Crítica: Memória em Verde e Rosa

Localizada no morro da Mangueira, zona norte do Rio, uma das escolas de samba mais tradicionais da cidade, a “Estação Primeira da Mangueira”, é tema e cenário do documentário “Memória em Verde e Rosa”, que também destaca o morro, onde tudo começou.

A origem do nome Estação Primeira, vem da  estação que era a primeira parada da linha de trem que ia da Central do Brasil ao subúrbio carioca, haviam muitos pés de mangueiras por ali, deu-se origem então à um dos berços do samba.

Fundada em 28 de abril de 1928, próximo à região do Maracanã, por grandes sambistas como Carlos Cachaça e Cartola,  dentre outros, a Estação Primeira começou timidamente, com reuniões de final de semana entre amigos. A dedicação e o amor ao que faziam, levou a escola a ser a primeira campeã do Carnaval do Rio. Hoje a Mangueira possui 19 títulos, sendo o mais recente em 2016, com uma homenagem à Maria Bethânia.

O documentário reúne muitos relatos e curiosidades da época em que ainda não existia um estrelato envolvendo o samba, pelo contrário, quem fazia samba era mal visto, tendo que ter carteira assinada e um emprego reconhecido para conseguir respeito, até mesmo dentro da comunidade.

Alguns protagonistas dessa história dão seus depoimentos, que também conta com um rico material de acervo. Nomes como o lendário mestre-sala Delegado, Tia Suluca (baiana mais antiga da Mangueira), os compositores Nélson Sargento, Xangô,  Hélio Turco, Preto Rico e Jurandir, além dos músicos Carlinhos Pandeiro de Ouro, Jaguara, Cartola, Nelson Cavaquinho, Geraldo Pereira, e muitos outros.

O diretor Pedro von Krüger, contou lindamente a história do morro e da escola de samba através dos próprios sambistas, protagonistas da Mangueira, como o compositor Tantinho. Das barreiras encontradas na época, para se fazer samba, por amor, até o deslumbre e o interesse comercial e financeiro que se tornou uma escola de samba nos dias atuais.

É possível perceber, em relatos dos sambistas, a estranheza que se tornou a escola para estes. Com a perda dos amigos e parceiros de samba, os grandes investimentos financeiros – que agora fazem parte da agremiação – e os hábitos tradicionais modificados; o gigantismo e estrelato dos desfile passou a ter atenção principal para as alegorias e não mais para o samba.

A trilha sonora não poderia ser diferente, embalado por muito samba, o documentário se torna empolgante. As imagens se intercalam durante o filme, entre desfiles na sapucaí, festas na quadra da escola, diversos materiais de arquivo – com grandes personalidades do samba – e o cotidiano do morro e seus moradores, como os próprios sambistas, que marcaram a história da Mangueira.

“Memória em Verde e Rosa” estreia 30 de março nos cinemas.

Por Bruna Tinoco

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