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CríticaFilmes

Crítica: O Círculo

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
23 de junho de 2017 4 Mins Read
Hiperconectividade: Uma realidade não tão distante

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A cada passo dado pela tecnologia, o ser humano se empolga mais e mais devido a evolução presenciada. Todavia, duas perguntas instigantes nos colocam a pensar: Qual o limite para a tal evolução? E, será que a humanidade está realmente preparada para esse avanço?! Se depender dos dias atuais, nos quais convivemos com os absurdos escancarados na mídia social, a resposta seria simples: Não! Embora a tecnologia continue progredindo, para o bem de uma nação, existe um retrocesso de inteligência claramente mostrado pelas atitudes de muitos que fazem uso dessa. E isso não é uma forma generalizada de falar, mas uma realidade que muitos ainda insistem em fechar os olhos.

Como uma espécie de crítica social, “O Círculo” – produção que une os astros Tom Hanks e Emma Watson – chegou ontem aos cinemas brasileiros levantando questões importantes sobre esse assunto. A partir de uma ideia que não está muito longe de nossa tecnologia atual, o filme questiona a capacidade da sociedade em relação a certas possibilidades, dialogando sobre exposição gratuita de imagem, abusos, vícios, invasão de privacidade e a necessidade do sucesso a qualquer preço. Com um enredo interessante, mas que poderia ser melhor desenvolvido, acompanhamos a história de Mae – uma jovem promissora que consegue o tão aguardado emprego em uma das maiores empresas do mundo. Focada em diferentes tipos de tecnologia, todas de ponta, a “Circle” investe em produtos que buscam facilitar a vida das pessoas, melhorando os relacionamentos, saúde e/ou capacidade profissional do indivíduo. Todavia, com o tempo, Mae percebe que a proposta do lugar vai muito além daquilo que eles deixam claro, colocando a vida de muitos em risco.

Embora o filme ofereça uma produção de primeira, fica evidente que não trata-se de um projeto que ostenta um orçamento gigantesco. Tirando os custos com o elenco, temos uma realização que não se apoia em efeitos visuais mirabolantes e/ou cenários gigantescos, passando quase que inteiramente dentro da empresa em questão.

De forma envolvente o roteiro, escrito por James Ponsoldt (“O espetacular agora” e “O Fim da turnê”) e Dave Eggers (“Onde vivem os monstros”), baseado no livro do próprio Eggers, te segura até a metade do segundo ato com uma trama muito bem construída. Entretanto, aos poucos vai perdendo força e acaba caindo no mais do mesmo. Os roteiristas, que apresentam uma premissa bem fundamentada, erram bastante ao optar por diálogos rasos e um desfecho um tanto quanto óbvio, perdendo a chance de aprofundar um assunto que poderia seguir diferentes vertentes.

James Ponsoldt também assina a direção, e aqui ele acerta mais do que no roteiro. O diretor nos entrega uma direção bem estruturada, com um ritmo acertado, sem exageros, utilizando bons enquadramentos e movimentos de câmera bastante sutis. Contudo, a grande sacada de Ponsoldt é o uso de uma linguagem mais moderna, com alguns efeitos que saltam a tela para nos remeter o poder da internet e gigantesca circulação de dados que essa promove em tempo real.

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A fotografia de Matthew Libatique é outro ponto de destaque na produção. Ele, que já foi responsável pela direção de fotografia de filmes como “Requiem para um sonho” e “Cisne Negro”, acerta em cheio com um trabalho inteligente, capaz de dividir o mundo das diferentes personagens através do uso correto da cores. É interessante, no início, conhecermos a personagem de Mae a partir de uma paleta de cores puxada para o amarelo ou tons pastéis, nos oferecendo uma visão de algo mais insosso, quase que dormente. Para depois, sermos inseridos em um ambiente completamente diferente, mais vivo, repleto de cores quentes, destacando um vermelho intenso que chama atenção toda vez que aparece.

O mesmo acontece com a direção de arte de Sarah M. Pott (“Eu, você e a garota que vai morrer”), e Sebastian Schroder (“Transformers: A Era da Extinção”), e o figurino de Emma Potter (“Creed – Nascido para lutar”). A criação de ambos os departamentos dialoga muito bem com o estilo de vida das diversas pessoas encontradas no filme, mostrando a simplicidade evidenciada pelos moradores da cidade pequena e o notório exagero daqueles que vivem em prol da imagem dentro da grande cidade.

A produção traz um elenco grandioso, mas não souberam aproveitar a capacidade de todos eles. Embora Emma Watson esteja bem em algumas cenas, se esforçando ao máximo para se afastar dos trejeitos de sua personagem mais famosa – a Hermione de “Harry Potter” – sua construção deixa a desejar em vários outros momentos, pois não enxergamos o crescimento de sua força emocional e psicológica, ela simplesmente aparece como mágica. Já Tom Hanks, esse realiza um ótimo desempenho como Eamon Bailey, criando um estereótipo no melhor estilo Steven Jobs e/ou Elon Musk. Contudo, não espere ver o astro muito em cena, o que acaba sendo uma grande decepção. John Boyega é outro que não diz o que veio fazer no filme. Sua participação é quase que desnecessária e poderia ser melhor representada por um ator desconhecido. Karen Gillan, de “Guardiões da Galáxia Vol.2”, também nos apresenta uma atuação ruim, muito longe de sua capacidade. Por um outro lado, Bill Paxton e Glenne Headly no convence muito bem como os pais de Mae.

Memo nos decepcionando em alguns pontos, “O Círculo” é um bom filme e vai te segurar até o fim. É uma história simples, porém desenvolvida em cima de assuntos que vivemos em nosso cotidiano. Vale a pena refletir sobre o poder da tecnologia e o que estamos nos tornado devido a isso.

Produção
8
Roteiro
6
Direção
7
Fotografia
8
Direção de Arte
7
Figurino
7
Elenco
7
Reader Rating0 Votes
0
7

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Tags:

CinemaEmma WatsonTom Hanks

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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