Critica: John Wick 3 – Parabellum

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É realmente uma pena que hoje em dia os filmes de herói acabam ofuscando outros blockbusters. Apesar da Marvel produzir, em grande maioria, filmes esquecíveis, o fato deles estarem conectados entre si serve como chamariz de bilheteria e acaba monopolizando atenção do público em geral, fazendo assim com que franquias como John Wick acabam não chamando a atenção merecida.

Começando momentos após o capítulo anterior, o novo filme acompanha o lendário John Wick (Keanu Reevis) em sua jornada para sair de Nova York enquanto tem sua cabeça a prêmio por ter sido expulso da antiga organização em que atuava como assassino.

A escolha de começar o com uma clássica “corrida contra o tempo”, dá uma clara vantagem rítmica em relação ao seu antecessor – desde o início da projeção há uma energia dinâmica na montagem que permeia todos os 130 minutos. É até engraçado que o filme nunca fique enfadonho ou repetitivo, já que sua lógica de funcionamento é bem simplista.

O negócio com “John Wick 3: Parabellum” é entender que ser simples não é necessariamente um problema. Muitos longas norte americanos de ação tem caído em uma preguiça estética e temática (vide qualquer um diferentes filmes estrelados por “The Rock” no ano passado), fruto de um mundo “pós Marvel” no qual personagens masculinos sobre humanos se envolvem em grandes tramas que rodeiam aprimoramento genético. Faltava uma narrativa que conseguisse mesclar um frenesi rítmico com um minimalismo quase contemplativo. E é esse um dos grandes méritos do terceiro capítulo da franquia, o equilíbrio entre esses dois elementos.

E como se isso já não fosse incrível por si só, a direção de arte e o roteiro conseguem criar situações que têm vão além do microcosmo particular da franquia, aplicando iconografias visuais anacrônicas que remetem a subgêneros como western e até filmes de samurai (como a cena em que ele foge a cavalo, dentro de uma realidade urbana).

Contribuindo ainda dentro desta variação, a direção fotografia consegue transitar entre os mais diversos ambientes e criar uma atmosfera própria para cada um. Se em um momento temos um plano sequência envolvendo cachorros em uma mansão árabe, em outra estamos nos sentido sufocados em um corredor de biblioteca.

O trabalho da direção em conseguir criar novidades já num terceiro filme é louvável. Chad Stahelski, que também assina os capítulos anteriores da franquia, tem um controle excepcional dos elementos da mise-en-scene – bem como do tom predominante ao das cenas. O humor pontual usado por ele, diz muito sobre a personalidade de seus personagens e os objetos que compõem o ambiente. Além, claro, de sua confiança no elenco.

Esses que por sua vez são bem consistentes, mas não trazem nada que já não tenha sido apresentado antes – com exceção de Halle Berry que consegue imprimir (mesmo que com pouco tempo de tela) um melodrama momentâneo, e uma relação interessante com o protagonista. Keanu Reeves parece ficar mais convincente como um assassino aposentado, seu controle de equipamento tático é assustador e ainda mais assustador é sua fisicalidade que convenceria qualquer um de sua capacidade com artista marcial

Com uma estética muito própria e um ótimo controle dos dispositivos de gênero “John Wick 3: Parabellum”  é um respiro na fórmula da ação atual.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Paris Filmes

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