O vento assoviava uma canção e o mar inquieto parecia perceber minha ansiedade. No semi círculo, pergulado pelas árvores, o banco de madeira pintado de verde mostrava a nossa ausência. Eu estava ali. Mas eu era apenas a metade. Faltava alguém pra sorrir de volta, pra rir de uma piada peculiar ou brincar com as palavras como de costume.

Onde estava a saudade? Cadê a vontade de ver de novo? As ligações incessantes, constantes, fortuitas, arriscadas. Cadê? Eu sabia que você não estaria naquela praça. Porém, o que me incomodava era seu silêncio. Saber dos meus poemas misturados a um punhado de recados; que você lidava com os e-mails, enquanto falava comigo.

Sim. Eu tinha ciúmes quando não era o único. Ficava triste quando você não estava disponível pra mim.

Naquela praça, a única coisa que eu via eram as nossas lembranças escapando de mim. Nossos momentos, vividos e imaginados, morrendo à míngua.

Só o que resta é acreditar que você sempre irá confiar na minha promessa de nunca te esquecer, de pensar em você todos os dias, todas as horas, todos os minutos, todos os segundos. Mas eu nunca vou saber se você está pensando em mim a cada instante ou mesmo de vez em quando.

Naquela praça, tudo que resta é nossa ausência, tudo o que eu ouço é o nosso silêncio. Há, porém, um fio de esperança, a certeza de uma promessa a ser cumprida.

Naquela praça sempre haverá um banco vazio pra nós dois. Lá será o lugar das nossas lembranças, será sempre lugar da minha esperança e será sempre o lugar onde eu estarei te aguardando.

Naquela praça será sempre o lugar onde o vento assovia uma canção, e o mar, na sua incessante inquietude, percebe a minha ansiedade, à espera da outra metade, para devolver-me o sorriso, e gargalhar de uma piada peculiar, alguém para brincar com as palavras como de costume.

Por Ivo Crifar