Crítica: Assédio

Um drama da vida real que choca e toca profundamente

Recentemente a Globoplay lançou uma série exclusiva da plataforma. “Assédio” é inspirada no caso policial do Dr. Roger Abdelmassih, um médico conhecido como Dr. Vida e que fez fama por conseguir engravidar mulheres através da fertilização in vitro. Em meados dos anos 2000 dezenas de mulheres denunciaram o médico por assédio sexual e os casos viraram o livro “A Clínica: A Farsa e os Crimes” de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga, no qual a série se inspirou.

O seriado conta como Dr Roger Sadala (Antonio Calloni), nome fictício dado ao médico, é no seu dia-a-dia, famoso na profissão, infiel no casamento, um pai rigoroso, um filho idolatrado pela mãe e religioso. A trama gira em torno do médico, das pacientes e da jornalista Mira (Elisa Volpatto), que começa a investigar a conduta do Dr. Sadala depois de receber um telefonema anônimo que dizia que o tal Dr. Vida era um monstro.

No primeiro episódio conhecemos a história de Stela (Adriana Esteves), uma jovem professora que depois de sofrer dois abortos espontâneos decide ir com a marido na clínica afim de realizar o sonho de ser mãe. Se recuperando dos efeitos do sedativo ela é a primeira vítima do médico na série e desiste de finalizar o procedimento para engravidar. A cada episódio, entre os 5 primeiros, uma nova vítima tem sua história contada.

A produção segue uma linhagem de tempo nos primeiros episódios um pouco confusa, existe um grande salto de anos nos fatos acontecidos. Um exemplo é uma festa que o Dr. Sadala faz para comemorar 30 anos da fertilização in vitro no Brasil. O desfecho da mesma só acontece alguns episódios depois e é difícil entender antes disso, quando realmente tudo aquilo está acontecendo. A linearidade só acontece depois do quinto episódio, quando as denúncias começam vir à tona e Mira avança nas suas pesquisas para fazer uma reportagem para denunciar o médico, e aí sim é possível entender melhor a cronologia da série que se passa entre os anos de 1994 e 2014.

No elenco principal estão nomes como Antônio Calloni, Adriana Esteves, Mariana Lima, Elisa Volpatto, Jéssica Ellen, Paolla Oliveira, entre outros, e boa parte tem atuação impecável. Mas os destaques são Adriana Esteves, Antônio Calloni e Mariana Lima. Adriana vive Stela e consegue mostrar ao público como um crime desse pode abalar profundamente uma vítima, cada expressão facial, cada gesto, cada mudança de olhar ao longo da série passava como a professora sofreu com tudo aquilo. Calloni também foi perfeito, compôs o personagem de uma forma que todos os sentimentos ruins surgem em relação a ele, até achando que ele realmente é aquela pessoa desprezível: machista, boçal, estuprador, autoritário, entre outros. A forma como ele ri, como finge que está tudo bem, como se acha certo o tempo todo, atuação maravilhosa. E finalmente Mariana Lima, que vive Glória Sadala, esposa do médico. Ela consegue retratar ao longo da série uma mulher poderosa ao lado do marido, uma mulher sofrida, traída e uma mulher morrendo aos poucos por causa de uma doença, atuação ótima. A produção é uma criação de Maria Camargo e a direção artística ficou por conta de Amora Mautner. A dupla fez um ótimo projeto que além de ser fiel a história real, também trouxe bons elementos ficcionais. Além disso, a forma como o enredo foi tratado e as cenas em si foram ótimas, com apenas algumas pequenas falhas irrelevantes. O fato do recurso do flashback ser muito utilizado foi uma excelente ideia, até porque isso quebra um pouco o drama muito recorrente. Apesar disso ter sido um pouco confuso no decorrer da série na questão cronológica, a mesma cena era mostrada de diferentes ângulos a cada vez que se repetia, e isso fez toda a diferença.

O seriado é bom, traz uma história real para a ficção, o que facilita atrair o público, um elenco de grande renome, uma trilha sonora que se encaixa perfeitamente com a trama, e tudo mais parece se encaixar perfeitamente. A produção teve sua estreia na plataforma do Globoplay no dia 21 de setembro e está disponível apenas para assinantes. No último dia 15, a emissora exibiu o primeiro episódio no horário nobre, mas não há previsão para que a série seja toda exibida na televisão. Mais uma excelente exclusividade do Globoplay.

Crítica: Assédio
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