Crítica: Lego Ninjago – O Filme

Mais uma vez os pequenos bonecos amarelos acertam na fórmula. Quando “Lego – O Filme” foi anunciado, muitas pessoas ficaram receosas e acharam que seria apenas um filme bobo e infantil, mas quando ele estreou em 2014 foi um sucesso estrondoso. Depois disso, no início desse ano tivemos o ótimo “Lego Batman – O Filme”, considerado por muitos um dos melhores filmes do Batman já feitos. E agora, menos de um ano depois somos agraciados com mais um filme Lego e, já adiantando, é muito divertido e garante boas risadas.

Esta nova produção se baseia na linha de brinquedos Lego Ninjago que ganhou uma adaptação em série de animação em 2011 e que já está na sétima temporada. Entretanto, não é necessário ter assistido a série para ver o filme, que funciona por si só.

“Lego Ninjago – O Filme” conta a história de Lloyd, morador da cidade de Ninjago e filho do maior vilão e Pior Cara de Todos, Garmadon. Por ser filho do vilão, Lloyd sofre de muito preconceito por parte dos cidadãos, mas mesmo assim ele secretamente ajuda a cidade disfarçado como Ninja Verde junto dos outros ninjas da Força Ninja Secreta, em uma clara referência a Power Rangers.

E as referências não terminam por ai. Esse filme, assim como os outras produções que envolvem a marca Lego, coleciona citações e piadinhas em relação à cultura Pop, desde alusões a filmes e séries conhecidos do público geral, como o já citado Power Rangers, ou mesmo a relação pai vilão e filho mocinho, de Star Wars, até o uso de músicas famosas para complementar a história. E falando em músicas, é impossível não comentar sobre elas. A trilha sonora de Lego Ninjago não está ali apenas para enfeitar o filme, mas para acrescentar, fazendo piadas com a situação em que os personagens se encontram. Para tal, infelizmente, ainda é necessário o conhecimento de inglês, mas em sua maioria é possível entender ao menos a ideia geral da piada e se divertir com isso.

Vale dizer também que a estreia de Charlie Bean como diretor no cinema foi ótima. Escritor e artista de muitos desenhos que marcaram a infância de uma geração, como “Laboratório de Dexter”, “Meninas Super Poderosas” e “Samurai Jack”, ele mostrou seu potencial dirigindo este filme. Por já ter trabalhado com diversas animações e estar aliado a Paul Fisher e Bob Logan, que co-dirigiram e possuem grande experiência com longas animados, o diretor soube dosar a fluidez da animação, de forma que a mesma ficou bem mais espontânea sem perder o ar de stop motion característico dos dois filmes anteriores.

É bom ressaltar o ótimo trabalho da dublagem brasileira que não só trouxe ótimas vozes para os personagens como fez um excelente trabalho de sincronia e adaptação das falas. É uma pena que as vozes da série e dos filmes sejam diferentes, o que pode causar estranheza para aqueles que assistirem os dois.

O roteiro que ficou nas mãos de Hilary Winston, Bob Logan, Paul Fisher, William Wheeler, Tom Wheeler, Dan Hageman e Kevin Hageman segue uma estrutura extremamente linear e cliché, o que acaba por não ser muito longe do esperado para um filme infantil, mas em meio a isso os roteiristas conseguiram inserir algumas pequenas decisões muito criativas, uma delas até resgatando um conceito de “Lego O Filme”.

Em geral, “Lego Ninjago – O Filme” é uma ótima animação, repleta de referências criativas e muito humor, ideal para se assistir em família, pois irá ser divertido tanto para as crianças que sairão do cinema imitando ninjas com poderes elementais quanto para os pais que poderão dar boas risadas.


Por Bruno Dias

Crítica: Lego Ninjago - O Filme
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