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CríticaFilmes

Crítica: Fora de Série

Avatar de Mauro Machado
Mauro Machado
13 de junho de 2019 3 Mins Read

Fora de Série 1Os filmes que retratam a vida dos adolescentes norte-americanos parecem ser responsáveis pela criação de um imaginário coletivo do que deveria ser a juventude, de como deveriam se divertir aqueles indivíduos com idade entre infância e vida adulta. Grandes festas, muito álcool e cenários normalmente vindos de escolas de ensino médio americanas ou vizinhanças típicas dos subúrbios do mesmo país são imagens muito fortes que ocorrem quando pensamos nesses tipos de obra da cultura pop. “Superbad” e “American Pie” podem ser mencionados enquanto exemplos de criação desse gênero, que parece até mesmo já ter nascido saturado. Filmes girando em torno do adolescente estadunidense possuem forte tendência ao tosco, mas o que dizer de “Fora de Série”?

Diferente dos outros similares já mencionados por aqui, agora temos duas protagonistas, o que entrega certa ótica feminina as situações mostradas em tela, se distanciando do já clichê mundo dos homens. Além disso, uma das garotas ainda é homossexual, fator que agrega em termos de representatividade e que permite com que hajam possibilidades para a trama seguir que normalmente não seriam possíveis. Nesse sentido, ainda que muito do que é mostrado em “Fora de Série” seja clichê, há certo frescor que vem desses pequenos fatos e também da aposta em brincar com elementos do cotidiano da vida contemporânea, como aplicativos de carona, por exemplo. Já que existe certa química entre a dupla protagonista, dá para dizer que o filme segue com algum sucesso quando a ideia é divertir o expectador. Não é a melhor dupla já vista no audiovisual, porém é funcional.

Booksmart 5

Por outro lado, o longa não é isento de problemas e muitos deles incomodam bastante. Mesmo trazendo riso, é importante mencionar que é presente a tentativa de construir momentos mais dramáticos e com significado mais tenso para as personagens principais, o que não funciona. Soa forçado, ainda mais com um elenco que consegue levar bem o tom cômico, mas que não entrega seu contraponto fora disso. Já que esses momentos são provenientes do terceiro ato e são dosados, não é algo que chega a atrapalhar a experiência, a enfraquece. Por outro lado, é importante mencionar que também não é todo momento voltado para a comédia que funciona. Algumas delas soam muito bobas e até um pouco constrangedoras, como aquele seu amigo que sempre usa trocadilhos de duplo sentindo se achando muito esperto. Para tal recurso, é preciso de muita sagacidade, antes de mais nada.

Por fim, “Fora de Série” é divertido e consegue usar de elementos novos e interessantes para esse tipo de comédia, mesmo sendo um tanto dispensável. Enfraquece quando tenta alcançar o drama, tendo ciência disso e por isso mesmo se atendo com bons resultados a sua proposta original. É até fácil, em alguma medida, se sentir um pouco nostálgico sobre os tempos de escolas e pequenas aventuras vividas durante a adolescência. Não podemos dizer que é um grande filme, o que também não significa que tratemos aqui de uma obra absolutamente detestável. Mais do mesmo? Um pouco, mas há versões pioradas do que existe aqui.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Imagem Filmes

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AdolescenteCinemaComédia

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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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