A reinvenção de uma franquia

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Depois de uma longa jornada tentando reviver as personagens originais do blockbuster que estourou no verão de 1984 e rendeu uma continuação em 89, os estúdios decidiram resetar completamente a ideia depois da morte de Harold Ramis, reiniciando todo o projeto para transforma-lo em uma versão feminina muito mais moderna e cheia de recursos.

Repleto de referências a cultura pop dos anos 80 e outras consideráveis aos clássicos filmes e suas personagens, além de aparições surpresas durante o filme, “Caça Fantasmas” chega empoderado nos cinemas brasileiros a partir de amanhã, trazendo nas mochilas uma nova e interessante bagagem, bem como uma equipe que mais surpreende do que decepciona.

Com uma produção repleta de efeitos visuais, a qual fica maravilhosa diante da tecnologia de um 3D funcional, o filme torna-se ainda mais envolvente. Abraçado a um estilo burlesco, que nos remete com fidelidade a graciosas comédias de algumas décadas passadas, e alguns daqueles bons filmes de ficção exagerada que passaria despercebido por muitos espectadores, “Caça Fantasmas” acaba por ser um filme curioso e chamativo.

Mesmo fugindo completamente de uma sequência, ainda sim, o roteiro de Katie Dippold e Paul Feig é baseado nos na história e personagens criados por Dan Aykroyd e Harold Hamis. Porém, também bebe bastante de alguns assuntos relacionados nas histórias em quadrinhos pertencentes a franquia. Sem contar a formação do vilão como um ser em busca de poder superior diante a humanidade. No Geral, o roteiro possui algumas falhas e diálogos que poderiam ser melhor trabalhados, mas o entrosamento do elenco ajuda bastante e facilita essa parte do trabalho, fazendo muito deixarem esses detalhes passarem despercebidos. A parte interessante da nova versão é que essa aposta em uma espécie de inversão de papeis para os personagens, substituindo os caçadores por mulheres inteligentes e determinadas, enquanto no lugar da secretária, entra um homem desprovido de massa cefálica e rico em massa física. Através de uma grande sacada conseguem explorar um clichê bastante batido, que sempre colocou as mulheres (principalmente secretarias) como burras, ao mesmo tempo que cria com sutileza uma crítica aos atuais fanáticos pela fama, que preferem malhar o corpo e cuidar da imagem, esquecendo de uma das mais importantes ferramentas do corpo: o cérebro.

Com uma direção um tanto quanto exagerada, Paul Feig até tenta manter o direcionamento focado na história e em seu elenco mas perde seu grande diferencial ao querer abusar do CGI, concentrando o produto nas sensacionais cenas de contra os fantasmas. Com isso, o diretor acaba deixando de lado a sua visão e bom trabalho tarimbados em produções como “A espiã que sabia de menos” e “Missão Madrinha de casamento”.Cinema-Ghostbusters-2016-imagens

A fotografia fica por conta do experiente Robert Yeoman que proporciona um trabalho satisfatório, mas um pouco apagado pelo excesso de efeito. Já a equipe de direção de arte e figurino conseguem reinventar com perspicácia o cenário, modernizando com sabedoria os uniformes, bem como os acessorios e objetos utilizados no filme.

A colaboração entre todos os atores envolvidos no elenco funciona de forma harmoniosa. O elenco feminino principal se destaca com personagens bem construídas, mas é a atriz Kate McKinnon que faz a grande diferença com um trabalho memorável e responsável por grande parte das boas risadas do filme. Espaço essa que ela divide com ninguém menos do que o, até então, eterno “Thor”, Chris Hemsworth, que nos apresenta o que eu poderia chamar (sem muitas duvidas) do seu melhor trabalho até o momento. Em um papel hilariante, sua perfomance nos contagia fazendo-o roubar a maior parte das cenas em que aparece.

Em termos de comparação, mesmo sendo uma produção muito bem realizada, o novo “Caça-Fantasmas” ainda deixa a desejar em relação aos antecessores. Todavia, não podemos esquecer que trata-se de uma nova roupagem, adaptada para os tempos atuais, capaz de dialogar com uma sociedade machista e preconceituosa sem denegrir ninguém. Isso, sem contar que o filme é divertido, cumpre o prometido e merece uma continuação ainda mais audaciosa.

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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