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Crítica

Crítica (2): O Último Amor de Casanova

Giacomo Casanova é uma daquelas figuras históricas que, mesmo sem saber exatamente quem foi ou o que fez de relevante para a sociedade, todo mundo já ouviu falar. A sua reputação como conquistador de mulheres – uma espécie de Don Juan que efetivamente existiu – é tão forte que, atualmente, seu nome é sinônimo de mulherengo. Não à toa, graças à marca indelével que deixou na cultura popular ocidental, Casanova já foi representado inúmeras vezes no cinema, em obras que vão desde filmes de grandes autores, como “Casanova” de Federico Fellini e “História da Minha Morte” de Albert Serra, até produtos escapistas inofensivos, como a comédia romântica dirigida por Lasse Hallström em 2005. A mais recente iteração do garanhão chega agora aos cinemas na forma de “O Último Amor de Casanova”.

Dirigido pelo francês Benoît Jacquot, o filme remete a obras anteriores suas, como “Adeus, Minha Rainha” e “O Diário de uma Camareira”, no sentido de dar a impressão de ser nada mais do que um tapa-buraco na programação de cinemas do “circuito alternativo”, ao invés de ser um longa com qualquer tipo de ambição artística. À essa altura, a fórmula já é óbvia: alguns atores famosos, uma matéria-prima ou personalidade conhecida, quesitos técnicos aceitáveis e momentos com câmera na mão para não ser tão “quadrado”. O problema é que, se em “Adeus, Minha Rainha” essa estratégia ainda surtia algum efeito (graças à ótima performance de Diane Kruger como Maria Antonieta), em “O Último Amor de Casanova” ela parece completamente esgotada.

Utilizando uma estrutura baseada em longos flashbacks, com o personagem-título (Vincent Lindon) já velho, vivendo como bibliotecário em um castelo na Boêmia, contando a uma aprendiz o seu caso amoroso com Marianne de Charpillon (Stacy Martin), uma cortesã que conheceu durante sua estadia em Londres, “O Último Amor de Casanova” é um filme que não atinge nenhum de seus objetivos. Por um lado, a questão do “macho alfa” envelhecido e recluso, vivendo em função de escrever suas memórias como forma de esquecer o seu presente decadente, nunca é bem explorado. Todo o trecho na Boêmia acaba servindo apenas para emoldurar os flahsbacks, uma vez que Jacquot e os co-roteiristas Jérôme Beaujour e Chantal Thomas demonstram pouco interesse em analisar essa faceta de seu protagonista. Por outro lado, o grosso da trama, envolvendo o romance entre Casanova e Marianne, aposta numa aura de erotismo que nunca se concretiza, frustrando completamente as intenções dos realizadores.

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Isso se deve, principalmente, a três motivos. O primeiro são os diálogos simplórios e o desenvolvimento previsível e entediante da narrativa. O segundo é a completa ausência de química entre Lindon e Martin. Ambos já provaram ser ótimos atores em outros longas, porém em “O Último Amor de Casanova” eles nunca convencem como amantes, além de parecerem estar deveras desinteressados em entregar um desempenho minimamente intrigante e memorável. Por fim, o terceiro motivo são as escolhas estéticas anônimas e convencionais feitas por Benoît Jacquot. Verdade seja dita, tecnicamente, o longa não é notável, mas é bem-feito. Entretanto, esse approach tarefeiro à estética, aliado ao roteiro fraco e às atuações esquecíveis, apenas exacerba a atmosfera medíocre que toma o filme de assalto. Em suma, “O Último Amor de Casanova” parece que foi feito com toda a equipe esperando ansiosamente o momento de bater o ponto e ir para casa.

Apesar de um ou outro detalhe interessante espalhado ao longo de seus 98 minutos de duração (a banda de cegos no bacanal é um ponto alto), o novo longa de Jacquot é um daqueles projetos fadados ao esquecimento assim que saírem de cartaz. Esteticamente, nada chama a atenção, e como discurso, parece um tanto descompassado em relação aos tempos atuais.

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Imagens e vídeo: Divulgação/California Filmes

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Passava tardes de final de semana na locadora. Estudou Cinema. Agora escreve sobre filmes.

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