Crítica: A Morte Te Dá Parabéns

Filmes como “Pânico”, “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado”, ” Lenda Urbana” e outros do gênero, foram sucesso de bilheteria nos anos 90 e desapareceram. Seguindo a mesma vertente misturando humor negro e terror, acaba de chegar aos cinemas “A Morte Te Dá Parabéns”.

A história acontece em torno de Tree, uma jovem universitária que revive o dia de seu aniversário diversas vezes. Ela, que acorda sempre no quarto de um, inicialmente, desconhecido após uma noitada, precisa descobrir como viver o amanhã, uma vez que toda noite ela é assassinada e volta sempre à manhã do dia de seu aniversário.

A produção investe, descaradamente, nos clichês dos filmes do gênero. A personagem principal é nada menos que uma loirinha metida, irritante e mimada que, com o passar dos “dias”, tem a oportunidade de se redimir com a “vida”. E o clima criado com a suspeita de que o assassino pode ser qualquer um também não é nenhuma novidade. Sem falar, é claro, que ele está sempre usando uma máscara bizarra. Porém mesmo assim, com o mais do mesmo, o filme constrói uma narrativa interessante e envolvente. Mas como?

Se você acordasse todo dia e fosse o mesmo, saindo de casa, já sabendo de tudo que vai acontecer – inclusive morrer no final da noite – o que você faria? Provavelmente as primeiras tentativas seriam estranhas, mas logo você entenderia que precisa arrumar uma solução para ter um futuro. Naturalmente pensaria em um plano para descobrir quem sempre te mata e possivelmente até curtiria o dia de formas distintas fazendo algo que nunca teve coragem de fazer sabendo que na próxima vez que acordasse tudo voltaria a mesma coisa. Então, essa é a parte que entretêm, pois a mistura do humor com o terror vem muito bem equilibradas e justificadas.

Dirigido por Christopher Landon (“Atividade Paranormal”) e com o roteiro de Scott Lobdell (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”), o longa apesar de possuir uma ideia “ultrapassada”, renova de forma positiva o que já assistimos há anos e consegue cumprir o papel de ser um passatempo bem configurado e atingir seus objetivos, além de seu público alvo. Com uma proposta inteligente, o roteirista e o diretor conseguem fazer do óbvio algo interessante e divertido para quem assiste. Alguns podem vir a falar que os diálogos e a história é simples e fraca, porém, se avaliarmos a produção pelo que ela se dispõe a fazer, podemos ver que tudo tem um motivo e é conveniente que seja assim.

O elenco é bem escolhido e vem a calhar dentro da obra. Tree, interpretada por Jessica Rothe, é um estereótipo bem construído de uma garota que estuda em uma universidade e faz parte de uma fraternidade. A atriz inicialmente parece ser bem caricata, mas ao longo do processo vemos a transformação de sua personagem e o verdadeiro talento de Jessica. Acompanhando sua louca jornada, temos Israel Broussard como Carter. Ele como diversos outros, são sub-personagens da trama, uma vez que o filme é totalmente focado em Tree. Mas ainda assim, merece seu destaque por ser um rapaz cativante em tela. Em relação ao vilão, bom, esse não podemos desenvolver muito pois se não estaríamos dando spoilers.

“A Morte Te Dá Parabéns” é um filme de gênero, ou melhor sub-gênero, que não força jump scares ridículos para assustar o espectador. Pelo contrário, é uma produção que usa a inteligência e desenvolve um terror teen com pitadas de filmes de investigação. Além disso, ela deixa um “cheiro” no ar de uma possível continuação, o que não seria nada mal para o começo de uma nova franquia. O filme estreou dia 12 de outubro e é super divertido, vale o ingresso e tudo mais.

Crítica: A Morte Te Dá Parabéns
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