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Crítica

Crítica (3): Negação

Baseado no livro “ History on Trial: My day in Court with a Holocaust Denier” (História no julgamento: meu dia no tribunal com alguém que nega o Holocausto), de Deborah Lipstadt, o longa “Negação” traz a história real do processo de difamação do historiador David Irving contra a palestrante Deborah Lipstadt ocorrido no ano 2000.

A obra de David Hare – roteirista de “O leitor” (2008) – começa quando, em uma de suas palestras, sobre o livro “Denying the Holocaust – The Growing Assault on Truth and Memory” (Negando o Holocausto – O crescente atentado à Verdade e Memória), Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), é enfrentada por David Irving (Timothy Spall), a quem ela se dirige criticamente inúmeras vezes em seu exemplar.  Como a escritora sempre alega que não debate com quem não acredita no Holocausto, Irving se aproveita da situação e faz com que Lipstadt perca a cabeça e o faça sair. Logo depois, ela recebe a intimação de um processo de difamação feito por seu “inimigo histórico”, convocando-a para o tribunal londrino. Dessa forma, Deborah encontra um advogado à altura, chamado Anthony Julius (Andrew Scott), o qual venceu casos famosos, como o divórcio da Princesa Diana. O processo em si demora alguns anos, contando com pesquisas e as idas ao tribunal durante cerca de oito semanas.

No desenrolar da história há algumas barreiras que necessitam ser puladas, tanto questões entre Deborah e os judeus, como meios para desacreditar o irônico Irving. Deborah, em conjunto com a equipe de Anthony, faz uma pesquisa bem cavada de todas as evidências, inclusive, ocasionando uma ida aos campos de concentração de Auschwitz. Como uma das cenas mais marcantes, é preciso enaltecer as atuações de Rachel Weisz e Tom Wilkinson, como o personagem Richard Rampton. Os olhares e expressões corporais fizeram com que a cena fosse vivenciada da forma que era merecida. Além disso, a escolha do diretor em revelar/enaltecer os cenários mórbidos fez com que houvesse uma parada no tempo e o luto retornasse à evidência em todos nós. Consequentemente, é imprescindível que haja aplausos, mesmo discretos, para Mick Jackson, o também diretor do filme “O Guarda-Costas”, de 1992, com Kevin Costner e Whitney Houston. Embora cometa alguns deslizes em sua direção, podemos enxergar também um meticuloso trabalho de Jackson ao tentar mexer com o emocional e psicológico do público. Algo que pode acabar funcionando bastante para diferentes pessoas.

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Em relação aos atores, é inimaginável não sair com um sorriso no rosto devido à atuação de Timothy Spall, que havia marcado sua presença no filme “Encantada”, em 2007, como o bobo Nathaniel e, em “Harry Potter”, como o bizarro Peter Pettigrew. Sendo assim, é possível ver o quão eclético é o ator londrino. Ainda exaltando os tesouros britânicos, Tom Wilkinson realiza seu papel com naturalidade, mesmo sendo um personagem que requer bastante poder e experiência.

O filme, mesmo contando com atores competentes, também possui alguns furos no roteiro, fotografia e, como já foi dito, na direção. Apesar de cenas bem realizadas, com bons enquadramentos e o uso correto de cada ângulo, há um contraste com cenas facilmente descartáveis e sem sentido, as quais não conseguem manter diálogo com o público. Por exemplo, as partes em Auschwitz, em que houve um cuidado com a coloração praticamente monocromática, demonstrando, com o auxílio da neve, a ausência de vida e o quão deprimente era o olhar de qualquer um que possa viver a experiência de conhecer o local. Contudo, em outras cenas, há um exagero nos tons quentes presentes, visto que não há necessidade alguma colocá-los em momentos como a de Lipstadt em seu quarto ou enquanto Richard Rampton toma um típico café londrino.

Em relação ao roteiro, um ponto a ser tratado seria a narrativa que falha ao interromper a continuidade de algumas ideias colocadas. Em alguns pontos temos a sensação de que as ações são jogadas, mas algumas conclusões não são devolvidas; como se aquilo não precisasse de solução. Além disso, a cronologia pode tornar-se um pouco confusa para quem não conseguir se conectar com certos detalhes do filme. Algumas passagens de tempo não são bem explicadas, deixando a desejar, logo, parece mais uma espécie de correria para se adequar ao tempo escolhido de duração do filme.

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Apesar dos pontos negativos abordados, é importante destacar que essa obra veio em ótima hora, visto que o mundo precisa, urgentemente, enxergar a gigantesca diferença entre os fatos e as opiniões. Em um globo em que esses pontos tão divergentes chegam a ser confundidos, a história Lipstadt x Irving pode deixar uma boa reflexão no ar. David Irving, basicamente, nos faz perceber como as nossas convicções podem manipular a realidade a nossa volta, prejudicando não só nossas conclusões, como a visão que temos uns dos outros.

“Negação” estreou dia 09 de março nos cinemas.Confira o trailer abaixo:

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É da Cidade Sorriso e, sim, sorri de uma ponta a outra olhando para o Rio de Janeiro que, claro, continua lindo. Ama filmes de comédia romântica e suspense, chora em alguns - até porque chora, inclusive, em comercial de TV -, não curte nem um pouco terror e defende com unhas e dentes seus personagens preferidos das suas séries. Geminiana e... isso já diz tudo.

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