Madam C.J. Walker foi a primeira mulher negra a se tornar milionária nos Estados Unidos. A minissérie biográfica “A Vida e a História de Madam C.J Walker” é um relato, um tanto superficial (porém não supérfluo) da trajetória de um uma filha de escravos, que contra tudo e todos se torna uma exceção e exemplo para todas mulheres negras. Acrescentando girl power, discussão sobre o machismo, lutas de classes, de raças e uma abordagem um tanto sensível sobre o papel da mulher negra no início de século XX, a minissérie de Nicole Asher é tão impactante quanto o forte olhar da protagonista  Octavia Spencer.

Na antropologia, fala-se que tão importante quanto o visão do antropólogo sobre o objeto de estudo, é visão do próprio outro que vive aquele cotidiano e, que na maioria das vezes, tem saberes muito mais profundos sobre o mesmo, porque sente na pele todos o dramas sociais do que vivencia. Desta forma, “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” sai na frente quando possui na sua equipe de criadores majoritariamente mulheres negras. As criadoras da minissérie Elle Johnson e Janine Sherman e a diretora Kasi Lemmons são diretas em mostrar que a minissérie é direcionada para esse público, e que quer o valorizar, desde o primeiro momento quando a protagonista mostra que se realiza através do seu cabelo.

A história é dividida em quatro capítulos, que mostram a jornada de Madam Walker a partir do momento em que ela decide vender os produtos capilares que mudaram sua vida. O que ela viveu anteriormente é transmitido por algumas lembranças e com a voz over da personagem elucidando alguns fatos durante os quatro episódios. Há também um recurso lúdico bem utilizado durante toda a jornada, que é o de criar ilusões dos conflitos que a personagem vive, e que embalam cada episódio.

A caracterização, assim como a direção de arte são pontos de destaque. Desde a recriação no ambiente vulnerável, representando a pobreza e os problemas capilares da personagens nas primeiras cenas até o luxuoso banquete final no ultimo episódio. Há muito requinte e detalhismo. O figurino é outro aspecto que vária durante toda a série e tem papel fundamental em definir os personagens em seus momentos, as cores sempre se destacam.

No entanto, o mais importante aspecto visual trabalhado, é o do protagonismo do cabelo das mulheres da série na identidade das próprias. Isso reflete nos diferentes penteados e visuais que vemos em tela, através de um trabalho eficaz da equipe de maquiagem e cabelo.

É singular a atuação de Octávia Spencer encarnando Madam Walker. Os olhos de Octávia falam e transbordam emoção que impacta o público. Ao mesmo tempo, a atriz consegue dá o tom firme da personagem em momentos de enfrentamento dela para  com os outros – principalmente com os homens. E, tão bem quanto ela, estão  Tiffany Haddish que vive sua filha e herdeira, Carmen Ejogo que é sua rival nos negócios e Blair Underwood o seu marido na maior parte da série.

O ritmo implicado durante os quatros episódios é muito agradável, a série passa rápido, sendo possível maratona-la de uma vez só. Apesar de incluir aspectos para tornar a história mais cômoda para o formato de minissérie, deixando de levar em conta alguns fatos, e, como dito anteriormente, podendo ser superficial no aspecto biográfico, “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” consegue passar sua mensagem, faz justiça a primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos e traz a público tal história.


Imagens e vídeo: Divulgação/Netflix


Sympla

A vida e a história de Madam C.J. Walker

4.4
Ótimo!
A história de Madam C.J. Walker (Octavia Spencer), ativista social e primeira mulher milionária dos Estados Unidos a conquistar a própria fortuna: por meio de uma linha de produtos capilares e cosméticos para mulheres negras.
Direção
Episódios
Direção de Arte
Figurino
Cabelo e Maquiagem
Atuação
Pros
  • A minissérie traz uma história relevante que merecia ser contada
  • Ótimas atuações
  • Uma série feita por mulheres negras, que conta uma história de uma mulher negra e que passa uma mensagem importante para as mesmas.
Cons
  • A série poderia ser mais longa para aprofundar mais alguns aspectos da história
Show Full Content

About Author View Posts

Avatar
Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

Previous Rosario Dawson deve interpretar Ahsoka Tano em “The Mandalorian”
Next Crítica: Coletivo Terror

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close
Close