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Crítica (2): O Filho Eterno

Avatar de Júlia Cruz
Júlia Cruz
21 de novembro de 2016 3 Mins Read

20º - O Filho Eterno - Nota 5.0

A síndrome de down é um distúrbio genético causado pela trissomia do cromossomo 21. Geralmente a maior parte da população possui 46 cromossomos, enquanto algumas pessoas que nascem com a síndrome de down possuem 47. Mesmo com certas dificuldades causadas pela trissomia, já que a mesma compromete as capacidades mentais e intelectuais, os portadores são pessoas normais, que merecem respeito, amor, cuidado, e carecem de um pouquinho mais de atenção e paciência da sociedade.

É através desse argumento que o filme “O Filho Eterno”, baseado no livro de Cristóvão Tezza, conta a história de um casal que acaba de ter um filho com a síndrome. – Roberto é um pai frustrado e ausente que vive se culpando por ter tido um filho “doente”, enquanto sua esposa abraça a criança com todo amor do mundo. Por inúmeras vezes o personagem renega a existência do menino, como se estivesse preso a ele, não sabendo impor sua autoridade paterna e muito menos consegue demonstrar sentimentos pela criança, que não seja vergonha e desprezo.

O Papel do pai é um presente, o personagem é carregado de medos e inseguranças e teria tudo para conquistar o espectador se não fosse interpretado por Marcos Veras. O ator, que também narra o filme, não consegue se entregar totalmente na carga dramática proposta pela trama. Alguns diálogos parecem ser ditos em um tom humorístico ou com um leve deboche, que chega a ser caricato, descaracterizando bastante a profundidade da história.

Cláudia, a mãe, é o oposto de Roberto. Interpretada por Débora Falabella, a personagem é cuidadosa, entende que passará por algumas dificuldades, mas mantém o argumento principal: a criança não escolheu nascer daquele jeito. Por isso, mesmo conciliando seu emprego de jornalista com os cuidados especiais do filho, vende a imagem social normal de uma mãe, a que protege e cuida do seu filho, independente de como ele seja. É justamente por ser uma personagem tão normal que Débora se apaga e parece não se desenvolver sua construção ao longo da história, criando um trabalho superior ao de Veras, mas ao mesmo tempo insosso.O Filho EternoQuem faz o filho do casal é Pedro Vinícius, que, com uma atuação simples e um jeito cativante, conduz a narrativa do filme e aproxima o público da rotina de uma criança com síndrome de down.

Dirigido por Paulo Machline, a produção apresenta cenas simples e contínuas, de forma que se o espectador se distrair ele não perde nenhum detalhe. O roteiro, por Leonardo Levis, acaba sendo repetitivo e tanto quanto maçante na primeira metade. Levis nos entrega diálogos claros, curtos e sem nenhuma emoção verdadeira, caindo muitas vezes no melodrama barato.

O mais fidedigno da produção são os cenários, dos anos 80 e 90, a transição da máquina de escrever para o computador, de casas para apartamentos, os móveis e objetos repletos de detalhes da época. Nesse ponto, tudo se encontra no lugar. O figurino e maquiagem também tem seus méritos, por optarem por cores e estilos que marcaram a época, bem como tiveram a destreza de escolherem roupas desgastadas no ponto certo, criando uma verossimilhança perfeita com classe econômica da família.

Apesar de uma seleção de elenco fraca e de alguns erros de roteiro, o filme possui o mérito de fazer o público se emocionar, ao mostrar o quão frágil é a vida. E, com isso, ensina uma grande lição: a de valorizar aqueles que estão ao nosso lado, independente de sexo, cor, religião ou classe social. Nos faz refletir que, independente da época, ainda vivemos em uma sociedade carregada de preconceitos e exclusão daqueles que muitos consideram diferente. Uma verdade que já passou da hora de mudar.

“O Filho Eterno” chega aos cinemas no dia 01 de dezembro.

Reader Rating4 Votes
5.1
7

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Júlia Cruz

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

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