Crítica: Casal Improvável

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O que seria um “Casal Improvável”? Normalmente nos filmes da Disney o casal improvável é aquele mais clichê possível, o príncipe encantado de boa índole que se apaixona pela plebeia, normalmente um menina boa, humilde e que não poderia ascender a algo maior na vida se o príncipe não cruzasse seu caminho e a tornasse uma princesa. Apesar de parecer completamente antiquado na atual conjuntura de empoderamento feminino na sociedade, há pelo menos uma década atrás pouca gente condenaria esse padrão de história, e mais que isso, ainda hoje muitos são os que romantizam o príncipe encantado.

Não como uma sátira descarada, mas como um conto sútil e moderno que distorce e desconstrói a história da Cinderela através de referências, “Casal improvável” é um divertido longa tanto pra curtir sem dispor de uma analise profunda, pois funciona como comédia romântica, quanto para pegar detalhes que ficam nas entrelinhas, como a mulher sendo posta em papel de destaque, sendo ela a detentora do poder, da inteligência e, enquanto isso, o homem é levado a tela em um reflexo de insegurança, e que em nem um momento lembra um príncipe.

O longa não é nada tradicional, e no início nem parece ser uma comédia romântica. O romantismo do filme é crescente, assim como a estrutura da história roteirizada por Dan Sterling (“A Entrevista”) Liz Hannah (“The Post: A Guerra Secreta”). No primeiro ato, o filme se vende como um humor mais descarado, de piadas mais rasas, mesmo que algumas vezes a mesma sejam críticas, enquanto no segundo ato o longa constrói um conto da Cinderela as avessas e no terceiro ele se entrega completamente aos clichês dos gêneros da comédia romântica. E não por acaso a trilha sonora de Roxette com a música “It Must Have Been Love” é utilizada no longa, entenda ela como uma clara referência a “Uma Linda Mulher que também se baseia no conto da Cinderela.

A escalação dos atores causou surpresa com Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”) em um filme de comédia, porém, mais correta não poderia ser a opção. Encarando o papel de uma mulher moderna e multifuncional, que sabe o que quer e alcançou um lugar de destaque na sociedade, a atriz se encaixou completamente no papel e talvez fosse ainda melhor se a personagem não fosse hesitante em algumas situações da trama. Por sua vez, Seth Rogen (“Vizinhos 2”) cai como uma luva com seu personagem, estourado e impulsivo, seu personagem rende muitos momentos divertidos. Quando Charlize e Seth se juntam em cena, como Charlotte Field e Fred Flarsky, a química, a física, o romance e a comédia acontecem das formas mais agraveis possíveis e as duas horas de filme passam rápido.

O diretor Jonathan Levine acerta no ritmo que imprime comédia com sensatez, apesar de vários clichês da comédia romântica. E  não era para menos, para o que o filme se propôs a ser o diretor ganha principalmente por ter personagens agradáveis e saber trabalhá-los em seus nuances que com o passar do tempo em tela se tornam menos rasas do que aparentam ser inicialmente.

Para quem procura uma boa diversão “Casal Improvável” é uma ótima pedida, contudo, o longa não é apenas uma simples comédia ele possui uma história inteligente por trás dos clichês e deve se apreciado por todos os públicos. E como um recado a um cinéfilo preconceituoso com o gênero, uma comédia romântica pode sim ser um bom filme e, nesse caso, com mais uma grande atuação de Charlize Theron.


Imagens e vídeo: Divulgação/Paris Filmes 

Crítica: Casal Improvável
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