Criaturas Extraordinariamente Brilhantes emociona com visual impecável, personagens humanos e uma história sobre laços e luto
Em “Criaturas Extraordinariamente Brilhantes” (“Remarkably Bright Creatures”), a história gira em torno de uma senhora viúva que trabalha em um aquário e acaba criando uma conexão inesperada com um polvo gigante chamado Marcellus. Desde os primeiros minutos, o filme deixa claro qual é sua proposta emocional. A introdução, retratada sob o ponto de vista do animal, chama atenção pela ambientação do fundo do mar, pelo cuidado visual e por um CGI que se aproxima bastante da realidade, criando imediatamente aquela vontade de continuar assistindo.
Os detalhes artísticos e as paisagens ajudam a construir uma atmosfera extremamente tranquila e acolhedora. O visual é um dos grandes pontos altos do longa, muito por conta do trabalho de fotografia de Ashley Connor, que consegue transmitir uma sensação constante de paz e intimidade. Existe um cuidado muito grande com iluminação, cores e enquadramentos, fazendo com que até os momentos mais silenciosos carreguem algum tipo de emoção.
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Mas o que realmente faz o filme funcionar é a maneira como o roteiro aproxima o público dos personagens. Mesmo com um ritmo leve e calmo, a trama consegue criar apego rapidamente, principalmente com Marcellus e com Tova Sullivan, interpretada por Sally Field. E talvez um dos pontos mais surpreendentes seja justamente como o filme consegue fazer você se envolver até com a história do próprio polvo. Conforme a narrativa avança, Marcellus deixa de ser apenas um elemento curioso dentro do aquário e passa a ter presença emocional real dentro da trama.
No início, Cameron Cassmore, personagem de Lewis Pullman, não chama tanta atenção. Só que isso muda rápido conforme o filme começa a aprofundar o passado e os conflitos do personagem. E esse desenvolvimento acaba se tornando um dos grandes acertos do roteiro assinado por Olivia Newman, John Whittington e Shelby Van Pelt, autora do livro que inspirou o filme. A participação dela na adaptação demonstra um cuidado muito grande da produção em preservar a essência da obra original.
A direção de Olivia Newman também merece destaque pelo capricho na construção das cenas. Os enquadramentos aproximam o público dos personagens de uma forma muito natural, enquanto pequenos detalhes de direção ajudam a fortalecer o impacto emocional da história. Um exemplo disso são os momentos em que a trilha sonora instrumental simplesmente desaparece para deixar o diálogo respirar sozinho. São escolhas simples, mas extremamente eficientes.

E talvez um dos maiores elogios que se possa fazer ao filme seja justamente o fato de que suas quase duas horas passam sem parecer cansativas. Existe um cuidado muito grande em manter o envolvimento emocional do espectador durante toda a jornada, sem precisar recorrer a grandes reviravoltas ou cenas exageradas para prender a atenção.
As atuações ajudam bastante nisso. Sally Field e Lewis Pullman entregam interpretações muito sinceras, trazendo aquela sensação de filme acolhedor, quase familiar. É justamente essa combinação entre atuação, direção e roteiro que faz o longa conseguir emocionar em vários momentos, porque o público realmente se conecta com o drama apresentado.
Criaturas Extraordinariamente Brilhantes é uma adaptação extremamente cuidadosa do livro lançado em 2022 por Shelby Van Pelt. Uma história sensível sobre luto, amizade e conexão, que conseguiu transportar para o audiovisual a mesma emoção presente nas páginas do livro. E sem dúvida, é um filme que vale a pena assistir.
Imagem Destacada: Divulgação/Netflix

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