Crítica: Black Mirror – Bandersnatch

Escolhas, realidades paralelas, paranoia, segundas chances, referências.
Isso é muito Black Mirror real.

“Black Mirror” trata de como somos afetados pela tecnologia e como as mudanças tecnológicas podem ou poderão alterar o curso das nossas vidas. Contudo, a Netflix precisava ir mais a fundo no tema e resolveu trazer  para a realidade o que a série retrata na ficção, e dando um nó em nossa mente ela produziu o primeiro filme totalmente interativo para adultos, onde podemos “decidir” o futuro do protagonista, fazendo por ele escolhas que afetam diretamente no percurso da história. E essa história não tem um único final mas, sim, 5 finais principais que depende de nossas escolhas para que sejam encontrados. Além disso, nos são fornecidas várias opções erradas que não nos levam para os finais verdadeiros e nos fazem precisar voltar e refazer nossas escolhas para que, em algum momento, consigamos chegar um dos finais oficiais.

O longa acompanha Stefan (Fionn Whitehead), um jovem programador que ao desenvolver um game, inspirando-se em um livro que leu, começa a ter experiências estranhas ao misturar a realidade com o mundo virtual. Nesse ponto, as escolhas tomadas pelo expectador sobre o que o personagem deve fazer geram diferentes consequências e influenciam diretamente no curso dos acontecimentos.

A trama traz no tom, nas nuances e em suas estranhezas, o clima que é comum a qualquer episódio da série “Black Mirror”. A grande diferença do filme para os demais episódios da série, fica por conta da inovação ao despertar a curiosidade do público de como se portar diante de um filme onde nós, antes meros espectadores, podemos agora fazer parte do processo escolhendo o próximo passo. Mas, não se contentando de nos fazer decidir, os passos se dividem, existem escolhas certas, escolhas erradas e escolhas chaves que levam o longa em direção a um de seus 5 finais principais. E, em meio a isso, temos os  finais aleatórios, nos quais o expectador se frusta por ter feito escolhas erradas e, por isso, é obrigado a voltar na história para tomar a decisão correta.

A grande sacada do roteiro é trazer para o personagem o sentimento de marionete, onde o mesmo é paranoico e se sente fora do controle sob suas próprias ações, dando o espectador a sensação real de controle da estória. Somos envolvidos pela trama e dessa forma nos sentimos parte dela, jogando com o personagem que em momentos “fala” com a gente.

A atuação de Fionn Whitehead, como um jovem angustiado e paranoico, é convincente. Todo drama e luta do personagem com si mesmo e sua mente é bem explorado durante as várias opções da produção. Não existe muita abertura para desenvolver os outros personagens da trama a não ser o próprio protagonista. O filme foca e acompanha unicamente a ação dele e revela sua visão dos fatos o tempo todo. Sendo assim, tomamos todos as decisões pelo que o protagonista ver da história e pelo que nós vemos através dele, com pouquíssimas exceções.

As referências a games dos anos 80 vão de cartazes a teorias e citações. Entre os citados, por exemplo,  temos “Pac Man”, que entra numa das teorias de conspiração em uma das passagens de um dos personagens.

Apesar do roteiro ser bom, não chegando ao ponto de ser brilhante, o grande destaque o filme é, sem dúvidas, as novidades de podermos fazer parte do filme, nos tirando da zona de conforto e despertando nossa atenção para o que está por vir. Além disso, não é um filme para se assistir apenas uma vez, caso o faça dessa forma você desfrutará apenas de uma das alternativas de finais. Os finais em si podem não ser agradáveis, e alguns brincam com a própria trama, entretanto não vamos entrar em detalhes pois é você que escolherá para qual final Stefan será guiado quando estiver com as opções nas mãos.

Por fim, aqui mais que uma crítica a um filme temos uma análise visando a importância de se assistir Bandersnatch. Essa importância não diz respeito apenas a de está atualizado e saber sobre o que todos estão comentando nas redes sociais, mas sim de vivenciar um dos momentos de inovação em como se pode fazer um filme de diferentes maneiras com as possibilidades entregues pela tecnologia. Se é ou não parte de um possível futuro para cinema, não sabemos, mas “Bandersnatch” torna a discussão instigante ao provar que proposta pode dar certo.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Netflix

Crítica: Black Mirror - Bandersnatch
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