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Crítica

Crítica: Minha vida sem mim

[Re]pense…

Com tantas obras mais atuais e que também merecem menção, porque então, escolhi falar de uma película de 13 anos atrás?! Confesso que demorei muito para começar a escrever essa crítica. Ao mesmo tempo que eu tentava responder a pergunta acima, um filme muito particular se passava em minha cabeça. Então eu digitava e apagava, digitava e apagava (…) e notei, que na verdade, esse era um daqueles momentos catárticos quando algo muito bom acaba e você não encontra palavras para definir.

Minha vida sem mim (Mi vida sin mi/ My life without me) é um filme hispano-canadense, do ano de 2003, com 1h46min de duração e atualmente exibido pela Netflix.

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Consagrou sua diretora Isabel Coixet, fazendo com que sua produção ganhasse o Prêmio Goya por Melhor Roteiro Adaptado, bem como, Melhor filme Catalão no Prêmio Butaca. Concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, mas infelizmente não conseguiu.

Tal êxito não é para menos. A obra cinematográfica teve como patrocinador, o já aclamado diretor espanhol Pedro Almodóvar, e o nobre Alfonso Vilallonga em sua trilha sonora. E, para completar o time de peso ainda temos os atores Sarah Polley (atriz, cantora e diretora canadense), Mark Rufallo (ator norte-americano com vários filmes de sucesso em sua carreira como: Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Truque de Mestre e, claro, Bruce Banner/Hulk), Scott Speedeman (da série de TV Felicity) e Debora Harry (vocalista da banda New Wave Blondie.).

No enredo temos a história de Ann (Sarah Polley). Uma jovem de apenas 23 anos que se descobre com apenas três meses de vida. E o reconto acaba trazendo de volta o tema “o que você faria se soubesse que tem pouco tempo de vida?”. O que poderia ser mais uma história fadada à clichês e repetições, mas o que a tríade Coixet, Almodóvar e Vilallonga compõe, extrapola os limites da mesmice.

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Ann é o retrato da mulher classe média baixa, que cuida das filhas de dia e trabalha como faxineira à noite. Assim como vemos em muitas famílias brasileiras, a falta de estrutura, o marido que não tem um emprego estável, o “precisar” do governo para suas necessidades mais básicas; faz com que a narrativa seja altamente factível. E é algo que acaba nos fazendo pensar.

Com uma preocupação que vai além do “apenas ser mãe”, Ann decide para o bem maior de todos não contar que está prestes a morrer. E em contrapartida gera uma gama de atitudes que partem dela mesma para que tudo esteja na mais perfeita ordem quando se for. Isso poderia ser descrito de formas diversas, no entanto, a maneira leve como foi relatada acerca um filme muito mais de um conto-com-final-feliz, do que um drama que já foi explicitado nos primeiros dez minutos de vídeo.

A ambientação também é fantástica. Porque faz com que o expectador se identifique com as problematizações e as leve para o seu lugar-comum. O que torna as muitas histórias (sim, muitas!) dentro da história algo mais exequível.

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Temos, por exemplo, o apartamento de Lee (Mark Rufallo), no qual não há móveis… apenas livros. O hospital, em que o médico se recusa a dar notícias ruins dentro do próprio consultório, a lanchonete e sua garçonete que sonha ser artista de cinema, e por fim, o supermercado, onde: “No supermercado ninguém pensa na morte. ”.

Seus personagens são marcados por caraterizações simples, o que aproxima suas realidades das nossas realidades. Ann não usa maquiagem e seus dentes são tortos. Sua mãe é marcada por grandes olheiras e sua amiga tem uma preocupação tão grande com corpo e com a aparência que acaba fazendo-nos parecer críveis com nossas dietas de revista de banca de jornal.

O amor é o cerne da trama, e a despedida é onde se quer chegar desde o primeiro take. Minha vida sem mim, fala de vida, apesar de tudo. É um filme que vale apena assistir nesse fim de ano. No “mais-do-mesmo” dos desejos que queremos para o ano que chega. Faz com que analisemos a nossa vida.

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“Será que damos importância pro que temos que realmente dar?”.

 

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Reader Rating3 Votes
9.4
9.8
Written By

Érica nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, mas deveria ter nascido nesses lugares onde se conversa com plantas, energiza-se cristais e incenso não é só pra dar cheirinho na casa. Letrista na alma, e essa bem... é grande demais por corpinho de 1,55 que a abriga. Pisciana com ascendente E lua em câncer. Chora quando está feliz, triste, com raiva e até mesmo com dúvida. Ah! É uma nefelibata sem cura.

4 Comments

4 Comments

  1. Rodrigo Chinchio

    22 de dezembro de 2016 at 09:52

    A obra prima de Isabel Coixet.

    • Érica Fonteneles Pacheco

      22 de dezembro de 2016 at 15:23

      Exatamente! =)

  2. Taly Conde

    22 de dezembro de 2016 at 10:32

    Precisei ficar meia hora em silêncio pra absorver o filme. Excepcional. Excelente crítica.

    • Érica Fonteneles Pacheco

      22 de dezembro de 2016 at 15:22

      Fiquei exatamente assim quando vi.

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