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Crítica

Crítica: Dois Amantes e Um Urso

O gélido deserto das relações humanas
 

18-dois-amantes-e-um-urso-6-9Não importa o quanto você fuja, seu passado estará presente com você e a única maneira de supera-lo, quando traumático, é encontrar sua força interior e reconhecer sua própria dor. É com base nessa filosofia de boteco que, muito influente na psicanálise, serve como gatilho para o drama, ou comédia, ou romance, canadense “Dois Amantes e Um Urso”.

Passada em uma cidadezinha no polo norte, o longa nos dá a perspectiva de um casal, Lucy (Tatiana Maslany) e Roman (Dane DeHaan) durante alguns dias de convívio, romântico e turbulento, entre eles. Quando Lucy é aceita em uma faculdade para estudar biologia, ela e Roman se veem obrigados a aceitarem o fim da relação. Porém, ele não concorda com a ideia de deixar a amada partir e faz a proposta de uma roadtrip para o sul, atravessando o deserto de gelo, para ficarem juntos.

O roteiro e a direção do filme são do canadense Kim Nguyen, que tem uma proposta interessante, mesmo clichê, que consegue nos despertar alguns questionamentos, mas nada que fique marcado em nossa memória. Seu maior feito dentro desse projeto, em ambas as funções, é dar personalidade aos personagens e à atmosfera em que vivem. Embora seja um grande “vazio” gélido, que impregna a tela, a sua maneira consegue dar destaque ao frio ambiental contrapondo ao calor das relações humanas.

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De forma inusitada ele ainda acrescenta um personagem extra e que poderia soar completamente nosense à trajetória e de certa fora até ficou, mas de forma positiva. O urso serve como uma unidade onírica para a representação da consciência de Roman e dá um tom cômico ao drama vivido pelos protagonistas. Ele é uma faca de dois gumes: Ao mesmo tempo que serve como quebra de tensão, ele também se torna uma imagem muito representativa, dadas as circunstâncias e o humor inserido, fazendo que o expectador perca a força da dramaticidade e se desnorteia emocionalmente.

A partir desse urso, com a dublagem carismática de Gordon Pinsent, podemos elogiar o trabalho dos efeitos visuais na criação dessa lúdica persona. Por mais que saibamos que é uma computação gráfica, o trabalho de articulação e textura ficaram excepcionais.

Dois Amantes e Um Urso

Sem saber se alegra ou se emociona, o filme tem uma das mais belas e arriscadas fotografias. Quando se trabalha com neve, devemos sempre lembrar que ela é branca e branco reflete, podendo estourar facilmente a fotografia. Nicolas Bolduc, responsável pela direção de fotografia acerta em cheio, nos dando uma imagem nítida, real e deslumbrante de toda a ambientação. Vale ressaltar que quando o filme foi visto, o cinema em si não conseguiu expor tamanha beleza, uma vez que o filme ficou um pouco escuro e amarelado.

Outra questão oscilante na narrativa do filme é a trilha sonora de Jesse Zubot. Numa mistura de suspense e aventura, as músicas conseguem ser um destaque valioso para alguns momentos, enquanto em outros casos o silencio seria muito mais interessante para dramatizar os acontecimentos. As músicas só não nos levam ao melodrama pelo fato de Zubot ter sido perspicaz em visualizar os personagens de uma maneira mais real e menos lúdica.

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Tatiana Maslany, que podem acompanhar seu trabalho com mais frequência na série “Orphan Black”, nos entrega uma Lucy forte e envolvente, embora fragilizada pelo seu “sombrio” passado. Já Dane DeHaan traz um Roman emocional, por vezes transtornado, mas sendo uma figura envolvente. Ambos conseguem boas atuações e nos agracia com uma ótima química.

“Dois Amantes e Um Urso” ou “Two Lovers and a Bear”, em inglês, é um filme regular, que não supera a expectativa, mas consegue cativar à sua maneira. Embora o final seja premeditado desde o trailer, temos algumas surpresas em seu decorrer que o fazem valer a pena, mesmo não sendo um filme para ver mais de uma vez ou tê-lo em casa.

*O longa ainda não possui trailer com legenda em português, nem data de estreia no Brasil. Produção vista durante o Festival do Rio 2016.

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Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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