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CríticaFilmes

Crítica: Logan Lucky – Roubo em família

Daniel Gravelli
15 de outubro de 2017 4 Mins Read

Um novo filme, a mesma fórmula

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Steven Soderbergh é um daqueles diretores que se reinventa a cada obra, mesmo quando realiza algo que poderia soar bastante repetitivo. Em seu mais novo trabalho, “Logan Lucky – Roubo em família”, vemos o que poderia facilmente se tornar um clichê desses mais do que forçado nas mãos de um diretor sem tato e/ou visão. Contudo, Soderbergh não cai na tentação e prova que mesmo quando brinca em seu próprio território consegue extrair um produto de qualidade e bastante original.

A trama nos apresenta Jimmy Logan, um simplório homem de família que vive praticamente para sua única filha – herança de uma antiga e conturbada relação com Bobbie Jo Chapman. Levando uma vida normal ele vê sua rotina se desmoronar quando é demitido de seu emprego na área de construções, devido a um problema em sua perna. Sem direção, Logan acaba elaborando um plano fora do comum – assaltar um dos maiores eventos esportivos da região, que acontece na pista de corrida Charlotte Motor Speedway – não Carolina do Norte. Para isso, ele precisa contar com seus irmãos Mellie (uma determinada cabeleireira da cidade) e o introspectivo Clyde (um bartender de apenas um braço). Todavia, uma vez que nenhum deles entende nada do assunto, a situação os deixa cara a cara com o especialista em demolições Joe Bang.

A primeira vista o longa não te promete nada mais do que uma “divertida comédia” sobre roubos audaciosos. Entretanto, a medida que a história vai se desenrolando a produção – que envolve nomes como Channing Tatum – acaba ganhando a atenção do público que adentra ainda mais na história, percebendo que o mesmo possui muito mais conteúdo do que aparentava.

Escrito pela estreante Rebecca Blunt, o roteiro é bastante peculiar e acaba envolvendo personagens com uma excentricidade única – porém, tipos que não estão muito longe da realidade. Com uma ótima estrutura, quase todos os elementos da narrativa funcionam de forma satisfatória. Ao evitar perder tempo com certos conflitos que poderiam soar banais, a roteirista caminha em uma linha tênue – acelera o ritmo a cada instante, gerando mais entusiasmo do público, ao mesmo tempo que esquece respostas necessárias para o melhor desenvolvimento da história. – Perpassado por um tom mais cômico, com pequenas inserções dramáticas, o roteiro traz diálogos sagazes e sequências que nos conquistam logo no fim do primeiro ato e se mantém assim até o final.

A partir de uma direção afiada, realizada de forma estratégica, David Soderbergh (“11 homens e um segredo”, “Traffic”) conduz o espectador a acreditar no óbvio destacado desde o início. O que engrandece o filme em alguns pontos. Quem conhece o trabalho do diretor vai perceber que ele se permitiu brincar, possibilitando uma vertente mais naturalista e sincera às cenas. Sodebergh constrói os acontecimentos de forma minuciosa, ponderando e transmitindo as emoções certas a cada cena. Sem falar da magistral abordagem com os atores, da qual conseguiu extrair um equilíbrio ideal para cada um deles – que se mantiveram, propositalmente, entre o caricato e o estranho sem tombar para o exagero desnecessário.

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A Fotografia (do próprio Soderbergh) é outro deleite, que nos proporciona uma explosão de cores quentes em tela, ao mesmo tempo que uma calorenta atmosfera que nos deixa ainda mais tenso com os acontecimentos. Enquanto rápidos movimentos de câmera criam o frenesi esperado para cada situação, a boa direção de arte de Eric R. Johnson e Rob Simons – e o figurino de Ellen Mirojnick – caminham lado a lado para uma melhor assimilação do ambiente em que a história se passa.

Com um elenco recheado de atores conhecidos pelo grande público, sendo alguns usados apenas como participações de luxo, o filme nos permite conhecer um outro lado desses artistas que acabam nos surpreendendo. A começar por Katie Holmes (“O doador de memórias”), que vinha abraçando uma variedade de projetos meia boca e aqui ela se sobressai com uma atuação na medida certa. Riley Keough (“Mad Max – A Estrada da Fúria”), encarna o papel da irmã de Jimmy e também se sai muito bem. Uma pena que suas relações não foram melhor aproveitadas. Adam Driver mais uma vez se mostra como uma das grandes descobertas do mercado atual. Com um jeitão contido e desengonçado ele convence bastante como Clyde. A jovem Farrah Mackenzie vive a filha de Logan, com uma interpretação plausível. Todavia, o filme pertence mesmo a Channing Tatum, em uma atuação que foge de seu convencional e nos agrada facilmente; e um hilário Daniel Graig na pele do carismático e confuso Joe Bang.

Todavia, na medida que acerta com uma fórmula batida e uma satisfatória direção, Soderbergh peca com uma edição exagerada (olha ele aqui novamente) e tendenciosa em certos pontos, o que não funciona muito bem e faz a trama perder o ritmo. O mesmo acontece com a trilha sonora do experiente David Holmes (parceiro do diretor em outras obras),que acaba optando por um tom caricato em certos trechos. Algo que foi completamente desnecessário, uma vez que o filme traz um bom conteúdo capaz de segurar toda produção.

“Logan Lucky – Roubo em família” não é um filmaço como muitos pintam por aí, mas não deixa de ser uma ótima sacada do mesmo diretor de “Magic Mike”. Cheio de referências e brincadeiras as suas próprias obras, Soderbergh cria um filme bacana que merece até uma continuação.

Sinopse
Prós
Contras
7.9
Nota

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Tags:

ArteChanning TatumCinemaCrimeDiamond FilmsFestival do RioFestival do Rio 2017steven Soderbergh

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Me siga Escrito por

Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é especialista em comunicação de alta performance, apaixonado pela arte e pelo seu potencial na conexão humana. É diretor, produtor, ator, roteirista, e acumula mais de 30 anos de experiência no mercado cultural. Adora cozinhar e descobrir novidades sobre o mundo.

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