Crítica: O fabuloso destino de Amélie Poulain

É difícil pensar em um filme mais magnífico do que “O fabuloso destino de Amélie Poulain” (2002). Desde sua introdução, até Amélie se renovar a cada cena, o longa encanta e nos faz refletir sobre diversas situações. Cada vez que se assiste, temos percepções diferentes e mais profundas.

E é quebrando a cobertura do Crème Brulée com a pontinha da colher, observando a reação de pessoas assistindo aos filmes no cinema, colocando a mão bem funda no saco de lentilhas e jogando pedras no canal Saint Martin que Amélie aproveita os simples prazeres da vida dando um verdadeiro tapa na cara de quem assiste ao filme.

Através de uma fábula lúdica, o longa, de Jean-Pierre Jeunet, foge totalmente do estilo sombrio de ficção por qual o diretor é conhecido, cativando o público com pequenos detalhes e o levando para uma deliciosa viagem a Paris. Apesar da mudança de gênero, seu estilo recheado com ângulos de câmeras inusitados, edição rápida e efeitos para manter o dinamismo do filme continuam presentes em cada cena.

A jovem, vivida por Audrey Tautou, ganha o telespectador por sua simplicidade ao lidar com as dificuldades da vida. Crescida, em meio as ordens de seus neuróticos pais, era uma criança atípica, na cidade de Paris, que, depois de grande, saiu de casa para trabalhar em um charmoso café em Montmartre. Sua vida começa a mudar com a morte da Lady Di, – não que ela seja uma fã da princesa – ao receber a noticia pela televisão, ela toma um susto e descobre uma caixa antiga escondida em seu banheiro, e essa sim mudará sua rotina. A partir daí, Amélie, começa a promover felicidade nas vidas das pessoas que a cercam, e, por acaso, na sua própria.

O roteiro, escrito por Jeunet e Guillaume Lauran, cativa o espectador fazendo com que ele se identifique com a trama. Além disso, não destaca apenas a vida de Amélie, mas todas as manias e detalhes dos outros personagens que compõem o longa, deixando-o mais leve e dinâmico. Por exemplo,  o personagem de Serge Merlin, Raymond Dufayel, possui ossos de vidros e pinta o mesmo quadro todos os anos.

Andrey Tautou é a grande atriz que se destaca no filme. Com sua delicadeza, a protagonista deu um jeito único à Amélie, em que apenas no olhar pode-se entender o que ela quer dizer. Sem dúvidas não é possível imaginar outra atriz no papel principal. Tautou tomou conta da atuação como se fosse ela mesma, e foi muito consagrada ficando conhecida mundialmente pelo longa.

A fotografia, digna de indicação ao Oscar, apresenta-se alegre, usando uma paleta baseada no vermelho, verde e amarelo. As cores são saturadas, colorindo os planos como se fossem pinturas. Porém, o diretor de fotografia Bruno Delbonnel também intercala tons mais escuros. É perceptível a forma como as cores do filme se tornam mais pesadas, com muitas sombras. Por exemplo, quando a protagonista planeja sua vingança contra o dono da venda de verduras, permitindo que o público entenda a mudança no tom de Amélie.

A trilha sonora dá um charme a mais no filme, se mostrando quase que como uma personagem. A música “La Valse d’Amélie” de Yann Tiersen, ganha os ouvidos de todos que o assistem, se mostrando de forma romântica e poética, com uma sinestesia entre a visão e a audição.

A moça ingênua, porém cheia de si, celebrando os pequenos momentos da vida, merece um destaque para todos aqueles que apreciam o cinema francês e gostam de levar a vida de forma leve e singela. Além de ser um ótimo filme para os casais apaixonados.


Por Carolina Gomes

Crítica: O fabuloso destino de Amélie Poulain
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