Crítica: Espírito Jovem

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Uma tímida jovem de uma ilha isolada no interior do Reino Unido sonha em se tornar uma cantora Pop. Quando a chance de seguir seu sonho surge, a jovem, por conta de sua família polonesa e de sua mãe conservadora, acaba formando uma amizade improvável com um cantor de ópera amargurado que decide ajudá-la a ganhar o concurso de música mais importante do país.

“Espírito Jovem” é um exemplo clássico do gênero “adolescente perseguindo seu sonho”. Ainda que o roteiro escolha não se aventurar em situações que fujam das convenções próprias desse tipo de filme, em momento algum a história se torna desinteressante e desvaloriza seus personagens. Muito pelo contrário, se manter nessas convenções auxilia o espectador a entender melhor como os acontecimentos irão afetar de maneiras diferentes cada um dos personagens. Há, sim, algumas reviravoltas e quebras de expectativas no decorrer da história, que até chegam a fazer com que o público não faça mais ideia de para onde o filme seguirá, porém são rapidamente resolvidas, e assim o projeto segue seu caminho normal. No entanto, se manter dentro da fórmula desse gênero não chega a ser um demérito, já que o filme não se propõe a nada além de mostrar os desafios da busca por um sonho.

Um mérito real a ser citado é a química na interação entre a jovem insegura, que vive solitária, Violet Valenski, interpretada por Elle Fanning, em uma pequena cidade do Reino Unido, com um cantor de ópera fracassado e bêbado, interpretado por Zlatko Buric, que vê o talento de Violet e aceita ajudá-la a participar do concurso, o que vai de uma simples troca de interesses a uma relação entre amigos que de fato se importam um com o outro.

O roteiro não perde tempo em estabelecer a relação entre os dois personagens, e já nos primeiros minutos cria uma situação plausível para uni-los que transmite naturalidade e imediatamente determina a função dos dois na história. Contudo, esse não se preocupa em dar um tempo maior de tela para que essa amizade seja melhor desenvolvida, assim como não dá um maior foco à dificuldade do concurso (pelo menos não até metade do segundo ato).

Além da boa atuação de Fanning, que compõe uma personagem completamente diferente da alegre e sorridente Aurora, em “Malévola” (2014), e convence em mostrar principalmente a insegurança de sua personagem, com olhares sutis e expressão quase sempre séria. O talento da atriz para a música é de uma impecabilidade tamanha que varia de um talento natural (porém inexperiente) para uma voz poderosa perfeitamente. Tal talento só não pôde ser melhor explorado por causa da escolha da produção em fazer o uso de playbacks, ao invés de optar pelas performances ao vivo.

A direção de Max Minghella teve seu maior acerto ao explorar, em boa parte do filme, os sentimentos da protagonista, seja na escolha de mostrá-la sozinha através de planos abertos para elucidar a solidão e insegurança da personagem, planos fechados para mostrar a sutilezas das expressões no rosto de Violet, e especialmente pelo uso de um plano longo no terceiro ato que não possui nenhuma trilha sonora e opta por manter certos ruídos, para enfatizar o nervosismo da personagem por todo o caminho percorrido por ela até o grande clímax do filme.

Unida ao trabalho de direção, a fotografia teve seu destaque principalmente na escolha das cores e na composição das cenas, que complementam o estado de espírito da personagem e são a chave para criar a identidade visual do filme. A edição do mesmo teve seu destaque, junto com a direção, por escolher estender o plano do terceiro ato citado anteriormente, e também por pequenas sutilezas na edição de som, como, por exemplo, uma rápida brincadeira com dois fones de ouvido.

Apesar de ter uma estréia tão tímida quanto sua protagonista, “Espírito Jovem” diverte, inspira e emociona o público com uma história simples, personagens cativantes e performances musicais muito bem apresentadas.


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Crítica: Espírito Jovem
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