Crítica: Alerta Lobo

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Quando se fala em cinema francês, logo vem à mente filmes intelectuais que passam em cinemas de arte. Muitos ignoram o fato de que a França é uma grande produtora e que de lá saem filmes de diferentes gêneros e formatos. Talvez, o gênero “ação” seja o que menos chama a atenção dos produtores franceses, mas não significa que não sejam feitos. O mais recente deles é “Alerta Lobo” da Netflix, que conta com um elenco de nomes conhecidos, um astro em ascensão e uma história que poderia muito bem ter sido filmada em Hollywood.

Na verdade, é muito bom que “Alerta Lobo” tenha sido feito na França e não nos EUA. Essa afirmação não possui nenhum tipo de desgosto com o cinema americano ou bota em duvida a sua qualidade, e sim constata que certo elemento presente no filme é próprio do cinema francês dito de arte. Para melhor explicar basta dizer que o personagem principal é Chanteraide (François Civil) que faz parte da marinha e trabalha em um submarino. Todos o conhecem como ouvido de ouro, já que é encarregado de ouvir os sons do oceano a fim de alertar sobre a presença de submarinos, navios e armamentos inimigos. Ele possui uma audição apurada, o que leva a narrativa a fazer certas reflexões poéticas.

Chanteraide é muito sensível, e prefere ouvir o batuque vindo de um barco pesqueiro ou o som de golfinhos do que de qualquer outra coisa. Evidentemente que o rapaz acaba virando motivo de chacota por parte de seus companheiros, mas nada que consiga abalá-lo no mundo envolto pela sinfonia do oceano em que vive. Em outras produções de ação a habilidade do rapaz seria usada para criar cenas de simples pirotecnia, em “Alerta Lobo” ela o faz sofrer ao ter que ouvir sons de destruição e guerra quando um conflito internacional começa a tomar forma. O contraponto entre a beleza da natureza e a horrenda condição humana é aquele elemento a mais que o cinema francês consegue abordar mesmo quando faz um filme comercial.

O restante não deixa a desejar, apesar de não subverter nenhum conceito abordado em filmes passados em submarinos. Porém, há leves reviravoltas bem planejadas que servem para criar tensão. O roteiro é bem escrito e não deixa escapar nenhuma dessas reviravoltas para um espectador mais atento. Trata-se daquela história na qual a lição de moral é mais importante do que a forma. Isso não quer dizer, no entanto, que os efeitos visuais e a direção sejam desleixados, e sim que ficam em segundo plano. As cenas no submarino são belas, principalmente quando as luzes vermelhas de alarme banham todo o ambiente, enquanto o rosto de Chanteraide é tomado pela luz azul da tela do computador onde trabalha e que pode muito bem representar o oceano. Ele fecha os olhos e segura os fones para se livrar de um mundo de perigo e entrar em um de paz.

Civil se mostra um ótimo ator ao manter um semblante sereno quando está trabalhando e de desespero quando a situação foge do controle nas batalhas ou no momento em que é afastado por uso de maconha. O elenco é completado pelos competentes Reda Kateb, Omar Sy, Mathieu Kassovitz e Paula Beer. Eles possuem seus momentos de destaque, mas nada que exija muito de seus talentos. “Alerta Lobo” consegue passar sua mensagem critica e ser divertido ao mesmo tempo, o que já é mais do que conseguem muitos filmes do gênero que inundam os cinemas e os próprios serviços de streaming ano a ano.


Imagens e vídeo: Divulgação/Netflix

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