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Crítica: A Visita

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Convidado Especial
8 de janeiro de 2017 3 Mins Read

15910250 1635294896764918 1309903702 n

Found Footage é um dos subgêneros do terror que mais foram explorados na última década. A partir do momento que descobriram que dava para fazer produções com custos mínimos e ganhos elevados, como os sucessos “A Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal”, diversos produtores e cineastas passaram a sugar a ideia, explorando o estilo documental com certo exagero, o que resultava em uma qualidade duvidosa. Ninguém havia subvertido a prática até a chegada do filme “A Visita” de M. Night Shyamalan. O diretor tenta fazer nesse filme o mesmo que Wes Craven fez com “Pânico”, porém nosso querido (nem tanto) Shyamalan não obtém o mesmo êxito.

“A Visita” se passa nos dias atuais e mostra duas crianças (Becca e Tyler) indo passar a semana na casa dos avós, que depois de muito tempo sem falar com a mãe das crianças acaba os encontrando via internet. Entretanto, ao chegarem lá coisas estranhas começam a acontecer. Uma das melhores pontos do filme é se passar nos dias atuais e saber usar muito bem a tecnologia e referências da cultura pop a seu favor para criar uma simpatia com o público. Com isso temos smartphones, conferências no Skype, conversa sobre músicas em geral e até uma hilária sacada de usar nomes de cantoras pop no lugar de palavrões (sério! É muito engraçado, pois o personagem não esquece isso ao longo do filme). Sem falar que a desculpa para gravarem tudo também é uma ideia legal, já que a personagem de Becca quer ser uma cineasta e, por isso, tenta realizar um documentário sobre um problema entre mãe delas e os avós.

Com o desenrolar da trama acontecendo em meio a partes cômicas durante o dia e um clima tenso durante a noite, o filme acaba se perdendo um pouco na história que quer contar. Uma hora estamos vendo o subgênero ser corrompido, outrora estamos assistindo apenas mais um filme de terror nesse estilo e ainda temos um lado que mostra um drama familiar que não convence. Por mais que nos apeguemos aos personagens desde o início, com o passar do tempo ficamos mais preocupados em rir das situações bizarras que estão acontecendo do que, de fato, temendo a história. O que arruina completamente a experiência que deveria ser passada.15943495 1635294916764916 1160833733 oOlivia DeJong (Becca) e Ed Oxenbould (Tyler) são dois atores carismáticos que cumprem bem o papel que lhes é designado de criarmos um vínculo com os dois. Contudo, o mesmo não se pode falar dos avós Deanna Dunagan e Peter McRobbie que até conseguem ter aquele ar de estranheza, mas pecam nas partes que necessita revelar um certo afeto. Kathryn Hahn faz a mãe das crianças, uma personagem que deveria mostrar algum desconforto ou qualquer anseio de medo ou angústia. Apesar de aparecer pouco ela tem um importante papel pra parte final, porém a única coisa que consegue fazer nas cenas em que aparece é rir ou chorar.

A parte final é um ponto que o Shyamalan deve odiar desde que fez seu primeiro filme, “O Sexto Sentido”, uma obra que já se tornou um clássico e sempre estará na lista de melhores plot twist. A partir desse, em todos seus outros longas as expectativas são de um final de explodir cabeças, e nesse ele tenta fazer algo para suprir novamente essa necessidade. Todavia, diferente de seu grande filme, aqui vemos apenas uma tentativa boba e ingênua de surpreender o público com um desfecho ínfimo.

Por fim, “A Visita” é um filme que a gente pode rir horrores apesar das decisões equivocadas de roteiro e da forma como foi filmado, como pode também servir como um respiro do Shymalan pra mostrar que ainda está vivo e que um dia poderá aparecer com uma ideia realmente inacreditável, mas por enquanto é apenas aquele cara que fez “O Sexto Sentido”.

Por Will Bongiolo

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CinemaM. Night Shyamalan

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