Imagem: Divulgação/Netflix

A forma como uma história é contada provavelmente vai definir se ela é uma boa ou uma má história. A expectativa criada pelo ouvinte ou espectador, sempre influirá sobre como a história impactará sobre si, positiva ou negativamente. Ação e reação, fazem parte do jogo. Um influi sobre o outro, e ambos se complementam. O público para qual uma história será contada, vai definir sobre como você irá escrever filmar ou produzir sua obra. Da mesma forma, o público que buscará a sua história, o fará por interesse ao assunto contado. Mas o isso tem a ver com a temporada final de “Dark”? Causa, efeito, ciência e teorias, além de uma pitada de analogia a vida que levamos, é disso e mais que se trata essa série.

Sobre o peso de novas descobertas que se sobrepõe a todo momento, se desenrola o terceiro e derradeiro capítulo de “Dark”. Se nas temporadas anteriores poucos conheciam a série alemã (que por sua vez não tinha tanta divulgação pela Netflix) agora a série estreia, considerada por muitos a melhor produção no formato para o streaming.

contramão de quase tudo que hoje se produz, “Dark” foi concebida, cuidada e entregue para ser um história com começo, meio e fim. Tudo muito bem definido e amarrado, até mesmo nas respostas não dadas.

Dessa forma, enquanto os personagens ganham ainda mais profundidade, um novo mundo é apresentado na terceira temporada. Mas sem a usual formula onde tudo vai se resolvendo e se encaixando quando uma história se aproxima do fim, “Dark” nos confunde ainda mais, nos engana e densifica a trama, até o ultimo episódio. No entanto, não se engane, as resposta, ainda sim, podem ser interpretativas. E, algumas se quer são dadas ou simplesmente ficam implícitas.

A ideia de quebrar o nó, que conecta mundos e também conecta épocas faz com que  Ronny Schalk, criador da série, possa montar e desmontar tudo que aprendemos sobre o que já assistimos. Ao passo que o mesmo explica com conhecimentos científicos os “porques” dos fatos vistos e das reviravoltas. A viajem no tempo, a teoria das cordas, os vários possíveis universos, multiversos, ação e reação, são muitos aspectos a se ter atenção.

O roteiro conta a história, quase que por completa, sob a ótica de Jonas (e agora também de  Marta). Ou seja, a todo momento sabemos o que eles sabem. Isso nos instrui como os protagonistas a descobrir, ao mesmo tempo que nos dá dicas limitadas. Dessa forma somos sempre surpreendidos. Quando achamos que sabemos, o próximo passo nos derruba e nos faz aceitar que não sabemos absolutamente nada.

Em termo técnicos, “Dark” apresenta todos os aspectos positivos que já haviam se destacado em temporadas anteriores. Começando pelo elenco, que além de extenso é extremamente bem escolhido – não apenas pelos personagens que precisam ter versões de si mesmo em diversas idades e agora também em diferentes mundos, mas também por disporem de atuações no mínimo marcantes e expressivas. E isso tem uma mão fundamental da direção de Baran bo Odar e Ronny Schalk. Esses também pesam a mão nas transições que levam de uma fase a outra da história, descentralizando a história em apenas uma fase da vida dos protagonistas, como foi de costume nas temporadas anteriores.

Enquanto a isso a direção de arte em conjunto com a fotografia, criam climas sombrios e variados para as diferentes épocas e mundos. E em tudo que nos mostram trazem algo sensitivo, repletos de símbolos com significados que vão de religião a ciência. Há um uso forte de tons acinzentados e nevoa, principalmente no segundo mundo, trazendo um aspecto pesado para as cenas. Por sua vez, a trilha sonora se mantem eficaz na criação de clima e quase sempre precede uma descoberta ou acontecimento de importância, ou serve de fundo durante passagens que transitam em diversos momentos da vida dos protagonistas e outros personagens.

Por fim, como expressado anteriormente, uma história só será bem aceita a depender de como é contada. O cinema, a tv, entre outros estão repletos de histórias complexas que não se sobressaem por ficarem presas a nichos, ou nem a esses criam interesse. E, talvez seja nesse ponto que “Dark” possui seu maior diferencial, pois mesmo trazendo aspectos densos de conhecimento cientifico, além de uma trama extremamente complicada, com inúmeros personagens, os dramas que a história apresenta são acessíveis a qualquer público e influem sobre os fatos, não é só viagem no tempo e espaço, é amor, é traição, são perdas. Tudo isso se mostram tão importante quanto a ciência, pois servem de impulso nas motivações. Ou seja, a série se torna complexa, porém completa para todos as pessoas que gostam ou não do tema “principal”. Além instigante e em alguns aspectos, didática. Assim sendo, não é exagero dizer que “Dark” é uma das, se não a melhor coisa já feita nos últimos anos.


Imagens e vídeo: Divulgação/Netflix


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Crítica: Dark

4.9
Ótimo!

O apocalipse está acontecendo em Winden. Após descobrir que Martha (Lisa Vicari) pertence a uma realidade paralela, Jonas (Louis Hoffmann) precisa entender como essa versão da pequena cidade alemã pode interferir em seu próprio destino. Já os que continuam na realidade até então conhecida buscam uma forma de quebrar o ciclo, que agora modifica não apenas o tempo, mas também o espaço. São dois mundos complementares, divididos entre a luz e a escuridão.

Direção
Roteiro
Episódios
Atuações
Pros
  • Encerra a série com maestria, mantendo o formato complexo que marcou as temporadas anteriores.
  • Novamente apresenta excelente atuações, se destacando os protagonistas.
  • Traz conhecimentos científicos complexos e instiga a buscar conhecimento para entender.
Cons
  • Se você espera respostas mastigadas, essa não é uma série para você.
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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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