Crítica: Egon Schiele Morte e a Donzela

Uma coisa a se notar sobre as críticas de cinebiografias é o fato de que dificilmente se aborda o filme sem se falar sobre a vida do biografado. Isso em particular me incomoda, pois em alguns
casos a crítica acaba deixando de ser uma análise sobre o filme como obra isolada e passa a ser uma comparação de filme, em como os eventos que o filme se baseia versus a opinião do crítico sobre o autor e sua obra. Então eu aproveitei a chance de ter visto  um filme sobre Egon Schiele, de quem eu mesmo só conhecia os quadros, e me desafiei a não pesquisar nada sobre a vida do artista antes de terminar o meu texto.

O filme nos traz o jovem e talentoso Egon Schiele (Noah Saavedra), que conduziu sua vida e obra de acordo com as mulheres que o cercavam, como Gerti (Maresi Riegner), sua irmã mais
nova e primeira musa, e Wally (Valerie Pachner), paixão de sua vida, eternizada na famosa
pintura “Morte e a Donzela”.

Utilizando uma estrutura narrativa à la “Jogo da Imitação”, o filme começa no fim da vida de Egon, e através de diversos flashbacks, vai nos levando aos momentos mais importantes de sua
vida, o que acarreta no maior erro do filme: tentar abordar todos esses momentos, sem dar o devido impacto emocional para cada um deles. Isso é muito visível nos relacionamentos do nosso protagonista com suas musas. Estes, quando não sofrem por serem muito abruptos – vide o que acontece com a personagem Moa – sofrem por terem de ser reduzidos, no problemático roteiro de Dieter Berner, que também é diretor do filme.

Outro problema na abordagem de Berner é a própria obra de Egon, que acaba sendo engolida no filme, em pró dos relacionamentos que as geram. E o diretor parece ter a noção do quão superficial é sua abordagem da obra do artista, já que joga para os diálogos a responsabilidade de elucidar as mudanças no estilo de Egon, bem como o fascínio que o público deveria sentir pela arte em si, mas que o filme não tem tempo de construir.


E se se Berner não se esforça para trazer novos elementos para a a estrutura do filme, e falha na composição dos relacionamentos, o mesmo não pode ser dito de seu senso estético para a direção das cenas, desde uma cena em zenital de um quarto, aos tracking shots que nos levam de um cômodo para o outro. Ainda tem a montagem, que prepara o espectador para mudança de tempo nos dando indicativos do estado do personagem na próxima cena, como na cena em que antes de voltarmos para Egon doente, a câmera para em uma planta que está morrendo,
dando uma fluidez poética ao filme.

Visualmente poético e com um senso artístico afinado, a tentativa falha do diretor Dieter Berner, de abordar os pontos mais importantes da vida do artista título pode cair nas graças de quem já conhece a sua vida e vai ler essas tentativas como piscadelas, mas como eu já disse no começo do texto, eu não sou uma dessas pessoas.

Crítica: Egon Schiele Morte e a Donzela
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