Crítica: 22 de Julho

O diretor Paul Greengrass, tem a sua maneira de filmar, sempre com estilo de documentário, com a câmera na mão, criando uma tensão em cada plano, com cenas tremidas que fazem o expectador entrar no filme e fazer parte dele. Ele fez isso em ótimos filmes como “Zona Verde”, “Capitão Philips” ; “O Ultimato Bourne”. Paul inclusive já foi indicado ao Oscar, pelo excelente trabalho em “Voo United 93”, onde criou uma atmosfera tensa e claustrofóbica. É um diretor que sabe como filmar, sem deixar as cenas confusas. Seus filmes são sempre impactantes.

Depois de voltar ao universo de Bourne, com o ótimo “Jason Bourne”, Paul lança na Netflix o filme “22 de Julho”. Na trama que se passa na Noruega em 2011, Anders Behring Breivik, consumido por seus pensamentos fundamentalistas anti-islâmicos, mata 75 jovens a tiros em um acampamento na Ilha de Utoya. Aqueles que sobreviveram ao ataque tentam seguir suas vidas e ao mesmo tempo enfrentam o julgamento do terrorista. O filme já  está sendo cotado para concorrer ao Oscar, principalmente nas categorias de melhor direção e montagem.

O grande destaque do filme é a direção; todas as caraterísticas de Greengrass estão presentes no enredo, a câmera na mão, o estilo documentário de filmar.  Sua cena de abertura, um terrorista invadindo o acampamento e matando os jovens, é tensa e violenta, o uso da câmera e os planos em sequência são espetaculares. O expectador é colocado dentro do filme e sente o que os personagens estão passando. Daí em diante o filme se torna um drama tenso sem ser piegas ou apelar para o sentimentalismo. O roteiro é bem escrito e se aprofunda na tragédia vivida pelos protagonistas, sem se tornar algo monótono.

No entanto, um dos seus pontos fracos é o fato de ser falado totalmente em inglês, se passando na Noruega todos os personagens falam em inglês, no começo isso é estranho, mas depois o público se acostuma. Outro também é que o filme utiliza atores desconhecidos, as atuações não são ruins, mas o filme merecia atores com uma carga dramática melhor, o que, acreditamos ser um impacto maior no espectador. Apesar disso o grande destaque vai para o ator Jonas Strand Gravli que interpreta o personagem Viljar, sua atuação é boa e convincente.

No mais “22 de Julho” é uma obra que retrata uma tragédia que aconteceu na Noruega, mergulhando nas suas consequências e trazendo várias discussões a cerca do extremismo politico e religioso. É um tema que precisa ser discutido e estudado cada vez mais nos dias de hoje. São tragédias como essa, que precisam ser evitadas. É um filme que precisa ser visto por todos, apesar de não ter um elenco tão bom, a direção de Paul Greengrass e sua montagem do  são excelentes , prendem a atenção do expectador.

Crítica: 22 de Julho
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