Crítica (2): John Wick – Um Novo Dia Para Matar

Já havia sido dito aqui uma outra vez, mas só pra confirmar: os filmes de John Wick não tem nada de original. Você não vai ver algo inovador na tela. Porém, é consistente que a primeira produção é uma ótima opção de filme. O segundo, “John Wick – Um Novo Dia Para Matar”, estreou no  dia 16 de fevereiro com uma surpreendente nota para um filme de ação (no Rotten Tomato, que faz uma média entre as notas dos veículos internacionais ele está com mais de 90% de aprovação, apenas 3% abaixo de filmes como La La Land que concorrem ao Oscar!).

Agora que o rumor de que John Wick saiu da aposentadoria se espalhou e foi confirmado, um antigo contato de trabalho vem cobrar uma dívida que tem com ele, mas tudo que o assassino quer é voltar pra aposentadoria e se nega a fazer um novo trabalho.

O problema, claro, é que a pessoa em questão não vai aceitar essa negativa, uma vez que a promessa de John deve ser cumprida porque ele deu sua palavra e isso no mundo do crime vale muita coisa. Só que Wick não é bom em ser obrigado a fazer o que não quer e também não liga muito para regras que precisa quebrar.

A premissa não parece nada promissora, mas funciona e funciona muitíssimo bem. Se no primeiro filme Wick tem um receio de dizer que voltou, no segundo ele volta de corpo inteiro. Se no primeiro filme ele é apenas uma lenda sem comprovação, no segundo ele mostra realmente quem é e porque é o melhor.

O roteiro, por incrível que pareça, não tem quebras. Ele não é maior do que dizem, ele não se acredita demais, ele não faz chacota de si mesmo. É um roteiro tangível que não usa de artifícios e cenas bobinhas. É um filme que usa dos melhores recursos da ação antiga, uma história que de nova não tem nada, mas faz um serviço excelente e agrada por usar todos os seus mecanismos com qualidade. Os vilões dessa vez não são tão carismáticos quanto os do primeiro filme, o que faz com que ele perca um pouco o charme, mas o fato da história expandir seus contornos deu a produção mais oxigênio. O capítulo dois não é uma cópia do primeiro, como acontece muitas vezes no cinema, mas sim uma continuação, um efeito de ação e reação.

Vários outros atores interpretaram vários personagens genéricos a John Wick, mas nenhum conseguiu o que Keanu Reeves conseguiu. Ele até faz piadinhas sutis em alguns momentos, mas o ator usa toda sua atuação minimalista (vou chamar assim) pra construir um personagem duro, que não fala muito, mas mesmo assim passa coisas só com olhar. Sem dúvida, uma das grandes vantagens do filme é ter o ator que passa muita credibilidade em suas cenas de luta e tem uma química muito boa com os cachorrinhos que tem de salvar (uma dos pontos que mais gostei em “Wick 1” é que ele não deixa barato a morte de ninguém, muito menos de seu amigo cão). Outra boa escolha foi deixar crescer o personagem do ator Ian McShane, que faz o proprietário do hotel Continental e a única pessoa que tem algum tipo de relação mais próxima com Wick. McShane já tinha feito um bom trabalho no primeiro e o repete no segundo.

As caracterizações seguem a cartilha de filmes de ação do tipo: muita gente tatuada, penteados glamorosos, gente fortona contrastando com gente que você não diria que é perigosa. A fotografia desse filme está mais marcada e corajosa, arriscando-se mais. As cenas gravadas na Itália utilizam com excelência a arquitetura antiga do lugar.

A direção, dessa vez, ficou apenas com o diretor Chad Stahelski, que já havia trabalhado no primeiro junto a David Leitch. Stahelski faz um trabalho muito bom nesse, com ótimo ritmo e sem deixar o assombramento do primeiro atrapalhar esse segundo.

John Wick – Um Novo Dia Para Matar está nos cinemas de todo Brasil.


PS: Quem fez essa besteira com o nome desses filmes deveria pensar duas vezes antes de estragar um bom título. O primeiro John Wick no Brasil chama De Volta Ao Jogo.

Crítica (2): John Wick - Um Novo Dia Para Matar
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