11 de dezembro de 2019

Considerar “Greenhouse Academy” do mesmo gênero que icônicos programas como  “Hannah Montana”, “Zack e Cody: Gêmeos em ação” e afins é, no mínimo, uma ofensa para tais clássicos. A falta de conexão de pontos principais e a inexistência verossimilhança com qualquer realidade possível fazem desta série a última opção até para as crianças – que, apesar de pouca idade, são bem mais inteligentes e maduras que a trama.

A história começa com a explosão da aeronave em que a mãe dos gêmeos Alex e Hayley Woods estava. Com tamanha tragédia e querendo seguir os passos maternos, Alex Woods (Finn Roberts) resolve fazer a prova para entrar no Greenhouse Academy, um colégio interno completamente diferente dos demais, porém bastante competitivo. Após conseguir uma vaga, o aluno tem a opção de se juntar a duas casas: os Eagles, que seriam os esportistas e as cheerleaders ou os Ravens, que são os mais intelectuais e ligados à tecnologia.

Como Alex gostava de basquete, entrou para os Eagles. Já Hayley (Ariel Mortman), que, inicialmente, tinha horror ao método da escola, acaba entrando por uma proposta do diretor e se junta aos Ravens. Em casas opostas, quase como uma tentativa fajuta de Hogwarts, os dois irmãos precisarão se desprender e saber que suas lealdades, a partir deste momento, deverão ser de seus devidos times.

A ideia, em si, da narrativa ser desenvolvida em um colégio interno agrada a boa parte do público. Afinal, morar no mesmo lugar que seus amigos, inimigos e não ter que se locomover até sua escola, é realmente atraente – principalmente, por existir momentos que não seriam possíveis se todos morassem em casas diferentes. Contudo, a questão da má formação neste caso é de que os moldes da escola são surreais.

Em mais da metade dos episódios da primeira temporada, não tem aula e, se tem, a tarefa é similar a alguma dada para uma criança de 5 anos. Além disso, só existem cerca de 20 alunos, divididos igualmente entre as duas casas e em que todos dormem no mesmo dormitório, tendo meninos e meninas misturados. Como é possível adolescentes de 16 anos dormirem todos juntos? Desde 2004, “Rebelde” já demonstrava um bom exemplo, com a ala das meninas e dos meninos. Não é questão de valores mais conservadores ou não, mas as regras reais de convivência não são assim.

Ainda podendo acrescentar na lista, como que veteranos e calouros têm as mesmas disciplinas, sendo que os conhecimentos não estão nivelados? Tudo bem. Para fazer uma atividade em que somente é preciso resumir o personagem Woody de “Toy Story” em uma única palavra não é nenhuma habilidade difícil, mas essa tamanha desorganização das classes entra também como um ponto a ser considerado.

Não é porque a série é destinada a crianças, que a linguagem e o resto dos componentes devem ser de tamanha infantilidade. Com tantos exemplos bem-sucedidos de cerca de 10 anos atrás, não teria motivo para retardar o diálogo e fazer com que alguém de 6 anos seja mais sensato que os personagens da série.

Obviamente, existem furos nos sucessos da Disney, Nickelodeon e etc, mas faziam parte da margem de erro. Já “Greenhouse Academy”, mesmo que tenha feito sucesso para haver uma segunda temporada, não é um produto digno de sessão da tarde. Além de episódios curtos demais para desenvolver uma ideia boa, mesmo juntos, não dão o conforto de uma obra bem realizada.

Disponível desde o ano passado na Netflix, a criação de Giora Chamizer é baseada em uma trama similar israelense. Em ambas as temporadas, há o total de doze episódios em cada. Nomes como Nadine Ellis, conhecida por “Hairspray” e “Duro de matar”, e Jessica Amlee, que participou de “Heartland”, são recorrentes na série.

Confira o trailer abaixo:

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Morg Melo

É da Cidade Sorriso e, sim, sorri de uma ponta a outra olhando para o Rio de Janeiro que, claro, continua lindo. Ama filmes de comédia romântica e suspense, chora em alguns - até porque chora, inclusive, em comercial de TV -, não curte nem um pouco terror e defende com unhas e dentes seus personagens preferidos das suas séries. Geminiana e... isso já diz tudo.

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