Não é de hoje, e tem sido assim nos últimos anos, que Clint Eastwood tem seguido um padrão bastante regular em sua filmografia. Antes de mais nada, é importante dizer como é impressionante ver um homem com quase 90 anos ainda produzindo bastante trabalho e que não demonstra vontade de parar. Depois de ter consolidado sua carreira como ator, e também cineasta, Eastwood vem fazendo um trabalho muito pessoal acima de tudo, focado em figuras que o inspiram e o interessam. A maior parte delas são espécies do que poderia ser genericamente chamado de “herói americano”, que é aquele indivíduo cuja trajetória supostamente louvável chama a atenção para si. Muitas vezes, como em “O caso de Richard Jewell”, apenas um ato é responsável para que seu diretor romantize sua imagem.

Por mais admirável que seja a vida de Richard Jewell, como é evidentemente provado durante a projeção, fica difícil se questionar até que ponto as coisas se deram do jeito que foram mostradas. O protagonista é aqui colocado desde o início como extremamente solícito, bondoso e até mesmo ingênuo, o que se contrapõe aos seus antagonistas que vão sempre se mostrando com más intenções. Clint Eastwood nos dá, aqui, uma história sem nuances e sem tons de cinza, sem espaço para humanizar devidamente seus personagens e esse talvez seja um dos grandes defeitos do longa. Há certo apelo ao emocional que não possui a força que poderia por conta dessa construção prévia. Essa é a alma central do longa e é o motivo pelo qual ele até pode ser considerado eficaz, porém limitado.

Para além disso, a direção consegue ser fluida, mas é mais do mesmo que o realizador já vinha mostrando em seus lançamentos mais recentes.

Contudo, a montagem em “O Caso Richard Jewell” impressiona ao mesclar imagens e vídeos de arquivo, da realidade, com o que Eastwood filmou enquanto ficcção. Muitas vezes, o espectador pode ficar confuso e sem saber o que é realidade e o que é ficção, mesmo que por apenas alguns segundos. Não só a transição entre realidade e reconstituição é muito bem feita como também a própria reconstituição, que conta com impecáveis trabalhos de figurino e maquiagem.

“O Caso Richard Jewell” não é brilhante e é mais uma daquelas tramas edificantes que apelam para o emocional. Entretanto, não é ruim e nem ofensiva para seu público, uma vez que Clint Eastwood ainda consegue trazer qualidade para seus trabalhos. Isso, claro, considerando o modo automático que vem sendo mostrado por ele. É um filme problemático, mas nem tão ruim assim.


Imagens e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures


Sympla

O Caso de Richard Jewell

3.5
Regular!

A história real de Richard Jewell (Paul Walter Hauser), segurança que se tornou um dos principais suspeitos de bombardear as Olimpíadas de Atlanta, no ano de 1996. Na realidade, ele foi o responsável por ajudar inocentes a fugirem do local e avisar da existência de um dos explosivos.

Direção
Roteiro
Montagem
Pros
  • Ótima montagem
  • Interessante uso de material documental
Cons
  • Personagens bilaterais
  • Apela demais ao emocional
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Mauro Machado

Ser envolto em camadas de sarcasmo e crises existenciais. Desde 1997 tentando entender o mundo que o cerca,e falhando nisso cada vez mais.

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1 thought on “Crítica: O Caso Richard Jewell

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