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Crítica: Game of Thrones (7ª Temporada)

“Quando a neve cai, e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive”

Justiça seja feita, o nível de expectativa a cada temporada de “Game of Thrones” só cresce. Sendo assim, é de se esperar que o número de fãs insatisfeitos sejam tão grande quanto o de satisfeitos. Além de preferências pessoais, o sétimo ano da série apresentou mais problemas do que deveria. Ainda assim, seus sete capítulos tiveram diversos momentos memoráveis e provou mais uma vez a força de seus personagens e suas jornadas.

Para tirar de uma vez o elefante branco da sala, precisamos falar do roteiro. Como já foi dito durante as recaps das últimas semanas, esse foi de longe o grande problema da temporada. Embora não tenha sido tão irregular quanto o quinto ano, o sétimo teve diversas inconsistências que poderiam, de fato, ter prejudicado o andamento da trama, desde o ritmo mais acelerado dos acontecimentos, as situações específicas como um todo, o desenrolar do plano suicida comandado por Jon Snow e o modo como algumas revelações fundamentais foram praticamente jogadas para o público.

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Problemas de roteiro são os primeiros a incomodar e os mais difíceis de esconder. Em casos como “Game of Thrones”, que conseguiu manter um nível acima da média, essa questão é ainda mais alarmante. Ainda assim, apesar de algumas escolhas questionáveis, o encaminhamento final fez sentido e conseguiu passar por cima dos pontos fracos.

Dois aspectos, porém, permanecem nos surpreendendo a cada temporada – essa não foi exceção: a grandiosidade de sua história e o carisma de seus personagens.

No caso do primeiro item, a escolha de locações, os figurinos (obra da merecidamente badalada Michele Clapton), a fotografia e a direção de arte vêm evoluindo e se adaptando a cada novo ano, reformulando elementos já conhecidos. Os dragões, por exemplo, nunca foram tão bem aproveitados. O ataque de Daenerys no quarto episódio foi um dos momentos mais trágicos e magníficos de toda a série, e foi bem acompanhado pelo resgate no episódio 6, e os momentos finais da/na Muralha. Cenas menores, como o ataque do urso além da Muralha e o caminhante branco em King’s Landing, Arya se passando por Walder Frey, também impactaram. Game of Thrones é um exemplo excelente de equilíbrio entre os aspectos de efeito prático e do CGI, onde seu orçamento parrudo é bem aproveitado sem parecer supérfluo.

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Contudo, as grandes estrelas continuam sendo os personagens e seus intérpretes. Agora que se encaminha para sua conclusão, a série tem deixado de lado as intrigas palacianas e focado em questões mais práticas. Embora os diálogos mais requintados façam falta, o humor e a emoção que caracterizam o programa continuam presentes.

O esperado encontro de Daenerys e Jon Snow causou um certo estranhamento, de início, mas com o passar dos episódios, foi se construindo e fazendo sentido. Foi maravilhoso rever o lado verborrágico de Tyrion, assim como o reencontro do personagem com Bronn, Podrick e seus irmãos, e o retorno das crianças Stark para Winterfell. O último episódio, que conseguiu reunir quase todos os personagens dos núcleos remanescentes, trouxe reencontros divertidos como o de Brienne e o Cão de Caça, e outros extremamente relevantes, como Brann e Sam.

Depois de sete anos de série, é gratificante ver como os atores dominam e conhecem seus personagens, tanto aqueles que se destacam, como Peter Dinklage e Lena Headey, quanto aqueles não tão brilhantes, como Emilia Clarke. Também foi gratificante ver o progresso de personagens como Sansa, Arya e Jaime, que depois de tanto tempo “estacionados”, tomaram o rumo da própria jornada.

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Foi Sansa inclusive que decretou o grande tema dessa temporada, com sua frase que fechou o primeiro trailer e é o título dessa crítica. Dita na última cena das meninas Stark, ela representa porque os membros da família Nortenha são os “heróis” de “Game of Thrones”, e nos relembra o verdadeiro mal a ser enfrentado: o Inverno, e tudo que ele traz consigo.

Não é a toa que a primeira cena de “Game of Thrones” – aquela que introduziu o universo da série para o público – seja a dos patrulheiros sendo atacados pelos Caminhantes. As sucessivas lutas pelo Trono de Ferro não são nada diante da própria mortalidade humana, de nossas fraquezas, e da passagem do tempo. Um inimigo como os zumbis de gelo é tão ameaçador justamente porque não se submete a nenhuma dessas coisas.

Diante do irremediável,  o que realmente importam são a memória – o outro grande tema da temporada – e as relações que estabelecemos, sejam aquelas espontâneas, como Jon e Dany (ou Raeghar e Lyanna), as que precisam maturidade, como a de Arya e Sansa, e aquelas que se tornam tóxicas, como Jaime e Cersei. Compreender o poder desses laços é o que garantirá a sobrevivência na Longa Noite que se aproxima.

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Sua formação é em cinema, e os interesses incluem televisão e quadrinhos. Nas horas vagas, faz tirinhas.

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