola.
É o garoto que praticamente todo mundo conhece e que muitos preferem evitar.
Só que ele acaba sendo justamente a pessoa que vai ajudar Polina.
A atuação de Daniel Vegas como esse garoto metido, explosivo e com fama de problemático entrega aquilo que se espera do personagem, mas ainda existe um pouco mais por trás disso.
Bars também possui uma história familiar complicada. O personagem sofreu bastante por causa do pai e cresceu praticamente sem nenhum apoio dentro de casa. Parte dessa realidade ajuda a explicar por que ele se tornou alguém tão fechado e sempre envolvido em problemas.
O filme trabalha esse passado para mostrar que aquela personalidade não surgiu simplesmente do nada.
Daniel consegue trazer parte dessa dor para o personagem e entrega uma atuação que convence dentro da proposta. Não é uma daquelas performances que vão ficar marcadas como algo extraordinário, mas é bem realizada e funciona com aquilo que o roteiro pede.
Principalmente quando o filme começa a mostrar que Bars não é apenas o garoto valentão que apareceu nos primeiros minutos.

A relação entre os dois sustenta boa parte do filme
A dinâmica entre Polina e Bars é justamente o ponto central de “Coração Partido“.
O acordo inicial para que ele proteja a garota começa de uma forma relativamente simples, mas acaba criando espaço para o filme desenvolver os dois personagens ao mesmo tempo.
Eles possuem problemas diferentes, mas compartilham uma realidade em que ambos estão tentando lidar praticamente sozinhos com situações difíceis.
É justamente daí que o romance começa a ganhar espaço.
E mesmo sendo uma estrutura que já apareceu diversas vezes em filmes e séries adolescentes, o longa consegue fazer isso funcionar sem parecer completamente forçado.
Existe uma evolução natural na relação dos personagens, principalmente porque o roteiro dedica tempo para mostrar os dois fora da parte romântica.
Isso ajuda muito.
Você entende quem é Polina antes de existir um romance. Da mesma forma, entende parte dos problemas de Bars antes de enxergá-lo apenas como o interesse amoroso da protagonista.
A ambientação ajuda bastante o filme
A produção também possui uma excelente ambientação.
Os cenários escolares funcionam bem para colocar o público dentro daquele universo adolescente, enquanto as cenas envolvendo motos e rachas dão uma outra identidade para a história de Bars.
A filmagem também possui alguns momentos interessantes, com enquadramentos e takes que conseguem aproximar o espectador da situação apresentada.
Não existe uma tentativa exagerada de transformar visualmente o filme em algo muito diferente. A direção utiliza os espaços de forma eficiente e cria uma ambientação que combina com aquilo que a narrativa está contando.
A sonorização também ajuda bastante.
Mesmo com muitas músicas em russo, considerando o país onde o filme foi produzido, elas combinam com os momentos apresentados e ajudam na construção da atmosfera.
O longa consegue utilizar muito bem essa parte para separar momentos mais tensos, cenas românticas e situações envolvendo as corridas.

As mais de duas horas não deixam o filme cansativo
Uma preocupação natural ao ver a duração de “Coração Partido” é imaginar se uma história com essa premissa realmente precisava de 2 horas e 14 minutos.
E surpreendentemente, o filme não fica cansativo.
O roteiro consegue distribuir bem os conflitos e criar acontecimentos suficientes para manter o interesse durante boa parte da produção. Existe o desenvolvimento do bullying, os problemas familiares de Polina, a história de Bars, as corridas e, claro, o romance entre os protagonistas.
Tudo isso ajuda a evitar aquela sensação de que a história está sendo esticada apenas para aumentar a duração.
Para quem já gosta do gênero, provavelmente será muito fácil entrar na proposta. Mas até quem não acompanha tantos romances adolescentes pode acabar encontrando entretenimento, principalmente porque o filme não depende exclusivamente do relacionamento dos personagens.
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O maior problema pode estar fora do próprio filme
Se existe um grande problema envolvendo “Coração Partido“, talvez ele nem esteja necessariamente dentro da produção.
Está na data escolhida para seu lançamento.
O longa chega aos cinemas em 20 de agosto de 2026, em um período bastante complicado para tentar conquistar espaço. O mesmo mês conta com filmes muito maiores em circulação e produções com campanhas extremamente fortes, como “Homem-Aranha: Um Novo Dia“, “A Odisseia” e também “O Fim da Rua“.
É uma concorrência pesada.
Por mais que “Coração Partido” consiga entregar uma história interessante para seu público, dificilmente terá a mesma capacidade de chamar atenção nas salas diante de produções desse tamanho.
Isso pode fazer com que muita gente sequer descubra o filme durante sua passagem pelos cinemas.
E seria uma pena, porque ele consegue entregar aquilo que promete.

Talvez seja justamente no streaming que a produção encontre seu público maior. É o tipo de filme que pode aparecer na plataforma, chamar atenção pela sinopse e acabar conquistando espectadores que não estavam dispostos a escolher aquele título entre tantas opções nos cinemas.
No geral, “Coração Partido” é uma produção que funciona muito bem para quem procura um romance adolescente com temas um pouco mais pesados. A história aborda bullying de maneira direta, trabalha os conflitos familiares dos protagonistas e ainda consegue construir uma relação convincente entre Polina e Bars.
Não é um filme que reinventa esse tipo de história, mas também não precisa fazer isso para funcionar.
Ele entrega boas atuações, possui uma ambientação interessante, consegue prender durante suas mais de duas horas e ainda trata alguns assuntos importantes sem simplesmente jogá-los no roteiro.
Talvez o maior desafio de “Coração Partido” não seja conquistar quem assistir.
Vai ser fazer com que o público escolha entrar na sala para descobrir o filme.
Imagem Destacada: Divulgação/Paris Filmes


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