Filme de David Mackenzie parte de uma bomba da Segunda Guerra Mundial encontrada em Londres para construir um grande assalto, mas perde clareza ao acumular personagens e reviravoltas
Disponível no Prime Video, “Golpe Explosivo” encontra em uma situação bastante incomum o ponto de partida para seu assalto. Uma bomba da Segunda Guerra Mundial é descoberta em uma obra no centro de Londres, obrigando as autoridades a esvaziar a região. Enquanto policiais e militares trabalham para evitar uma tragédia, um grupo percebe que ter parte da cidade evacuada pode ser a oportunidade perfeita para colocar um grande roubo em prática.
Dirigido por David Mackenzie, de “A Qualquer Custo”, e escrito por Ben Hopkins, o longa tem 1h36 de duração e não demora muito para colocar tudo em movimento. Essa agilidade ajuda bastante e faz com que os 96 minutos passem rápido. Ao mesmo tempo, vira um problema quando o roteiro começa a acumular personagens, planos, revelações e operações acontecendo ao mesmo tempo. É um filme que exige atenção constante e que, em alguns momentos, poderia simplesmente explicar melhor o que está acontecendo.
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Uma bomba no meio de Londres abre caminho para o assalto
A história começa quando trabalhadores encontram uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial em uma obra. A descoberta mobiliza as autoridades, provoca uma grande evacuação e coloca o major Will Tranter, especialista em explosivos interpretado por Aaron Taylor-Johnson, diante da responsabilidade de avaliar e desarmar o artefato.
Enquanto toda a atenção está concentrada na bomba, um grupo de criminosos aproveita a área evacuada para executar seu plano. Entre eles está Karalis, vivido por Theo James, além de X, personagem de Sam Worthington. Do outro lado está Zuzana Greenfield, interpretada por Gugu Mbatha-Raw, acompanhando a operação policial em meio ao caos provocado pela descoberta.
A partir desse momento, “Golpe Explosivo” divide sua atenção entre o trabalho para desarmar a bomba, o assalto e a movimentação da polícia. Essa troca constante de núcleos dá velocidade ao longa, principalmente porque existe sempre alguma coisa acontecendo. O problema aparece quando tantas informações começam a disputar espaço dentro de uma história relativamente curta.

Aaron Taylor-Johnson e Theo James se destacam
Aaron Taylor-Johnson funciona muito bem como Will Tranter. O ator transmite a segurança necessária para convencer como alguém acostumado a trabalhar com explosivos e situações em que qualquer decisão errada pode custar várias vidas. Mesmo quando o roteiro não aprofunda tanto o personagem, sua atuação ajuda a vender aquela experiência profissional.
Theo James também se destaca como Karalis e traz presença para o núcleo responsável pelo assalto. Sam Worthington e Gugu Mbatha-Raw completam um elenco que, no geral, funciona bem. O problema não está nas atuações, mas no pouco tempo que o filme reserva para desenvolver algumas dessas pessoas.
Como “Golpe Explosivo” está sempre correndo para o próximo acontecimento, determinadas relações e motivações acabam recebendo menos atenção do que deveriam. Algumas informações ganham explicações posteriormente, enquanto outras passam rápido e podem deixar aquela sensação de que alguma coisa ficou para trás.

A ação funciona melhor quando o filme desacelera
Curiosamente, alguns dos momentos de maior tensão aparecem justamente quando “Golpe Explosivo” diminui a velocidade. As sequências envolvendo o desarmamento da bomba funcionam porque existe tempo para observar cada movimento e entender o tamanho do risco. Aaron Taylor-Johnson ajuda bastante nesses momentos, já que o comportamento de Will passa a impressão de alguém que sabe exatamente o que está fazendo.
Quando a ação toma conta, o resultado também é competente. Tiros, confrontos e sequências de maior impacto possuem boa execução, e o longa consegue manter a sensação de perigo durante boa parte da história. Ainda assim, nem sempre essa tensão chega ao ponto de realmente causar agonia em quem está assistindo.
A fotografia de Giles Nuttgens aproveita bem Londres em estado de emergência. Ruas vazias, regiões isoladas e espaços fechados ajudam a criar um cenário interessante para o assalto, enquanto a trilha de Tony Doogan acompanha os momentos de maior perigo sem exagerar na tentativa de criar suspense.
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Muita coisa acontecendo em apenas 96 minutos
O principal problema de “Golpe Explosivo” aparece quando o roteiro tenta encaixar informação demais dentro de 1h36. Existem vários personagens envolvidos, interesses diferentes, mudanças no plano e revelações guardadas para determinados momentos. Como tudo acontece rapidamente, algumas dessas ideias não recebem o tempo necessário para ganhar peso.
Isso não transforma o longa em uma experiência cansativa. Pelo contrário: o ritmo acelerado faz com que seja muito fácil chegar ao final. A questão é que velocidade e clareza nem sempre caminham juntas por aqui. Em alguns trechos, é preciso prestar atenção redobrada para entender quem está fazendo o quê e qual é exatamente o papel de determinadas pessoas naquele plano.
“Golpe Explosivo” acaba funcionando melhor como um bom filme de ação para assistir no Prime Video. A ideia de utilizar uma bomba da Segunda Guerra Mundial e uma grande evacuação como cobertura para um assalto é interessante, as atuações funcionam e existem boas sequências de tensão durante os 96 minutos.
Faltou apenas organizar melhor tudo aquilo que o roteiro queria contar. Com menos informações disputando espaço e um pouco mais de tempo para desenvolver seus personagens, a premissa poderia render muito mais. Do jeito que está, diverte enquanto dura, entrega ação em bom ritmo e cumpre sua função, mas dificilmente será daqueles filmes que continuam na cabeça depois que os créditos começam.
Imagem Destacada: Divulgação/Anton, Sigma Films e Sky Original Films



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