Crítica: FIFA Gold Stars

Em ano de Copa do Mundo, há sempre filmes, documentários e reportagens especiais que contam um pouco da competição esportiva mais popular do planeta. Entre risos e lágrimas, as narrativas partem do princípio de apresentar a história como algo além das quatro linhas do gramado. É o grito da torcida, a reação dos jogadores e os momentos de glória ou de decepção. Em comemoração aos 85 anos da Federação Internacional de Futebol, mais conhecida como FIFA, o documentário “FIFA Gold Stars” foca em apresentar os grandes momentos da história da competição, dos jogos e jogadores.

A primeira coisa que se repara é ausência de cronologia na escolha dos fatos. Logo, o documentário não é uma obra sobre toda a história da Copa do Mundo, edição a edição. A narrativa é dividida em quatro pontos principais: fatos, ícones, grandes jogos e top 10. No primeiro, são citadas informações, por exemplo, dos jogadores mais partidas em Copas disputados, dos maiores artilheiros da competição e até do goleiro que mais tempo ficou sem sofrer gols. Em ícones, o destaque vai para os personagens que se destacaram durante as competições. Em grandes jogos, o foco está em partidas que entraram para história da competição, seja pela qualidade técnica, emoção ou os acontecimentos durante o confronto. No Top 10, há uma gama de categorias abordadas, como “gols de falta”, “gols de cabeça” e defesas. É importante ressaltar que esses tópicos estão espalhados durante todo documentário.

Apesar de o foco principal ser a Copa do Mundo de futebol masculino, as outras categorias e divisões também tiveram seus respectivos destaques. As atletas e seleções que fizeram história nas disputas da Copa do Mundo de futebol feminino, da Copa do Mundo sub-17 e 20, de Futsal, de Areia e também dos jogos FIFA.

Como toda obra que envolva a escolha de momentos para formar listas, “FIFA Gold Stars” também passa por seus questionamentos. Sem dúvidas, quem assistir o documentário vai se reparar com a seleção de um fato considerado polêmico. Na categoria “vilões”, a escolha do atacante Suarez – expulso no jogo contra Gana pelas quartas-de-final da Copa do Mundo África do Sul 2010, depois de colocar a mão na bola – como um dos nomes na lista negra da história da competição é no mínimo contraditório. Para quem não assistiu a partida ou mesmo não viu o lance, a atitude do uruguaio pode ser condenável. Contudo, ao analisar o contexto, a ação do jogador está muito para um ato de heroísmo do que vilanismo. Ao impedir a entrada da bola no próprio gol, Suarez garantiu uma sobrevida a sua seleção no mundial, já que o gol eliminaria o Uruguai. Como consequência, Gana perdeu o pênalti e a seleção azul-celeste classificou-se para a semifinal da competição. Então, o questionamento que fica é: Suarez não seria mais um herói do que um vilão? Para FIFA, parece que não. Ponto falho da equipe de produção.

Em quase três horas de documentário, “FIFA Gold Stars” é um prato cheio para quem ama história e futebol. O filme apresenta diversos momentos das histórias das Copas, que ajudam a trazer um grande sentimento de nostalgia para quem viveu cada um daqueles momentos. Brasil, Itália, Alemanha e Argentina estão com um pouco maior de destaque por conta de serem os maiores campeões do torneio. Mas isso não atrapalha a experiência de quem quer curtir os grandes fatos históricos do futebol, com imagens exclusivas diretamente do acervo da FIFA.

Há dois meses do início da competição, o filme é um ótimo aquecimento antes da mundial. A Netflix vai disponibilizar o longa em três episódios de 1 hora cada.

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