Crítica: Contratempo

Engenhoso e inteligente. Essas palavras podem ser uma breve definição do que é o filme “Contratiempo”O longa é do ano de 2016 e foi dirigido e escrito por Oriol Paulo, diretor natural de Barcelona, na Espanha, que é reconhecido por trabalhos como “El cuerpo” e “Los ojos de Julia”.

O cinema espanhol vem ganhando espaço e destaque em filmes de suspense. O sucesso acontece por conseguir unir o contexto misterioso, com boas atuações e roteiros bem estruturados, com começo, meio e fim bem construídos. O que ocorre muito normalmente com filmes denominados de suspense, é que por mais que a ideia inicial seja boa, os realizadores se perdem na execução de um bom final.

Na tradução para o português, “Contratempo” é uma exceção do gênero e sem dúvida pode ser considerado um dos melhores filmes de mistério dos últimos anos. No entanto, infelizmente, o cinema estrangeiro ainda não tem a visibilidade que merece e boa parte das pessoas não tem conhecimento de sua grandeza.

A trama começa retratando Doria, um homem de negócios bem sucedido, acordando em um quarto de hotel com sua amante morta ao lado de milhares de notas de dinheiro. Precisando provar que é inocente, ele contrata a melhor advogada preparadora de testemunhas do país.

O longa não utiliza da manjada investigação policial, com investigadores representados na forma de super-heróis, que no fim desvendam o mistério e descobrem o bandido. Esse clichê foi solidificado por anos e anos de produções americanas que, por serem dominadoras no cenário cinematográfico, acabaram simbolizando o que deveria ser a melhor forma de desvendar a história. No lugar disso, o diretor usa de mecanismos como os flashbacks para que, através da visão de alguns personagens, as circunstâncias que fazem parte da situação sejam reveladas e explicadas. Além disso, o longa monta e remonta de diversas formas as cenas, o que contribui para confundir e esclarecer os acontecimentos que envolvem o assassinato.

A língua, por incrível que pareça, pode ser uma ferramenta que auxilia na visualização e melhor compreensão do filme para nós brasileiros. Por ser mais parecida com o português, nos permite dar mais atenção à atuação sem que os olhos fiquem presos às legendas, diferente do que acontece com filmes de outras nacionalidades. Claro que é possível vê-lo dublado mas, para muitos, a dublagem acaba comprometendo a atuação do personagem.

Falando nos atores, o elenco fica por conta de excelentes nomes. Mario Casas é Adrián Doria, um dos personagens principais, um homem rico, com uma bela esposa, uma filha e uma amante que não se importa que o caso deles seja às escondidas. O ator é um dos mais conhecidos atores espanhóis, já tendo feito filmes como “Palmeras En La Nieve”, “Tres Metros Sobre el Cielo” e “Sou louco por você”. A advogada Virginia Goodman, que ajuda Doria a se defender, é representada por Ana Wagener, conhecida por estrelar filmes como “Biutiful”, do famoso cineasta Alejandro González Iñarritu, “El Bola” e “Secuestrados”. Enquanto isso, quem dá vida à Laura Vidal, a amante assassinada, é Bárbara Lennie. A atriz é reconhecida por alguns de seus papéis de destaque como Cristina em “La Piel Que Habito” de Pedro Almodovár e outros filmes como “María (y los demás)” e “El Niño”.

Um filme impecável, com muitas reviravoltas e cenas construídas para transmitir a ideia de muita tensão emocional, “Contratempo” consegue prender o telespectador do início até o fim. O nervosismo e a ansiedade por descobrir o que realmente acontece toma conta de quem está assistindo, e o longa não decepciona e entrega um resultado excepcional com um final surpreendente. A obra está disponível na plataforma de streaming Netflix, uma ótima maneira de divulgar um cinema pouco conhecido. Não perca tempo e vá assistir essa obra-prima do cinema espanhol.


Por Manuella Neiva

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