8 de dezembro de 2019
Um novo rumo para franquia

A história de “Jurassic World – Reino Ameaçado” se passa 3 anos após o filme anterior (” Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”). Os dinossauros agora vivem livres na Ilha Nublar após o Jurassic World ser abandonado devido aos eventos com a Indominus Rex. Mas como descrito já por Michael Crichton no primeiro livro, de 1990, a ilha é vulcânica e esse vulcão agora entra em atividade colocando em risco a vida dos últimos dinossauros existentes. Claire Dearing (Bryce Dallas) agora uma ativista pró dinossauros está buscando apoio para resgatá-los e redimir-se da culpa que ela carrega consigo. A partir desse ponto a história se desenrola de uma forma completamente nova e nunca vista antes na franquia Jurassic Park/World.

O roteiro do filme é o ponto fraco. Colin Trevorrow e Derek Connolly conseguem fazer os fãs admitirem coisas que antes causavam aos mesmos repúdio, por exemplo: os raptores treinados e dinossauros híbridos, mas não conseguem desenvolver um roteiro onde a história não esteja previsível e com erros fáceis de serem detectados. A falta de cuidado na forma como as coisas se desenrolam incomodam, fica uma sensação de que queriam correr com o filme em alguns pontos e, assim, o clímax perde a força por não poder ser digerido pelo espectador. Outro complicador é que ficou perceptível que algumas cenas foram cortadas principalmente na primeira metade, o que talvez prejudicou a continuidade da história.

A direção por sua vez salva a produção, é impressionante como J. A. Bayona conseguiu colocar a cara dele e trazer um novo tom à franquia. Apesar de utilizar de muitas referências dos filmes anteriores, o tom desse filme consegue ser totalmente diferente, o suspense e a tensão se fazem presente durante todo o filme, talvez ter Bayona como diretor tenha sido o maior acerto do filme.

Michael Giacchino surpreende a não se prender em nada a trilha clássica da franquia e é correto ao fazer isso. O filme leva a franquia a novos rumos. O tom de suspense não se encaixava nas trilhas emocionantes ou aventurescas dos filmes anteriores, então Giacchino nos impressiona com uma trilha forte e pesada que compõe perfeitamente a direção. Alguns poucos temas conhecidos são utilizados de forma sutil e no fim você percebe que não faria diferença utilizá-los ou não, o filme é diferente e pede essa nova trilha imposta.

Em questão visual o filme consegue ser o mais impressionante da franquia, tudo está muito real e palpável. Acertaram quando optaram em mesclar nesse, assim como era feito na trilogia original, animatrônicos mais CGI coisa que o último não fez e foi muito criticado por isso. A fotografia está impecável e vale destacar algumas cenas como a de despedida da ilha, o parque destruído e algumas cenas finais do filme.

Estão de volta nessa produção, Claire Dearing (Bryce Dallas) dessa vez uma personagem menos apática e mais forte que tem uma relação ainda conturbada com Owen Grady (Chris Pratt) que é carismático como sempre e faz um excelente trabalho principalmente junto a velociraptor Blue, outro retorno é Henry Wu (B. D. Wong) que apesar de ser remanescente do filme original não deslanchou ainda seu personagem e mais uma vez tem uma participação curta ao contrário de Ian Malcolm ( Jeff Goldblum), que apesar do curtíssimo tempo de tela passa seu recado com um discurso genial, digno de Michael Crichton. E temos a inserção de novos personagens a história, são eles Zia (Daniella Pineda) e Franklin (Justice Smith) dois personagens que se encaixam bem na e conseguem desenvolver de forma sucinta o que se espera deles, temos também Wheaton (Toby Jones) e Mills (Rafe Spall) os dois vilões que se não são geniais não atrapalham a trama, Benjamim Lockwood (James Cromwell) que nos remete muito ao personagem de John Hammond e nos traz uma conexão com o primeiro Jurassic Park que é muito legal de ver em tela, por último e certamente a melhor aquisição em questão de personagem temos a menina Meise.

Todos os dinossauros têm um bom tempo de tela, vale destacar carnotauro, baryonyx e alossauros, que eram muito esperados pelos fãs, estão impressionantes no filme. E pela segunda vez temos um híbrido na franquia, Indoraptor, uma versão menor e mais inteligente da Indominus Rex que se não tem um papel grandioso na historia como sua “irmã”, quando está em cena cumpre perfeitamente o que se espera. Blue agora é um dos destaques da franquia assim como a Rexy, ambas conseguiram conquistar os corações dos fãs e se fazem épicas como sempre.

O filme tem um grande problema de roteiro que é nítido, mas é salvo por uma trinca formada pela direção, fotografia e trilha sonora, estas conseguem fazer maravilhas nos trazendo a melhor sequência da franquia e ao mesmo tempo o filme mais diferente de toda ela. Podemos considerar esse como um filme de transição para a franquia, ele deixa para trás aspectos que víamos nos anteriores, principalmente o de pessoas fugindo de dinossauros numa ilha, e da novos rumos com infinitas possibilidades para a sequência além de trazer debates muito interessantes.

Por fim, não queira assistir a este filme com a mesma perspectiva com a qual você viu aos filme anteriores, todos os aspectos desse e o rumo dessa nova história é diferente, a franquia a partir desse filme tomará um novo rumo  e é difícil termos ideias de como encaixarão a nova história, que será ainda mais difícil de se desenvolver do que essa, mas parafraseando Ian Malcolm “a vida encontra um meio”.

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Dan Andrade

Cursando Produção Cultural atualmente, sempre foi apaixonado por cinema e decidiu que de alguma forma trabalharia com isso. Tendo como inspiração Steven Spielberg e suas histórias que marcaram gerações, escreve, assiste, lê e aprende, para um dia produzir coisas tão grandes e que inspirem pessoas como um dia ele o inspirou.

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