Crítica: O Sol Também é uma Estrela

Que atire a primeira pedra aquele que nunca chorou ou se emocionou em um filme romântico. Todos possuem pelo menos um deles como favorito e o leva na lista particular entre os melhores já assistidos. Pode-se citar algumas unanimidades: “Uma linda Mulher”, “Diário de uma Paixão” e, mais recentemente “A Culpa é das Estrelas”. Esse último é o grande “culpado” pela proliferação alarmante de produções com temáticas jovens e que possuem em sua premissa uma história de amor aparentemente impossível. Nada contra os filmes voltados aos apaixonados, o problema é quando esse filme é baseado em um livro desconhecido (pelo menos pelos mais adultos) e vira um caça-níquel vazio que toma os cinemas do mundo todo. Infelizmente, esse é o caso de O Sol Também é uma Estrela”.     

No longa, Natasha (Yara Shahidi), uma imigrante jamaicana está prestes a ser deportada com sua família, e busca uma última chance de permanecer em Nova York com a ajuda de um grande advogado. Enquanto espera a reunião para saber sobre o andamento do processo, ela conhece Daniel (Charles Melton), um descendente de coreanos que vai fazer uma entrevista afim de conseguir uma recomendação para uma faculdade de medicina. O primeiro encontro se dá na estação central da cidade, quando Daniel fica encantado com a garota que está olhando para o teto da estação, ao invés de olhar para frente como todos os outros. Outra coisa que chama a atenção do garoto é que ela usa uma blusa com os dizeres “Deus Ex Machina”(é apenas uma citação mesmo, já que seu significado é ignorado) a mesma frase que ele escreveu em seu caderno de notas algumas horas antes, já que era uma ideia para um poema. Ele acredita em destino, ela é pragmática e confia na ciência.É esse contraponto e a deportação dela que os roteiristas usam como obstáculo para o relacionamento, e nenhum dos dois artifícios funciona. Isso porque o amor dela pela ciência é totalmente artificial, sendo exposto por meio de frases prontas presentes em orelhas de livros de Carl Sagan. Mais falso soa a fé de Daniel, que soltas coisas do tipo: “até o final do dia você estará apaixonada por mim, é o nosso destino ficarmos juntos”. Ou seja, ele a vê na estação, troca algumas palavras, fica perdidamente apaixonado e acredita que foi algo mágico que os uniu. Não há nenhum tipo de desenvolvimento dos personagens. São unidimensionais, fazendo com que o espectador passe a não se importar com seus desfechos. Mesmo a iminente deportação e os problemas familiares do garoto proporcionam algum tipo de substância à trama. Outro problema são as inúmeras coincidências que teimam em  os unir , mas, afinal, é apenas o destino agindo em prol do amor.

O que sobra são as andanças dos dois visitando pontos turísticos da cidade com muita câmera inquieta e fotografia granulada. A direção de Ry Russo-Young não ultrapassa o básico e fracassa na condução dos atores, que estão apenas lendo linhas de um roteiro ruim sem nenhum tipo de emoção ou química. Se há algo louvável é a escolha de um elenco multiétnico, fugindo daquele padrão dos loiros de olhos azuis tão comuns nesse tipo de produção. Claro que a questão dos imigrantes na era Trump também é mostrada de forma superficial, sem desenvolver um tema importante e atual da protagonista afro-americana que se apaixona por um asiático e tem sua vida destruída por uma política racista e xenófoba. Acho que era esperar demais de algo como “O Sol Também é uma Estrela”. 

 

Fotos e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures Brasil

 

 

 

 

 

Crítica: O Sol Também é uma Estrela
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