Um drama familiar nada convencional

“A Glória e a Graça”, traz nos papéis principais as atrizes Sandra Corveloni (Graça) e Carolina Ferraz (Glória). Após descobrir que tem um aneurisma fatal, Graça precisa de alguém para cuidar de seus filhos e entra em contato com seu único irmão, Luis Carlos, que não vê há 15 anos. Só que Luis Carlos, agora é Glória e a trama se constrói a partir dessa aproximação indesejada.

O roteiro é feliz em não focar na mudança de sexo de Glória mas, sim, nessa aproximação inesperada e no resgate dessa relação familiar interrompida no passado. O filme tem uma abordagem progressista e humana, apesar de Glória e Graça, terem demandas reprimidas em relação a uma e a outra. Mikael Albuquerque e Lusa Silvestre entregam um roteiro bem construído. A narrativa vai nos mostrando sem pressa as rachaduras desse relacionamento entre as irmãs e a sutil entrada de Glória na rotina da família.

A direção de Flavio Ramos Tambellini é precisa, mostrando com sucesso um ambiente carioca familiar e deixando os atores à vontade na pele de seus personagens.

A escolha de um ator transgênero, provavelmente teria sido uma mais acertada para dar voz na prática, e as questões em que o filme toca. Porém, Carolina Ferraz, está radiante no personagem que, talvez, seja o maior personagem de sua carreira. O seu retrato de Glória, uma travesti de classe média, que viveu na Europa e atualmente é dona de um restaurante em Santa Teresa, Rio de Janeiro, é perfeito. Os trejeitos, o tom de voz são minuciosamente preparados e articulados pela atriz que, se não fosse conhecida do grande público, passaria facilmente por uma atriz transgênero, enganando o público com todo o seu talento e preparação.

O visagismo merece aqui um destaque. Lançando mão de prótese dentária, maquiagens especiais e peruca, acerta em cheio na caracterização de Glória, dando o toque final para Carolina roubar a cena. Já Sandra Corveloni, como Graça, uma mulher que descobre uma doença fatal que lhe deixa pouco tempo de vida, deixa a desejar. Na tarefa de trazer a tona toda a avalanche de sentimentos cruzados pelos quais a personagem está passando, Sandra, na maioria das vezes super interpreta o texto, perdendo a naturalidade em frente às câmeras mas, ainda sim, tem seus momentos sublimes. César Mello, nas suas poucas aparições, é sempre bom de se ver. Natural e seguro na pele do viajado músico jazz, boa praça e sem preconceitos.

A fotografia de Gustavo Hadba e a trilha sonora do filme, dialogam muito bem, ajudando a contar a história desse belo e surpreendente reencontro familiar. “A Gloria e a Graça” estreou no dia 30 de Março. Confira o trailer:


Por Thiago Pach


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1 thought on “Crítica (2): A Glória e a Graça

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