Uma coleção literária que virou filme e se tornou uma série. O que “Lemony Snicket – Desventuras em Série”, uma série original da Netflix, oferece de diferente e inovador para os leitores dos livros e o público infanto-juvenil? Bem, algo único, que conquista aos poucos e é bom.

A produção é inspirada nos livros dos anos 2000 “Desventuras em Série” do autor Daniel Handler, na qual Lemony Snicket narra a saga de 3 irmãos que ficam órfãos após um incêndio misterioso que tomou conta da casa deles de forma inesperada e rápida. Dessa primeira tragédia em diante a vida de Violet Baudelaire, Klaus Baudelaire e Sunny Baudelaire só piora. A guarda das crianças é concedida a um “parente” distante, o ator Conde Olaf e a vida deles se torna um verdadeiro inferno. Além de se tornarem empregados do vilão, eles lutam por suas próprias vidas a todo instante, pois os pais deixaram a eles uma fortuna de herança e tudo o que Olaf quer é colocar a mão na grana, mas isso só será possível se os irmãos estiverem mortos.

Mesmo com um enredo bom e diferente de qualquer outra história, fidelizar fãs não é uma missão fácil hoje em dia, por isso faz-se necessário algo de boa qualidade e por que não alguém que atraia bastante olhares. Foi o que a trama fez, pois Neil Patrick Harris, é um ator adorado por fãs de séries pelo seu trabalho em “How I Met Your Mother” e além disso já atuou em filmes e apresentou, e muito bem, a 87ª edição do Oscar. Harris está impecável como o perverso Conde, o vilão com um quê cômico casou muito bem com o ator. Que ao contrário do que muitos imaginavam ou queriam, ele fugiu da versão de Jim Carrey para os cinemas, nada de caras e bocas, algo linear, clean e igualmente bom.

A fotografia se encaixa bem com o roteiro, pois durante os primeiros momentos, quando os órfãos acreditam que seus pais estão em casa esperando o retorno deles, as cenas são claras com um um leque de cores vibrantes. Mas tudo muda quando os três irmãos passam a esbarrar com trágicos momentos a cada instante. São cenários cinzas, um tanto mortos e tristes. Isso vai oscilando ao longo da série, entre momentos bons e ruins.

O roteiro é bom, mas o começo parado e pouco real para o momento vivido pelas crianças desanima um pouco. Felizmente ou não, a atenção é prendida a partir do momento que Harris entra em cena. Claro que ele é o principal nome do elenco e seu personagem é um dos mais importantes, mas se a trama retrata principalmente o triste destino das crianças órfãos, fica estranho o ápice ser sempre quando Conde Olaf aparece. No começo é até possível ter sono ou simplesmente desistir nos primeiros episódios. Uma dica: não desista. Porque aos poucos Violet, Klaus e Sunny ganham o merecido destaque e aí sim vilões e mocinhos são bem determinados e os irmãos ganham a torcida do público.

Alguns detalhes precisam ser mencionados. A começar pelo narrador oculto mais que presente, ele não participa da história, mas sabe tudo o que acontece e acontecerá. O ator Patrick Warburton se encarrega de dar vida a ser misterioso e sádico narrador, e assim como no livro, ele não é nada emotivo, narra e pronto, e em ambos tenta convencer o leitor, e quem está assistindo, a desistir de acompanhar tamanho sofrimento. Outro detalhe que traz um diferencial é a contínua interação entre o narrador, Conde Olaf e quem assiste. Acontece umas olhadas para a câmera, umas piadas originais e até mesmo meras piscadelas. Uma forma de cumplicidade entre todos, como se fizéssemos parte de tudo aquilo a partir do momento em que assistimos.

No fim das contas a série é boa por causa de todo o conjunto, até mesmo os efeitos especiais que não são essenciais. A história já é boa e o roteiro é uma ótima adaptação. O elenco cumpre muito bem sua missão, principalmente os atores mirins Malina Weissman e Louis Hynes. Vale a pena dedicar um pouco do seu tempo para essa série que explora bem a coleção de livro, pois cada volume possui em média 200 páginas e os quatro primeiros foram divididos em 8 episódios com cerca de 50 minutos. “Lemony Snicket – Desventuras em Série”  é uma ótima aposta da Netflix.


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Tami Aimée

Ela é a linha tênue entre a tranquilidade e a persistência. Um encontro divertido entre a calma e a dedicação. Uma jornalista que ama e se encanta com o que faz, aprende sorrindo e aceita que o erro é possível e faz parte da natureza humana. Entre um minuto e outro escreve, lê, escuta, canta, produz, analisa, aprecia... Essa é a Tamiris Aimée, essa é a Tami Aimée!

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