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Crítica: Batman – Despertar

Foto: Da Esq. para Dir.: Marcelo Várzea, Rocco Pitanga e Hugo Bonemer. Crédito: Bruno Poletti/Spotify

Batman: Despertar, é a primeira audiossérie do Spotify em parceria com a DC e a Warner Bros — uma aposta num formato antigo, agora repensado para a era dos podcasts. No ar desde 3 de maio, a plataforma promoveu uma intensa divulgação, contando com coletiva de imprensa com os atores da versão brasileira, outdoors pela cidade e decoração do metrô da capital paulista, etc. — e valeu a pena: a série bateu recorde de audiência no streaming e o conteúdo não deixa nem um pouco a desejar.

De herói a zero?

O que faz de um Batman um Batman? Em um primeiro momento, um Bruce Wayne completamente diferente é apresentado ao público de “Batman: Despertar”: patologista forense, workaholic e sem as memórias de ser o — agora desaparecido — homem morcego. Sem informações a mais, inclusive pistas visuais, resta ao ouvinte tentar desvendar também esse mistério tão às cegas e obscuro quanto a mente do justiceiro de Gotham.

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Esse não é o único estranhamento que a audiência, ao menos a mais tradicional, deve passar; para além do formato reinventivo, há uma outra barreira essencial que traz por terra tudo que se acredita saber do Batman: tanto Martha quanto Thomas Wayne, seus pais assassinados naquela fatídica noite pelo Coringa, após saírem de um teatro, estão vivos.

O que pode soar uma brincadeira de fazer torcer o nariz, na verdade é uma oportunidade para que o fã se veja obrigado a colocar novamente seu “primeiro tijolo”, sendo convidado a fazer parte dessa trama que acontece viva ao pé de seu ouvido.

Vozes da série e diretores posam para foto. Camila Pitanga, Marina Santana, Hugo Bonemer, Daniel Rezende, Rocco Pitanga, Maria Bopp. Imagem/Divulgação – Spotify.

Sob encargo de direção dos experientes Daniel Rezende — nomeado ao Oscar por “Cidade de Deus” — e Marina Santana — dubladora em diversas produções e responsável pelo nacional “Lino” — a adaptação para o nacional é uma série nova a parte: se por sua vez os diretores tinham o material original para adaptar (a versão em inglês “Batman: Unburied”), cada uma das outras 9 versões derivadas tinham carta branca para trazer o tom que a versão nacional lhes pedia.

Se a coletiva de imprensa prometeu uma narrativa em colcha de retalhos, entregou ao público como manda o figurino, oferecendo uma narrativa que é ao mesmo tempo interessante para o ouvinte aficionado por Batman, quanto intrigante o suficiente para manter na expectativa aquele mais avesso ao universo de superheróis — mas certamente louco por uma boa fofoca.

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Nesse sentido, Rezende se prova mais uma vez um mestre de transitar entre os gêneros: se conseguiu dar naturalidade e uma explosão de sentimentos reconfortantes com “Turma da Mônica: Laços”, aqui, onde a única coisa capaz de tornar a obra crível e atrativa são os efeitos sonoros e vozes dos atores — que não deixam nada a desejar na atuação — não fica nada para trás em fornecer os apertos no coração das telonas.

A produção, entretanto, peca em algumas partes na evolução do roteiro — o que mais parece ligado ao script original que à adaptação em si. No terceiro episódio há um acontecimento que traz o grande momento deflagrador ao público a respeito da identidade de Batman.

Isso, porém, parece ser ofuscado pelo eventual convencimento do público de que passara os últimos dois episódios sendo enrolado, até porque, ao fim e ao cabo, os principais acontecimentos chave se desenrolam muito rapidamente ao fim.

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Não há, contudo, em momento algum a sensação de tédio nos ouvintes: cada episódio é importante e revelador dentro de seu próprio universo. Há alguma “barriga” muito sutil na áudiossérie, e que não chega a afetar a experiência geral e imersiva proposta. Fica ao leitor essa que não é apenas uma recomendação cultural, mas também sensorial.

Crítica: Batman – Despertar
Sinopse
Gotham não é mais a mesma: com Batman desaparecido e um assassino obcecado pelos órgãos de assassino a solta, não há quem esteja seguro. Paralelo a isso, Bruce Wayne, é um patologista forense workaholic com uma estranha obsessão pelo serial killer, e por essa razão é afastado do trabalho pelo chefe do hospital, Thomas Wayne. Agora, Bruce terá que conciliar o que são essas estranhas memórias com a necessidade de proteger a família do maníaco que a espreita.
Prós
Pegajosa: consegue prender o ouvinte interessado do início ao fim; ritmo agradável.
Formato “novo”, acessível e que pode ser consumido em qualquer momento do dia.
Personagens interessantes tanto para o público clássico quanto para os “nem-tão-fã-de-super-herói”.
Contras
A evolução é sutilmente problemática: destaque para transição no episódio três e a resolução final.
4.5
Nota
Written By

Linguista em formação e PhD em shoujo de baixa qualidade. Obcecado por cultura pop e leituras de qualidade duvidosa; ainda por descobrir que Kakegurui talvez não seja um traço de personalidade.

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