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Crítica

Crítica: 7 Desejos

Suspense, Terror ou Desnecessário?

Se tem um gênero, literalmente, esgotado no universo cinematográfico é o Terror. Vira e mexe aparece um ou outro exemplar que foge a regra, mas infelizmente não é a maioria. Entre vários lançamentos desse estilo, seja de classe A, B ou C, quem os curte assiste a todos, sem exceção. Há quem goste só pelo gênero e outros já descarregam suas frustrações. Seja para o bem ou para o mal “7 Desejos” (Wish Upon) é o novo filme do diretor de “Annabelle” (2014).

O filme traz como protagonista a adolescente Claire Shannon (Joey King), que viu sua mãe cometer suicídio quando ainda era uma criança. Tal visão a assombra até hoje e sua vida não é das melhores. Ela mora com seu pai, Jonathan (Ryan Phillippe) que sustenta a família catando coisas no lixo para revender e/ou reciclar. Na escola, Claire tem duas amigas inseparáveis, Meredith (Sydney Park) e June (Shannon Purser), mas sofre bullying de Darcie Chapman (Josephine Langford) e seu popular grupo.

Certo dia, em uma das buscas por materiais, Jonathan encontra uma caixa, com inscrições em chinês, e usa-o para presentear Claire, que estuda a língua na escola. Com seu pouco conhecimento ela consegue traduzir que com aquela caixa ela poderia realizar sete desejos. Depois de sofrer mais um ataque de Darcie na escola, a menina chega em casa, mesmo sem acreditar muito, faz seu primeiro pedido. No dia seguinte, ela descobre que o seu desejo foi realizado e Darcie começa a apodrecer. Depois do ocorrido, ela faz outros pedidos até descobrir que cada um deles pode ter um preço alto. Cabe agora a Claire decidir quando quer e deve parar antes que seja tarde demais.

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A trama escrita por Barbara Marshall consegue ser um fiasco do início ao fim e ainda deixa um gancho para uma continuação. O que ela fez, é sempre repetido por outros inúmeros roteiristas, então não é uma novidade. Pense no ápice do estereotipo. Pois é exatamente o que vemos na tela. A protagonista é perseguida pela “Barbie Queen Bee” e seu grupo popular. Claire tem o interesse amoroso com um dos garotos, típico galã alto e esportista, dessa turma que namora outra menina do grupo. E seu grupo de amigas é formado pela negra expansiva, que conversa alto gesticulando e balançando a cabeça, para ser o ponto cômico, e a outra é a “gordinha” nerd e correta.

Não bastando as personas, temos um outro grande problema, literalmente, falta de roteiro. Se qualquer um parar para analisar, a mesma história pode ser contada em um curta de 15 minutos, porque nada de interessante acontece. Não há diálogos que valham, não há mortes intensas, os pedidos são fúteis e a história da caixa é tão rasa quanto a piscina para bebês num clube.

Nessa falta de tudo, o diretor John R. Leonetti só tem uma saída: “encher linguiça”. E ele o faz, dando a uma história de no máximo 15 minutos cerca de uma hora e meia de vários nadas. Com uma série de prolongações em seus planos e o uso de cortes rápidos (secos) ele tenta criar a falsa sensação de que existe movimento narrativo. Embora até bem enquadrados, com uma fotografia convencional feita por Michael Galbraith, não há nada para se assustar ou criar o clima. Talvez sua melhor sequência seja os planos detalhando a misteriosa caixa, com suas inscrições, desenhos e funcionamento. Sabemos que John não fez um trabalho excepcional em “Annabelle”, mas sem dúvidas ele executou melhor sua direção na produção anterior.

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Para piorar a situação, a trilha original da dupla Tom Hajdu e Andy Milburn, não auxilia a direção a dar o clima. Assim, a tomandandy acaba pontuando mais uma vez a própria caixa e a música tocada quando ela se abre. Ou seja, depois de tudo a caixa, o objeto físico, lindamente produzido pela equipe de arte, comandada pela diretora de arte Andrea Kristof, é a coisa mais importante de todo o filme, já que a história foi dispensada, seus personagens são rasos e sem carisma algum, e a direção não fortalece em absolutamente nada.

Com um elenco que entrega o necessário, um final “ok” e uma cena que serve de gancho para uma continuação, nós também temos em “7 Desejos”, caso a narrativa continue: 1º – Que John R. Leonetti faça o que ele realmente sabe fazer e muito bem, direção de fotografia para filmes de terror. 2º – Que o novo filme seja dirigido e produzido por James Wan. 3º – Que o roteiro não seja com temática adolescente. 4º – Que exista um roteiro. 5º – Que se há mortes na história, que elas sejam realmente mostradas e de maneira bem feita. 6º – Que tenha um elenco melhor. 7º – Que não seja tão flopado quanto seu antecessor. E um pedido a mais: Que possamos sair do cinema satisfeitos em dizer “Nossa, eu realmente vi um filme de terror”.

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Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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