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CríticaFilmes

Crítica: 22 Milhas

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Luiz Baez
18 de setembro de 2018 3 Mins Read
“- Você está cometendo um erro.
– Eu já cometi muitos antes.”

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Por herança da Guerra Fria, personagens russas aparecem, até hoje, como grandes vilões do cinema estadunidense. Em “22 Milhas” (Mile 22, 2018), estreia desta semana, uma bandeira tricolor decora a casa onde se ambienta a sequência inicial. Nela, habitam oficiais da FSB, o Serviço Federal de Segurança do país eslavo – a antiga KGB. Durante a rápida introdução, o embate entre eurasiáticos e americanos resulta em massacre: entre as vítimas, um garoto de 18 anos, baleado a sangue frio por James Silva (Mark Wahlberg).

Silva, protagonista do longa-metragem, integra a equipe secreta Overwatch, uma terceira via para resolver conflitos internacionais após os fracassos do exército e da diplomacia. Liderado por Bishop (John Malkovich), o agente enfrenta a missão de recuperar quatro quilos de césio-139, quantia suficiente para destruir seis cidades grandes. Conta, para isso, com a parceria de Alice Kerr (Lauren Cohan) e Sam Snow (Ronda Rousey). Como única pista, contudo, a equipe dispõe da ajuda de Li Noor (Iko Uwais), policial corrupto da fictícia cidade Indocarr. Em troca de um HD com a localização do isótipo radioativo, o asiático exige asilo político. O título “22 Milhas” refere-se, assim, à distância percorrida para escoltá-lo até o avião.

Em paralelo ao enredo principal, o roteiro sugere uma vingança russa. O contexto pouco se esclarece, mas falas como “Estamos prestes a matar a ideia de que somos fracos” indicam iminente ameaça. Apesar dos diversos set-ups, no entanto, o payoff só acontece nos minutos finais. Em uma inesperada reviravolta, os estreantes no cinema Lea Carpenter e Graham Roland tentam surpreender o público. Mais conhecido pelo televisivo “Jack Ryan” (2018), Roland não sabe, contudo, se desvencilhar da narrativa seriada. O autor constrói, dessa forma, toda uma antecipação para um desfecho pouco satisfatório. Além disso, deixa pontas soltas pelo caminho. O divórcio de Alice, mediado pelo bizarro aplicativo Family Wizard, por exemplo, nada soma ao produto final. Por outro lado, a mencionada personagem revela-se um acerto da história. Não obstante o desnecessário passado conjugal, trata-se de uma figura feminina forte e confrontadora.MV5BMTU4MjI4Mjg0MV5BMl5BanBnXkFtZTgwOTc0MDgzNTM@. V1 SX1777 CR001777741 AL

“Você acha que só porque sou mulher não sou capaz de violência extrema”, diz Lauren Cohan (“Boneco do Mal”) em determinada cena. O elogio previamente feito à sua personagem também se aplica à vivida por Ronda Rousey (“Velozes e Furiosos 7”), mas com uma ressalva: Rousey, um ícone da luta livre, merecia mais cenas de ação. Em vez de aproveitar o potencial da ex-campeã do peso galo do UFC, porém, o diretor Peter Berg (“O Grande Herói”) reserva a ela pouquíssimos confrontos – e todos com armas. Os embates corporais ficam, de outro modo, a cargo dos atores asiáticos. Nesse sentido, o indonésio Iko Uwais (“Operação Invasão”), tanto intérprete quanto coreógrafo, tem papel essencial. Contra a artificialidade das trocas de tiros e explosões, sua agilidade corpórea garante ao filme seus melhores momentos.

Esses poucos bons minutos representam, portanto, um verdadeiro alívio. Ao longo de mais de uma hora, afinal, diálogos tão apressados quanto o ansioso protagonista de Wahlberg (“Os Infiltrados”) tentam justificar o plot twist final. Entre antagonistas russos e asiáticos, “22 Milhas” repete, um por um, todos os clichés do gênero. A decisiva contribuição de Uwais aponta, no entanto, novos caminhos: estão eles fora do filme, para a infelicidade de seu espectador.

* O filme estreia dia 20, quinta-feira.

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Tags:

AçãoAventuraCrimeJohn MalkovichLauren CohanMark WahlbergPeter BergSuspense

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Luiz Baez

Carioca de 25 anos. Doutorando e Mestre em Comunicação e Bacharel em Cinema pela PUC-Rio.

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