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Crítica: Coletivo Terror

Coletivo Terror
Imagem: Divulgação/Netflix

 

Poster de Divulgação de Coletivo Terror

Imagem: Divulgação/Netflix

A Netflix vem investindo em produções europeias de terror/suspense já há algum tempo. E na última sexta-feira 13, a série norueguesa “Coletivo Terror” estreou no streaming e rapidamente chegou ao Top 10 da semana. A série antológica tem seis curtos episódios (com duração média de 25 minutos) e foi criada por Kjetil Indregard e Atle Knudsen. A produção tem uma abertura muito original: um ônibus reúne os protagonistas das seis histórias, dando close no personagem chave do episódio que iniciará. Ou seja, a abertura envolve o espectador na atmosfera de terror dos episódios.

De modo geral, “Coletivo Terror” apresenta episódios muito bem executados. Apesar da duração curta, as histórias são simples e bem desenvolvidas. Ainda que simples, são ótimos roteiros com poucos personagens e que se encerram sem deixar pontas soltas. Além disso, não há muitos jumpscares ou gore em excesso. A direção também é muito competente, especialmente por valorizar bastante o trabalho dos atores. Como ponto (quase) negativo, algumas histórias são clichês e previsíveis. Mas em compensação, outras são muito criativas, com pitadas de humor ácido. Vamos aos aspectos particulares de cada episódio.

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Episódio 1: Um Grande Sacrifício

Uma família composta por pai, mãe, filha e um cachorro se mudam para uma cidade do interior, por estarem em dificuldades financeiras. A mãe é a que mais sofre com a mudança, especialmente por estar rodeada de vizinhos estranhos, porém prósperos. O grande destaque desse episódio é, sem dúvida, a atuação dos vizinhos. São intrigantes e cativam muito mais o espectador que o núcleo principal, o da família. A fotografia também foi bem criativa por ser predominantemente clara, algo incomum no gênero. Mas é fundamental para chocar ainda mais.

Episódio 2: Três Irmãos Loucos

O episódio acompanha Erik, um jovem que teve alta de um hospital psiquiátrico recentemente. Tudo ia bem, até receber a visita de seus irmãos, que o convidam para uma festa no chalé da família. No caminho, decidem convidar uma estranha e os problemas começam. É um episódio muito bem executado, com atmosfera de medo crescente e atuações muito interessantes. Entretanto, a história tem um plot twist pouco original, já visto algumas vezes.

Episódio 3: Escritor do Mal

O episódio conta a história de Olivia, uma mimada aspirante a escritora que se inscreve num curso de escrita criativa. No curso, conhece outro aspirante. Olivia jamais imaginaria as consequências que esse encontro traria para sua vida. Nesse episódio, as atuações são um pouco exageradas e não fica claro se é proposital. A história é uma das mais criativas e cheia de reviravoltas interessantes, contudo, a fotografia não desenvolve bem o conceito do terror, atrapalhando a percepção do público.

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Episódio 4: Cobaias

Um empresário da industria farmacêutica convida alguns funcionários para um jantar fraterno, para comemorar os resultados positivos. Entretanto, ao descobrir um roubo dentro de casa, o homem mostra sua faceta arrogante, gananciosa e cruel. O clima é agoniante e com uma tensão crescente, fruto do bom trabalho de direção. A fotografia harmoniza muito bem com a transformação do humor do empresário. Uma boa história, mas nada excepcional.

Episódio 5: A Escola Antiga

Uma professora vai lecionar numa escola do interior que ficou fechada durante 40 anos. Aos poucos, vai percebendo que há algo estranho no local. A partir da amizade com uma mulher da cidade, vai descobrindo o que realmente aconteceu na escola. Esse é o único episódio com apelo ao sobrenatural, muito bem construído. O roteiro é pouco original, porém consistente. A professora é uma personagem carismática, com atuação na medida certa. A fotografia reserva o escuro apenas para os momentos de tensão, ressaltando a beleza dos cenários e das poucas tomadas externas.

Episódio 6: O Elefante na Sala

Durante uma festa à fantasia, dois funcionários novatos tentam desvendar um terrível acidente ocorrido na empresa. Enquanto isso, uma pessoa fantasiada de elefante chama a atenção na festa. Este episódio é o ponto de desequilíbrio da série. A fotografia é interessante, mas as atuações deixam a desejar. Além disso, o desenvolvimento é bem linear, sem grandes surpresas. O final é bom, mas não é suficiente para salvar o roteiro.

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Por fim, a série cumpre o seu papel de entreter com qualidade os fãs do gênero terror. Esperamos que roteiristas mundo a fora invistam em produções como “Coletivo Terror“.

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Bibliotecária, doutoranda em História das Ciências, e das Técnicas e Epistemologia. Apaixonada por cinema, séries e cultura em geral. Sem Os Goonies talvez não estivesse por aqui.

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