Crítica (2): xXx – Reativado

Ação feat. Nonsense

Doze anos depois do lançamento do segundo filme da franquia xXx, “Triplo X” no Brasil, um novo longa chegou aos cinemas trazendo o ator Vin Diesel, que participou apenas do primeiro longa. Para esse retorno, a produção ganhou o subtítulo de “Return of Xander Cage” (O Retorno de Xander Cage, em tradução literal), mas que aqui se chamou “Reativado”.

Para quem se lembra dos filmes anteriores, lançados em 2002 e 2005, a história consistia em escolher um “fora da lei” que fosse ousado para que pudesse se infiltrar numa organização criminosa e acabar com ela. Agora, não é diferente. Depois de ser declarado como morto, o governo descobre que Xander Cage (Vin Diesel) está vivo e resolve contactá-lo para que possam recuperar um mecanismo chamado “Caixa de Pandora”, capaz destruir todos os satélites ao redor da Terra, assim como ter acesso a informações sigilosas dos governos mundiais. Porém, como um bom rebelde, ele se recusa a voltar à ativa até saber da morte do agente Augustus Gibbons (Samuel L. Jackson).

Com a operação sendo realizada sob a autorização da agente Jane Marke (Toni Collette), Cage se recusa a seguir as ordens e monta sua própria equipe para recuperar a arma. Com a ajuda de Tennyson Torch (Rory McCann), Adele Wolff (Ruby Rose),  Nicks (Kris Wu) e a especialista em tecnologia e armas Becky (Nina Dobrev), ele parte para a ação enfrentando diversos problemas e, posteriormente, descobrindo que o problema é muito maior do que esperava.

O roteiro, que praticamente não existe, podemos dizer assim, foi realizado por F. Scott Frazier, baseado nos personagens criados por Rich Wikes. Ele consiste basicamente em repetir a mesma premissa dos outros filmes, sem se preocupar na existência de necessidades dramáticas para um bom desenvolvimento narrativo. Numa espécie de “Cage é o cara, o pegador” e “vamos explodir tudo o que pudermos” é difícil dizer se nos entristece ou se nos faz querer ver para passar o tempo, quando realmente não temos mais nada pra fazer da vida.A direção de D. J. Caruso conseguiu captar bem os momentos mais emocionantes para liberar a adrenalina no público, mas não passa disso. Existe uma preocupação maior em fazer do que ser, em entregar do que de fato criar. Embora utilize a tecnologia a seu favor, já assistimos inúmeros exemplares iguais e tão bons quanto esse, mesmo sem tantos efeitos especiais e visuais. Talvez, o lado bom de seu trabalho foi não deixar que o filme esfrie mesmo em momentos que tenta, supostamente, dramatizar alguns dos acontecimentos.

Em se tratando das atuações, com exceção de Samuel L. Jackson, em sua pequena participação como Gibbons, o resto vai do regular ao deplorável. Nina Dobrev, que aparece se destacando acaba caindo numa caricatura nada interessante, enquanto Toni Collette consegue ter a pior atuação de sua carreira, na qual parece que a todo momento ela não queria estar ali e seu “bico de pato” se torna recorrente. Donnie Yen, vivendo o Xiang, segue o clima regular e tem as melhores sequências de luta. Já a indiana Deepika Padukone, como Serena Unger, traz uma atuação marcada demais e sua beleza não é suficiente para segurar suas entonações interpretativas. E se alguém esperava alguma coisa do Vin Diesel morreu na praia, porque seu Cage não tem a mesma força que no filme de 2002, mesmo que na época sua interpretação já não fosse das melhores.

Erros e problemas na produção não faltam. Os efeitos especiais (os que são feitos através de mecânicas) conseguem se desenvolver bem se comparados aos efeitos visuais (feitos em computação gráfica), que oscilam de regulares a lamentáveis e extremamente falsos. A caracterização peca feio diminuindo a tatuagem do xXx no protagonista e em algumas cenas de ação feitas por Vin Diesel e/ou seu dublê. Ela simplesmente some da nuca do personagem. São tantos erros que é preferível parar por aqui.

Se você está por dentro das últimas notícias já sabe que a franquia “Velozes e Furiosos” está chegando ao fim e, por ‘coincidência’, xXx já tem sequências confirmadas. O lado bom do filme vai para as poucas piadas e pontos de humor, embora a ação seja algo que não faltou na produção, ambos não fazem de “Reativado” um retorno digno, mesmo tendo quem goste do estilo.

Crítica (2): xXx - Reativado
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