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CríticaFilmes

Crítica (2): A Morte de Luís XIV

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Convidado Especial
20 de janeiro de 2017 3 Mins Read

O desvanecer do Sol

Foto de CapaLuís XIV foi um dos reis franceses que reinou por mais tempo. Foram 32 anos no poder. Filho do Rei Luis XIII e Ana da Áustria, o Grande Rei, como era chamado, tentou eliminar o feudalismo e solidificar a aristocracia. Tornou-se o Monarca mais poderoso da história de seu país e seu reinado viu a França chegar à liderança das potências européias e lutar em três guerras diferentes.

Jean–Pierre Léaud vive os últimos dias do Rei em “A Morte de Luís XIV”, com estréia prevista no Brasil para o próximo dia 26 de janeiro.

O monarca morre alguns dias antes de completar 77 anos. Em agosto de 1715 ele começa a sentir dores na perna. Ele continua a exercer suas funções, mas passa a ter sonos intranquilos, além de problemas com alimentação e muita febre que pioram a cada dia, deixando o rei cada vez mais fraco. Esses foram os seus lentos últimos dias de vida que servem como base para o filme.

No filme, do diretor Albert Serra, nós vemos a luz de Luís XIV se apagar. O famoso rei da França, conhecido como Rei Sol e popular por apreciar festas, moda e arte, morre confinado em seu quarto. O claustrofóbico filme de Serra acompanha os últimos dias de vida do soberano e nos mostra um monarca debilitado, deteriorando em seus aposentos, assistido pelos incompetentes médicos de sua corte.

“A Morte de Luis XIV” acerta em humanizar o mitológico personagem central, desmistificando alguns mitos construídos pela literatura ao longo da história. Porém, se você não tem um prévio conhecimento da história francesa, talvez seja difícil apreciá-lo, pois ao contrário de muitos filmes biográficos, esse não é uma aula de história. Sua narrativa é lenta e com poucas falas, mas é um belíssimo retrato da história e acerta em muitos pontos.16231271 1640455172915557 1513487585 oO diretor consegue uma estética realista e muitas vezes perversa ao retratar o poderoso rei confinado em sofrimento e prostrado em sua cama na maior parte do filme. Interpretado pelo incrível ator francês Jean-Pierre Léaud, que empresta seu magnetismo e carisma ao protagonista que na maior parte do tempo aparece em silêncio e sofrendo de dores intensas. É impossível não sofrer junto em angústia com o rei vivido por Léaud.

Outra perfeita escolha do diretor é o ator Patrick d’Assumçao que interpreta o médico pessoal de Luís que, baseado em uma medicina precária e sem recursos da época, deixa o ilustre paciente definhar até a morte após sua perna gangrenar. A medicina da época pouco entendia sobre diabetes e seus males, e d’Assumçao interpreta um vaidoso médico em constante dúvida e sem os conhecimentos necessários para tratar a doença de Luís. Em desespero, ele chega a apelar para crenças da época quando um curandeiro vindo Marseille oferece um elixir com ingredientes capazes de cura-lo. O abuso continua mesmo após a morte do rei quando uma cirurgia de autópsia para descobrir as causas da morte é mostrada em detalhes.

Um dos pontos fortes do filme é a direção de arte que acerta desde o visagismo (perucas e maquiagem) ao figurino e locações, mostrando com precisão em detalhes a realidade da época.

É um filme sombrio, escuro e triste que contrasta com toda a vida de Luís XIV, muito conhecido por sua alegria, vaidade e charme encantador. É o triste fim de uma era de glamour.


Por Thiago Pach

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BiografiaCinema FrancêsFrançaHistóriaLuís XIVThiago Pach

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